AARÃO
Membro da tribo de Levi, irmão de Moisés e de Maria (Ex 4,14;
15,20). Foi um notável colaborador de Moisés (17,8-15; 24,1-11),
seu porta-voz perante os israelitas e o Faraó (4,14-16.27-30; 5,1-5).
Foi pecador, por isso seu sacerdócio foi caduco (32,1-6.25-29; Nm 12,1-13;
At 7,39-41; Hb 7,11-14). A tradição sacerdotal vê nele o
primeiro Sumo Sacerdote (Ex 29,1-30) e o antepassado da classe sacerdotal (28,1;
Lv 1,5). Dentro da tribo de Levi, Aarão e seus descendentes concentram
em si o sacerdócio (Lv 13-14; Nm 18,1-28; Ex 30,19-20). No NT o sacerdócio
de Cristo é considerado mais perfeito que o de Aarão (Hb 7,11.23-27).
ABADOM
heb. Destruição, Morte.
Em Jó.26:6; Jó.28:23; Jó.31:12; Sl.81:11; Pv.15:11 é
traduzido como perdição, morte, destruição ou abismo.
Em Ap.9:11 refere-se ao anjo do abismo, gr. Apoliom.
ABEL
Segundo filho de Adão e Eva. Era pastor e de seu rebanho oferecia sacrifícios
agradáveis a Deus. Seu irmão Caim, que era agricultor, construtor
de cidades (Gn 4,17) e pai da civilização (4,22), o assassinou
por inveja (4,2-8). Por causa de sua fé e justiça Abel tornou-se
modelo do mártir cristão (Hb 11,4; 1Jo 3,12). Seu sangue lembra
o sangue purificador do justo Jesus (Hb 12,24; Mt 23,35).
ABIRAM
Era membro da tribo de Rúben. Com seu irmão Datã e o apoio
de Coré, revoltou-se contra a liderança de Moisés e os
privilégios do sacerdócio de Aarão. Mas foram punidos por
Deus e tragados pela terra (Nm 16,1-40; Sl 106,16-18).
ABLUÇÃO
A impureza legal do AT nada tem a ver com a impureza moral (Ex 19,10-14; Lv
15,5-13; Dt 23,1-12; Ez 44). Mas os profetas insistem mais na pureza de coração
(Is 1,16-17; Ez 36,25-27). Jesus e os apóstolos estavam em conflito com
as abluções dos judeus (Mc 7,1-8). A palavra de Deus é
que purifica (Jo 15,3) e o sangue de Cristo nos lava de toda a mancha (Jo 13,6-15;
Hb 10,19-22; Ap 7,14). Ver “Puro-Impuro”.
ABOMINAÇÃO
Termo de desprezo para indicar uma estátua de um ídolo (Dt 7,25;
Sb 12,23). Em Ezequiel indica as práticas idolátricas em geral.
ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO
Nome desonroso que os livros de Daniel e Macabeus usam para designar o altar
pagão que Antíoco Epífanes (168 aC) mandou erigir no templo
de Jerusalém em homenagem a Baal Chamem (Senhor dos Céus), equivalente
aramaico de Zeus Olímpico (cf. 1Mc 1,54; Dn 11,31 e nota). No NT o termo
caracteriza a atividade blasfemadora do Anticristo antes da segunda vinda de
Cristo (2Ts 2,3-8; Lc 21,14.20).
ABRAÃO
É o mais antigo dos patriarcas e antepassado do povo de Israel (Gn 11–25).
Atendendo à ordem de Deus, deixou Ur dos caldeus e, na primeira metade
do segundo milênio aC, emigrou para Canaã. Ali Deus fez com ele
uma aliança, prometendo uma terra e uma grande descendência. Quando
estava em idade avançada, Sara sua esposa lhe deu um filho, Isaac. Mas
Deus o submeteu à prova pedindo que lhe sacrificasse o filho único.
Justificado por sua fé (Gl 3,6s; Rm 4,1-13), Abraão tornou-se
um modelo de fé e o pai de todos os crentes (4,18-22; Hb 11,8-19).
ACAIA
Província romana que compreende a parte central da atual Grécia
(At 18,12.27), onde Paulo pregou o Evangelho durante a segunda e a terceira
viagem missionária (At 17-19).
ADÃO
É o nome do primeiro ser humano (Gn 4,25–5,5), criado à
imagem de Deus. Em hebraico adam significa “ser humano”, “gênero
humano”, e adamah, “terra”. Este sentido coletivo do termo
está presente no relato de Gn 2–4. Mas os LXX e a Vulgata o interpretaram
erroneamente como nome próprio, a partir de Gn 2,19. Por sua origem o
homem é terra (2,7) e, ao morrer, voltará a ser terra (3,19);
enquanto vive deve cultivar a terra que é a sua morada (2,5; 3,17.23).
Criado para viver no jardim do Éden, em companhia de Eva e na presença
de Deus, Adão de lá foi expulso por causa de sua desobediência.
Com esta desobediência o pecado e a morte entraram no mundo. Mas Cristo,
o novo Adão, por sua obediência obteve a graça e a ressurreição
de todos os homens (Rm 5,12-21; 1Cor 15,20-22.25-49). Ver as notas em Gn 2,7
e 4,26.
ADOÇÃO
São raros os casos de adoção no AT. E são reservados
aos filhos da concubina (Gn 30,1-13; cf. 49,1-28). Colocar o filho sobre os
joelhos era um rito de adoção (Gn 48,1-13; 50,23; Rt 4,16-17).
O povo de Israel é o filho adotivo de Deus (Ex 4,22s; Jr 3,19; Os 11,1;
Dt 14,1; Rm 9,4). Os profetas lembram a Javé sua paternidade (Is 63,16-18;
64,7-9). O “nascer do alto”, mediante a água e o Espírito
Santo, é o sinal da adoção divina (Jo 3,3-7). Cristo resgatou
os que estavam escravizados pela lei de Moisés e lhes deu uma adoção
filial, que supera a jurídica, mediante o Espírito (Gl 4,4-7;
Rm 8,14-29; 2Pd 1,4). Devemos viver, portanto, como filhos de Deus (Fl 2,15-16;
1Pd 1,13-17), deixar-nos corrigir por ele quando pecamos (Hb 12,5-11) e a ele
voltar como o filho pródigo (Lc 15,11-32). Na oração devemos
importuná-lo como a um pai (Mt 6,7-15; 7,7-11). Ver “Batismo”.
ADORAÇÃO
Somente a Deus se deve adorar (Ex 20,3-5; 2Rs 17,36; Mt 4,10; At 10,25-26) e
Jesus Cristo (Mt 28,17; Fl 2,9-11; Hb 1,6). Ver “Culto”.
ADULTÉRIO
É toda relação sexual extraconjugal do homem ou da mulher
casados. No AT, a mulher é considerada propriedade do marido e a virgem,
antes do noivado, propriedade do pai. Por isso o adultério da mulher
e a defloração duma virgem são um crime contra a lei e
contra o direito da propriedade (Ex 20,14; 22,15-16), punível com a morte
(Dt 22,22-29). O povo eleito, infiel a Deus, é comparável à
mulher adúltera (Os 1–3; Jr 2–3; Ez 16). Jesus condenou o
adultério, até o simples desejo de cometê-lo (Mt 5,27s;
19,3-9), mas perdoou à mulher adúltera (Jo 8,1-11). O cristão
é membro de Cristo, templo do Espírito Santo e vive uma vida nova
na luz; por isso não deve profanar-se com o adultério e a fornicação
(1Cor 5; 6,12-19; Ef 4,17–5,20). Ver “Divórcio”.
AGRIPA
São dois os personagens conhecidos por este nome:
1. Herodes Agripa I, neto de Herodes o Grande e Mariamne I. Nascido no ano 10
aC, em 37 tornou-se tetrarca da Ituréia e Abilene; em 39, da Galiléia
e Peréia; em 41, da Judéia e Samaria, e recebeu o título
de rei. Em 44 morreu de repente em Cesaréia, após ter perseguido
a comunidade cristã (At 12,1-23).
2. Herodes Agripa II (27-29), filho de Agripa I. Em 53 tornou-se tetrarca da
Ituréia e Abilene e, como tal, escutou a defesa de Paulo reconhecendo
sua inocência (At 25,13-26.32).
ÁGUA
Sendo a água indispensável para a vida dos homens (Ex 23,25),
animais (Gn 24,11-20) e plantas (1Rs 18,41-45), é vista como um dom salvífico
de Deus. Ele a concede abundante aos que deseja salvar (Ex 17,5s; Is 12,5).
Mas ela lhe serve também de instrumento de punição para
os inimigos, como no dilúvio (Gn 6–8) e no êxodo (Ex 14–15).
Usada na limpeza física, a água serve também na purificação
cultual (Ex 30,17s; Lv 16,4.24) e ritual (Nm 19,11-22). Para os tempos escatológicos
Deus promete derramar sobre o povo águas purificadoras, acompanhadas
de seu Espírito (Ex 36,25-27; Is 44,3; Zc 13,1s).
No NT João Batista se serve da água para o seu batismo de penitência
(Mc 1,8-11). O batismo cristão é fonte de regeneração
e renovação do Espírito Santo (Tt 3,5). Os que a ele se
submetem são purificados de seus pecados e recebem o Espírito
Santo (At 2,38; 1Cor 10,1s). Cristo promete fazer jorrar a água viva
de seu Espírito para os que nele crêem.
ALELUIA
É uma exclamação litúrgica em Tb 13,22 e especialmente
nos Salmos (Sl 111–112; 104–105; 115–117; 146–150).
O termo significa “louvai ao Senhor”. É pois um convite do
salmista para participar no alegre louvor de Deus, que passou para o uso da
liturgia cristã.
ALIANÇA
Na época da monarquia de Israel (1030-587) a relação entre
Deus e o povo passou a ser vista como um pacto de mútuo amor e fidelidade.
Mas não como um pacto entre duas partes iguais, pois a iniciativa cabe
unicamente a Deus. É ele quem escolhe gratuitamente Israel como seu povo.
Em virtude desta eleição e aliança, Israel contrai obrigações.
O historiador sacerdotal (séc. VI aC) descreve a história salvífica
desde a criação até à época de Moisés
como uma sucessão de alianças divinas. Após o dilúvio,
Deus faz com Noé uma aliança de caráter universal, que
tem como preceito a proibição de comer sangue (cf. Gn 9,1-17 e
nota). Após a dispersão de Babel, Deus faz aliança com
Abraão, restringindo o seu plano salvífico aos descendentes do
patriarca, que são obrigados a praticar a circuncisão (cf. Gn
17,3-14 e nota). Esta aliança inclui a promessa de descendência
e duma terra (Gn 12,3-7; 15,1s; 22,16-18; 50,24; Sl 105,8-11). Depois da opressão
do Egito, Deus sela com Israel a aliança do Sinai (cf. Ex 24,3-8 e nota),
por meio do rito de sangue. Assim Israel nasceu como povo livre (Lv 26,42-45;
Dt 4,31; Eclo 44,21-23) e comprometido em observar os mandamentos e a Lei (Ex
20,1; 20,22–23,33 e nota; Dt 5,1-21). Em contrapartida, Deus promete fazê-lo
seu povo particular (Ex 19,4-8) e cercá-lo com sua proteção
(Dt 11,22-25; 28,1-14).
Mas o povo foi muitas vezes infiel aos compromissos desta aliança. Os
profetas denunciaram a infidelidade e anunciaram o exílio como castigo.
Ao mesmo tempo, porém, prometeram uma nova aliança para os tempos
messiânicos; ela será como um novo vínculo matrimonial entre
Deus e Israel (Os 2,20-24), e a Lei será inscrita nos corações
humanos transformados (Jr 31,33s; 32,37-41; Ez 36,26s).
Esta aliança cumpriu-se com a vinda de Cristo e foi selada pelo seu próprio
sangue (Mt 26,28; Hb 9,20; 1Cor 11,25). Na nova aliança o pecado será
apagado (Rm 11,27), os corações humanos serão transformados
pelo Espírito Santo (5,5) e Deus passará a habitar entre os homens
(2Cor 6,16).
Em grego o termo “aliança” significa também “
testamento”, ou última vontade que entra em vigor com a morte do
testador. Por isso, a nova aliança inaugurada por Cristo é chamada
também “Novo Testamento”, em contraposição
com a antiga aliança ou “Antigo Testamento"(Hb 9,16). Ver:
Testemunho ou documento da aliança em Ex 25,16 e nota; o matrimônio
como aliança em Ml 2,14 e nota.
ALMA
Não é noção bíblica, mas grega. Ver “Carne”,
“Homem”.
ALQUEIRE
Medida de cerca de nove litros.
ALTAR
Feito de terra ou de pedras (Ex 20,24), o altar servia em geral para oferecer
sacrifícios; ocasionalmente é um monumento que lembra experiências
religiosas dos patriarcas (Gn 12,8; 13,8; 26,25; 33,20). O altar tinha nos ângulos
quatro pontas salientes, chamadas também “chifres”; elas
simbolizavam o poder e a força de Deus (Ex 27,2; 37,25). Um criminoso
agarrando-se nelas poderia garantir para si o asilo (21,14; 1Rs 1,50) e escapar
à vingança de sangue. No templo havia o altar dos holocaustos
e o altar do incenso.
No NT o altar perde sua importância, pois Cristo aboliu com seu sangue
os sacrifícios cruentos do AT (Hb 9,28). Em seu lugar ganhou importância
a mesa, pois a eucaristia celebra a ceia do Senhor (1Cor 11,20).
ALTÍSSIMO
Ver “Deus”.
AMALEC
. É o neto de Esaú e antepassado dos amalecitas. Esta tribo nômade
do sul da Palestina tentou impedir a passagem de Israel rumo à Terra
Prometida (Ex 17,8-16).
AMÉM
Termo hebraico que significa “certamente”, “verdadeiramente”(cf.
Dt 27,15 e nota).
AMON
É um clã que vive na Transjordânia, nas cabeceiras do rio
Jaboc, onde está a atual cidade de Amã. Os amonitas tentaram barrar
a passagem de Israel à Terra Prometida (Dt 23,5). Desde a época
dos juízes se tornaram inimigos do povo eleito (Jz 3,13; 10,6-9) e foram
derrotados por Jefté (11,1-12,4), Saul (1Sm 11,1-11) e Davi (2Sm 12,26-31).
Segundo uma anedota popular são descendentes de Ben-Ami, nascido de um
incesto de uma das filhas de Ló com o pai (Cf. Gn 19,30-38 e nota).
AMOR
O amor a Deus é o primeiro e o maior dos mandamentos (Dt 6,5; Js 22,5;
Mc 12,28-30). É a resposta do ser humano à iniciativa de Deus,
que nos amou primeiro (Os 9,10; 11,1-4; Jr 2,2-4; 31,3; Is 63,9; Gl 2,20; 1Jo
4,19). O amor imenso de Deus se manifesta na cruz de Cristo (Jo 3,16s; 1Jo 3,1-16;
4,7-19; Rm 5,8; 8,32).
O amor a Deus implica obediência à vontade de Deus (Dt 5,8-10;
10,12-21; Mt 7,21-28; Jo 15,9-11; 1Jo 2,3; 5,3Dt 5,8-10), o desapego ao mundo
(Mt 6,24; Rm 8,7-11; Tg 4,4; 1Jo 2,15-17) e o amor a Jesus (Mt 10,37; Jo 14,21-23;
1Cor 16,24; Fl 1,21-23; At 5,41).
O amor ao próximo, junto com o amor a Deus, resume a Lei e os Profetas
(Lv 19,16-18; 1Ts 4,9-12; Gl 5,13-15; Rm 13,8-10; Mt 22,35-40; 1Jo 2,7); é
o “nó” da perfeição (Cl 3,14) e apaga os pecados
(1Pd 4,7-11). O amor aos inimigos foi revelado progressivamente (Dt 15,1-3;
Lv 19,33-34; Pr 25,21-22; Rm 12,20; Mt 5,43-48).
O amor ao próximo conhece degraus: a) amar o próximo como a si
mesmo (Mt 22,26); b) amar o próximo como a Cristo (Mt 25,31-46); c) amar
o próximo como Cristo o ama (Jo 15,9s; 1Jo 3,16-19; 1Pd 1,22-23Jo 15,9s);
d) amar o próximo à imagem do amor trinitário (Jo 17,21-23;
1Jo 4,7-16).
O amor fraterno é um sinal de contradição para o mundo
(1Jo 3,11-15; Jo 15,18-21); é um sinal de que amamos a Deus (1Jo 2,3-11;
4,19-21; Tg 2,1-3.14-26). Ver “Próximo”.
AMORREUS
Nome de um dos povos pré-israelitas que ocupavam a Palestina e a Transjordânia.
Foram derrotados pelos israelitas ao iniciarem a conquista de Canaã,
após a saída do Egito (Nm 21,21-35). Na Cisjordânia, Josué
derrotou cinco reis amorreus (Js 10,1-14).
ANANIAS
O nome em hebraico significa “o Senhor compadeceu-se”. São
conhecidos três personagens do NT com esse nome:
1. o marido de Safira (At 5,1-11);
2. o cristão que acolheu Paulo em Damasco, por ocasião de sua
conversão (9,10-17; 22,12-16);
3. o Sumo Sacerdote que mandou esbofetear Paulo frente ao tribunal (23,2-5).
Nesta ocasião, Paulo profetizou sua morte violenta; de fato, ele foi
assassinado em 66 dC pelos zelotes.
ANÁS
Sumo Sacerdote, nomeado por Quirino, que exerceu o cargo entre 6 e 15 dC (Lc
3,2). É o sogro do Sumo Sacerdote Caifás, com quem presidiu ao
interrogatório de Jesus (Jo 18,13-24) e ao de Pedro e João (At
4,6).
ANÁTEMA
Ou “extermínio”(em hebraico herem ), significa uma pessoa,
animal ou coisa que alguém subtrai do uso profano, consagrando-a a Deus
(Dt 12,12-14; Js 11,11.14). Tal “anátema” não podia
ser resgatado, e muitas vezes devia ser destruído (cf. Js 6,17 e 1Sm
15,3; Jz 11,30-31 e nota). Com o tempo, “anátema” indicava
apenas objetos oferecidos a Deus (Lv 27,28; Ez 44,27; Mc 7,11; Lc 21,5). Neste
sentido Paulo diz que desejava ser “anátema” de Cristo em
favor dos judeus (cf. Rm 9,2-5 e nota). Mas no NT “anátema”
podia significar também exclusão temporária ou definitiva
de uma pessoa do culto e da comunidade (Jo 9,22; 1Cor 16,22; Gl 1,8-9; cf. Esd
10,8).
ANCIÃOS
No período tribal de Israel a autoridade era exercida pelos chefes das
tribos, em geral os mais velhos. Em princípio, todos os chefes de família
gozavam de iguais direitos, mas na realidade eram os poderosos que exerciam
a autoridade na tribo. Assim, o termo “ancião” ficou vinculado
mais à dignidade do que à idade. Aos anciãos cabia a chefia
em tempos de guerra e o poder judicial em tempos de paz.
No período da monarquia perderam sua importância, graças
à centralização do poder administrativo e judiciário
em Jerusalém. Mas continuavam a organizar a vida cotidiana nas pequenas
localidades, função que também exerceram após o
exílio (Esd 7,25; 10,8.14). Junto com os sacerdotes e escribas faziam
parte do Sinédrio (Mt 27,41; Mc 11,27; 14,43-53). Nas primeiras comunidades
cristãs os anciãos governavam as igrejas locais (At 11,30; 14,23;
cf. 1Pd 5,1 e nota).
ANJO
Significa “mensageiro”, “enviado”. Neste sentido Deus
pode enviar profetas (Is 14,32) ou sacerdotes (Ml 2,7) como seus mensageiros.
Em textos anteriores à monarquia, o anjo é às vezes identificado
com o próprio Deus (cf. Gn 16,7 e nota; 22,11-18; 31,11-13; Ex 3,2-5;
Jz 2,1-4). A preocupação com a transcendência divina (Deus,
um ser distante e diferente), leva a falar dos anjos como intermediários
(Ex 14; 23,20-23; Nm 22,22-35; Jz 2,1-4; 6,11-24; 13,3-23; Gl 3,18-22Ex 14,19-20).
Eles são, portanto, os mediadores da Aliança. À maneira
de um monarca oriental, cercado de cortesãos, Deus passa a ser visto
como rodeado de anjos (Gn 28,12; Jo 1,51; 1Rs 22,19-23; Is 6,2-6; Jó
1,6-12; Mt 16,27), organizados numa verdadeira hierarquia (Gn 3,24; Is 6,2;
Ef 1,21; Cl 1,16; 1Pd 3,22; 1Ts 4,16).
A crença nos anjos se desenvolveu muito após o exílio.
Por isso, o NT insiste na superioridade da mediação de Cristo
sobre a dos anjos (Hb 1,4-6; 2,5-16; Ef 1,20-23; Cl 1,15-20).
ANO SABÁTICO
Era o último de um período de sete anos. Nele o escravo hebreu
tinha direito de recuperar a liberdade (Ex 21,2-6); os campos, vinhas e olivais
deviam ficar inexplorados (23,10s). Ver Lv 25,2; Dt 15,1; Jr 34,8 e respectivas
notas.
ANTICRISTO
Ou “homem da iniqüidade”(2Ts 2,1-11), é tudo o que se
opõe a Cristo, ao Messias. É um personagem que se dedica totalmente
ao mal (cf. 1Jo 2,18; 2Jo 7) e que se atribui honras divinas. Em Mateus e Marcos
parece ser um personagem coletivo (Mt 24,23s; Mc 13,14-20). É a encarnação
das forças políticas e religiosas que se opõem ao reino
de Deus inaugurado por Cristo (Ap 13,1-18). Cristo, iniciando o combate escatológico
contra o mal, já se encontrou com o anticristo, “o príncipe
deste mundo”(Jo 12,31-32; 14,30; 16,11), a quem aniquilará no fim
dos tempos (2Ts 2,8; 1,7-10). Ver “Parusia”.
ANTIOQUIA
Cidade fundada por Seleuco I, que se tornou um rico centro comercial, foco da
cultura helênica e residência dos Selêucidas. Em 64 aC tornou-se
capital da província romana da Síria. Ali foi fundada a primeira
comunidade cristã mista, composta de judeus e pagãos convertidos.
Os membros desta comunidade pela primeira vez foram chamados cristãos.
Dela partiram Paulo e Barnabé para as suas viagens missionárias
(At 13,1-3; 14,26-28; 15,35-40; 18,22). Na Ásia Menor, na Pisídia,
havia outra Antioquia, onde também Paulo e Barnabé fundaram uma
comunidade cristã (At 13,14-52).
ANTIPAS
Ou Herodes Antipas, um dos filhos de Herodes o Grande, que de 4 aC a 39 dC governou
a tetrarquia da Galiléia e da Peréia. Nos Evangelhos é
chamado simplesmente Herodes (Lc 3,19; 9,9; 13,31-33) e foi denunciado por João
Batista por ter tomado a mulher de seu irmão, Herodes Filipe. Instigado
por Herodíades, Antipas mandou degolar o Batista (Mt 14,1-12). Ver “Herodes”.
APARIÇÃO
Ver “Teofania”.
APOCALÍPTICA
Ou gênero literário apocalíptico (cf. Introdução
ao livro de Daniel). Amplamente difundido no judaísmo do séc.
II aC ao II dC. Tal literatura se caracteriza por uma fantasia exuberante e
mesmo bizarra. Nela, animais simbolizam pessoas e povos; números têm
valor simbólico e a revelação sobre a história futura
é feita por meio de visões explicadas por anjos intérpretes,
apresentados como homens. Exemplos deste gênero literário já
aparecem em Is 24–27; Ez 38–39; Zc 9–14. Mas ele é
amplamente usado no livro de Daniel, no Apocalipse e na literatura apócrifa
judaica e cristã.
APÓCRIFOS
São escritos judaicos ou cristãos não usados na liturgia
e na teologia. Promovem muitas vezes doutrinas estranhas e mesmo heréticas.
Para recomendá-las aos leitores são apresentados como pretensas
revelações de personagens bíblicos do AT e do NT. Mas não
foram inseridos entre os livros canônicos. Há livros apócrifos
tanto do AT como do NT. As Igrejas protestantes chamam de apócrifos aqueles
livros do AT que os católicos consideram deuterocanônicos. Os que
os católicos chamam apócrifos, os protestantes consideram pseudepígrafos.
Para o NT adotam a mesma terminologia dos católicos.
APOLO
Cristão de Alexandria que pregou o Evangelho em Éfeso e Corinto,
mas no começo conhecia apenas o batismo de João Batista (At 18,24-28;
1Cor 1,12).
APÓSTOLO
Significa “enviado”, “ mensageiro”. Nos evangelhos o
termo é reservado aos doze discípulos escolhidos por Jesus (Mc
3,13-19; Lc 6,13-16), para agir em seu nome (Mt 10,5-8.40). Os apóstolos
são escolhidos por Deus para pregar o Evangelho (Rm 1,1; 2Cor 5,20),
são a base da Igreja (Ef 2,20; Ap 21,14) e constituem o novo Israel de
Deus, recordando as doze tribos (Gn 35,23-26; At 7,8; Mt 19,28; Lc 22,30).
Duas são as condições para ser apóstolo: Ter participado
na vida pública de Jesus e ser testemunha da ressurreição
(At 1,21s; 2,32; Mt 28,19; Jo 20,21). Por isso, contemporâneos de Paulo
negavam-lhe a categoria de apóstolo, pois não pertencia aos Doze,
nem havia compartilhado da vida pública do Senhor (1Cor 9,1-2; 15,3-9;
2Cor 11,5; 11,13; 12,11-13). Mas Paulo responde que também viu o Ressuscitado,
dele recebeu o Evangelho e a investidura no apostolado. Por isso, ele se considera
apóstolo de Cristo (1Cor 1,1; 2Cor 1,1; Gl 1,1; Ef 1,1) distinguindo-se
dos apóstolos (enviados) das igrejas (Fl 2,25; 4,3; 2Cor 8,23; Rm 16,7),
ainda que não pertença aos Doze e não seja testemunha da
ressurreição (1Cor 12,28; 15,7-11; Gl 1,15s).
Pedro aparece como o primeiro dos apóstolos (Lc 6,14; 12,41; 8,45; 9,32-33.
Ele é a “rocha” e o portador das chaves da casa de Deus (Mt
16,17-18; Jo 1,41-42); é a primeira testemunha da ressurreição
(At 1,15-20).
ÁQÜILA
Judeu que se converteu com sua esposa Priscila em Roma, donde foi expulso por
decreto de Cláudio, junto com outros judeus. Nesta ocasião Paulo
o encontrou em Corinto, trabalhou e hospedou-se em sua casa (At 18,2s). Áqüila
e Priscila acompanharam Paulo a Éfeso, onde encontraram Apolo e o instruíram
na doutrina do Apóstolo (At 18,18-26). Paulo os tinha em grande estima
como cooperadores no apostolado (Rm 16,3-5).
ARCA DA ALIANÇA
Ou “arca de Deus”(1Sm 3,3), era um cofre de madeira recamado de
ouro (Ex 25,1-22), sinal visível da presença do Deus invisível
no meio do povo. Aos israelitas não era permitido representar a divindade
por meio de imagens ou esculturas. No entanto a fé precisa de suportes
sensíveis e a arca preenchia tal necessidade. Tanta era a fé do
povo na arca sagrada, que por vezes a levavam ao campo de batalha, persuadidos
de que assim Deus mesmo lutaria a seu lado (1Sm 4,2-11). Era chamada “da
aliança” ou também “do testemunho”, porque nela
estavam guardadas as tábuas da Lei, base da aliança de Deus com
Israel. A arca foi colocada no recinto do Santo dos Santos do templo de Jerusalém
(1Rs 8,1-9). Perdeu-se com a destruição de Jerusalém em
587 aC (2Rs 25,1-21). Sobre o destino da arca da aliança veja a lenda
em 2Mc 2,4-8 (nota). Ver “Imagem”.
ARMAGEDOM
heb. Monte de Megido.
Israel venceu o exército de Sísera
em Megido, Jz.5:19; O rei Josias, morreu na batalha contra Faraó-Neco
em Megido, 2Rs.23:29;
A última e decisiva rebelião contra Deus culminará em uma
guerra mundial, que findará na batalha de Armagedom, Ap.16:16·
AREÓPAGO
Colina de pedra junto à Acrópole de Atenas, onde havia santuários
pagãos. Ali se reunia o Supremo Tribunal de Atenas. Paulo, no ano 50
dC, dirigiu um discurso aos membros do Areópago (At 17,19-34).
ARQUELAU
Etnarca da Judéia, Samaria e Iduméia (4 aC a 6 dC), mencionado
em Mt 2,22. Escandalizou os judeus por sua vida particular e pelas nomeações
de sumos sacerdotes, que fez. Foi denunciado em Roma e deposto. O seu território
passou a ser governado pelos procuradores romanos.
ASCENSÃO
Tradições bíblicas populares falam da ascensão de
personagens que voltariam no fim dos tempos (Gn 5,21-24; 2Rs 2,11-13; Jd 14).
Ressurreição e Ascensão de Jesus são um e o mesmo
mistério (Lc 24,1.13.50-53; Jo 20,17-23; Rm 8,34). Somente At 1,1-11
fala de um intervalo de 40 dias entre a Ressurreição e Ascensão.
O binômio descida-subida ilumina o sentido da ascensão (At 2,29-36;
Fl 2,6-11; Ef 4,10; 1Pd 3,19-22; Rm 10,5-7); João concentra estes dois
aspectos na palavra exaltar (Jo 3,12-15; 8,27-29; 12,31-34). Afirma a divindade
de Cristo e tem uma dimensão escatológica (Lc 24,26; At 1,9-11;
Ef 1,20; Hb 9,24; 1Pd 3,22; cf. Mt 24,30-31). É garantia da nossa salvação
(Jo 14,2s; Rm 8,17.34; Ef 2,5s; 1Pd 1,3-4).
ASERA
Divindade feminina dos fenícios, companheira de Baal, representada por
um árvore ou por uma estaca sagrada. Ver “Astarte”.
ÁSIA
Correspondia ao reino dos Selêucidas, que abrangia a Ásia Menor
e o Médio Oriente (1Mc 8,6; 11,3; 12,39; 2Mc 3,3; 10,24). Mais tarde
a província romana da Ásia, cuja capital era Éfeso, abrangia
a Mísia, a Frígia, a Lídia e a Cária, ou seja, a
parte oeste da atual Ásia Menor (Rm 16,6; 1Cor 16,19; 2Cor 1,8; 2Tm 1,15).
Paulo evangelizou esta região durante a sua terceira viagem (At 18–21).
A Primeira Epístola de Pedro é dirigida também aos cristãos
da Ásia e o Apocalipse envia cartas às sete principais comunidades
da Ásia (Ap 2–3).
ASSEMBLÉIA
Ver “Igreja”.
ASSIDEUS
Ver 1Mc 2,42
ASSÍRIOS
Semitas, descendentes de Assur, um dos filhos de Sem (Gn 10,22). Estabeleceram-se
no curso médio do rio Tigre, na Mesopotâmia. Eram um povo guerreiro,
que herdou a cultura hurrita e suméria e fundou um grande império
no séc. VII aC, destruído pelos medos e babilônios em 605
aC. Foram eles que destruíram o reino de Israel (722 aC) e exilaram sua
população (2Rs 17).
ASTARTE
Deusa semítica da vegetação e da fertilidade, associada
a Baal. Era cultuada em toda a Ásia Menor, especialmente na Fenícia
(1Rs 11,5.33; 2Rs 23,13). Seu culto também foi muito apreciado pelos
israelitas, arrastando-os à idolatria (cf. Jz 2,13 e nota). Ver “Asera”.
AUGUSTO
Nome do primeiro imperador romano, sob o qual nasceu Jesus (Lc 2,1). Significa
“abençoado, sublime”. Mais tarde passou a ser o nome comum
dos imperadores reinantes, como expressão do sentido religioso da dignidade
imperial. Por isso no Apocalipse se diz que o nome da “besta” é
blasfemo (13,1; 17,3).
AUTÊNTICO
Ou “genuíno”, diz-se de um escrito que é realmente
do autor a quem se atribui, ou de um texto traduzido enquanto é fiel
ao original. O fato de um livro da Bíblia ser falsamente atribuído
a algum determinado personagem bíblico não lhe tira a autoridade
de escrito inspirado e canônico.
AUTORIDADE
Os israelitas conheceram apenas uma única forma de estado nacional :
a monarquia. Na Bíblia havia uma corrente hostil à monarquia (1Sm
8,1-22; 10,18-27; Dt 17,14-20; Os 7,3-7; 13,9-11; Ez 34,1-10); e outra favorável
(1Sm 9,1-10.16; 11,1-11.15; Sl 2; 20; 21).
Antes da monarquia havia juízes, salvadores das tribos em momentos críticos,
chamados por isso “maiores”(Jz 3,9-10.15; 4,7; 8,22-23); ao lado
deles havia os “juízes menores”, ou governantes que se encarregavam
de administrar a justiça (Jz 10,1-5; 12,8-15). Depois dela, após
o exílio, são as autoridades locais, tradicionais (Esd 5,9; 6,7;
7,1-26; Lc 22,66–23,1). Entretanto, Deus é o único e o verdadeiro
rei das nações (Ex 15,8; Jz 8,23; 1Rs 22,19; Is 6,5; 41,21; 43,15;
1Cr 17,14). Ele é também o dono de todas as nações
(Is 14,21–23,18; 45,1-6; Pr 8,15-16; Eclo 10,1-4).
Os profetas criticam os abusos das autoridades civis e religiosas (Mq 3,1-4;
Am 6,1-4; Os 4,1-5.14; 7,1-7; 13,10s; Is 3,1-15; 10,1-4; Ez 34), como Jesus
o fará em relação aos escribas e fariseus (Mt 23). Anunciam
o reino de Deus (Is 7,14; 9,5-6; 11,1-5; Jr 23,5; Mq 5,1; Zc 9,9-10; cf. Sl
47; 93; 96–99; Dn 10,13.20-21).
Jesus escolhe o caminho do Servo Sofredor e recusa a realeza temporal (Mt 4,8-11;
Jo 6,14-15; At 1,6) Sua realeza não é deste mundo (Mt 21,1-9;
Lc 17,20-21; Jo 12,12-19.31-32; 18,36-37; Ef 1,9-10.15-23).
Na Igreja, a autoridade está a serviço do próximo (Mc 9,33-35;
Mt 23,11-12; Jo 13,12-17; Ef 4,11s).
ÁZIMOS
São pães sem fermento que se comiam na semana da Páscoa.
A festa dos Ázimos celebrava-se no princípio da colheita da cevada
e do trigo (cf. Ex 12,15-20; Lv 23,5-8 e notas). Ver “Festa”.
BAAL
Termo hebraico que significa “senhor”. É o nome do deus mais
importante e mais popular da Síria, Fenícia e Canaã. Este
deus era considerado o senhor do céu e, consequentemente, o deus da chuva,
da vegetação e da fertilidade em geral. Seu culto sempre atraiu
os israelitas (1Rs 16,31-33; 18,20s), apesar de combatido pelos profetas (Jr
2,23; 11,13; Ez 6,4-6; Os 13,1-6). Baal é também o nome genérico
das divindades de Canaã (cf. Jz 2,11 ).
BABEL
heb. Porta de Deus.
Primeira cidade mencionada depois do dilúvio, edificada na planície
de Sinear, Gn.11:2-9;
Tencionavam construir uma torre altíssima, e estabelecer nela o centro
do império do mundo Gn.11:4;
O castigo divino foi a confusão de línguas e o fracasso da obra,
Gn.11:7-8;
Apesar de o povo ter sido disperso sobre a terra, existiu ali uma grande comunidade.
ver Babilônia.
BABILÔNIA
Ou “Babel”, é a capital da Babilônia. Babel significa
“porta de Deus”. Mas a etimologia popular da narrativa da torre
de Babel (cf. Gn 11,1-9 e nota) deturpou o sentido para “confusão”.
Para a Babilônia foram deportados os judeus ao ser destruída Jerusalém
em 587 aC (2Rs 25). Na literatura apocalíptica, Babilônia-Jerusalém
se contrapõem como Anticristo-Cristo (Gn 11,2-9 e At 2,5-12). Babilônia
é a cidade da técnica, Jerusalém da graça; Babilônia
é a prostituta, Jerusalém, a esposa (Ap 17,1-5; 19,2; 21,2). Esta
Babilônia, nome simbólico de qualquer nação hostil
a Deus, está constantemente em luta com a Igreja (Ap 17,18; 1Pd 5,13).
BALAÃO
Profeta pagão, muito famoso na Transjordânia (cf. Nm 22,5 ), contratado
pelo rei de Moab para amaldiçoar os israelitas, prestes a conquistar
Canaã (Nm 22-24). A narrativa popular mostra como Deus se serviu de uma
mula para levar Balaão a abençoar Israel.
BARNABÉ
Apelido, que significa “filho da consolação”(At 4,36),
dado a José, um levita de Chipre, convertido ao cristianismo. Era um
modelo de generosidade e vivia em Jerusalém. Foi ele quem acolheu Saulo,
recém-convertido, e serviu de intermediário entre Saulo e os apóstolos
(9,27). Foi companheiro de apostolado de Paulo até o concílio
dos apóstolos (11,22-30; 13–14; 15,2-30; Gl 2,1.9). A partir da
segunda viagem separou-se de Paulo (At 15,36-39), com quem voltou a colaborar
mais tarde (1Cor 9,6).
BARTOLOMEU
Nome de um dos doze apóstolos (Mt 10,3; At 1,13). Provavelmente deve
ser identificado com Natanael (Jo 1,45).
BATISMO
Banhos sacros de purificação de impurezas morais ou rituais, ou
para conceder forças vitais, eram conhecidos por vários povos
antigos. Na religião israelita a imersão na água era usada
para a purificação da lepra curada (Lv 14,8), para tirar a impureza
sexual (15,16-18) ou resultante do contato com um cadáver (Nm 19,19).
Tal rito purificatório, aplicado aos prosélitos, tornou-se uma
espécie de rito de iniciação do judaísmo, quase
tão importante como a circuncisão. Semelhante ao batismo dos prosélitos
é o batismo administrado por João Batista. Mas sua característica
é o forte apelo à conversão moral, que prepara a vinda
do Reino de Deus (Mc 1,4). João Batista batiza apenas em água,
sem o espírito. Por isso seu batismo é imperfeito (Mt 3,11; At
1,4s), o mesmo acontecendo com o batismo que os Doze administravam, antes do
dom do Espírito (Jo 4,1-2; 7,37-39).
O batismo cristão é considerado superior ao de João porque
não é feito apenas com água, mas com o Espírito
Santo (Mt 3,11; Jo 1,33; At 1,5; 11,16). A associação água-espírito
já aparece nos profetas (Ez 36,25-26; Jl 3,1-2; Is 32,15-18; 55,1-10),
e se verifica no Batismo de Jesus, que constitui a sua investidura messiânica
(Mt 3,13-16; Jo 1,29-34).
Batismo e fé: Para salvar-se é preciso ter fé (Jo 3,36;
Rm 10,9-11; Mc 16,16) e ser batizado (Rm 6,3-7; Tt 3,4-5; Jo 3,5; 4,2-30). Por
isso se batizavam até os mortos (1Cor 15,29). Daqui o trinômio:
Pregação, Fé, Batismo (Hb 6,1-2; 10,22; Mt 28,19).
Batismo e Igreja: o batismo incorpora à Igreja (1Cor 12,12-13; 10,1-2);
é o sacramento das bodas de Cristo com a Igreja (Ef 5,25-27); é
um revestimento de Cristo (Gl 3,27); é um sepultar-se com ele (Rm 6,1-11;
Cl 2,11-13); perdoa os pecados, concede o dom do Espírito e a participação
na Ressurreição de Cristo (At 2,38; Cl 2,2; Rm 6,3-11; 1Pd 3,21).
Ver “Ablução”, “Penitência”.
BEM-AVENTURANÇAS
As bem-aventuranças são um tema da literatura sapiencial. São
a ciência da felicidade. Bem-aventuranças aplicadas à felicidade
humana (Sl 127; 128; Eclo 25,8-11; 26,1-4).
Israel é feliz por ter a Deus como o rei (Sl 33,12-17; 144,15; Br 4,4;
Dt 33,29). O rei era considerado fonte de felicidade para os seus vassalos (1Rs
10,8).
A observância da Lei torna o homem feliz (Sl 1; 119,1-2; 106,3; Is 56,2;
Pr 29,18). O mesmo sucede com a meditação da sabedoria (Pr 3,13;
8,32-33; Eclo 14,2); ou com o temor de Deus (Sl 119,1-2; 128,1; Eclo 25,8-11);
ou com a confiança nele (Sl 2,12; 34,9; 84,13; Pr 16,20).
Partindo da experiência de que nem o justo é, às vezes,
feliz neste mundo, os profetas proclamam a bem-aventurança dos que virem
os últimos tempos (Dn 12,12; Is 32,20; Eclo 48,11; Tb 13,14-16; Ml 3,12-15).
No NT, muitas bem-aventuranças declaram que a felicidade está
à porta, pois chegaram os últimos tempos (Mt 13,16; Lc 1,45; 11,27-28;
Jo 20,29). Neste sentido Jesus proclamou as bem-aventuranças: O Reino
traz a felicidade aos cegos, aos que choram, etc. Lc 6,20-26 deu-lhes uma feição
social (cf. Lc 4,18-19; 14,13s; 1Pd 3,14; 4,14) e Mateus, uma dimensão
moral, a justificação (Mt 5,3-11).
As bem-aventuranças do Apocalipse conservam a sua característica
escatológica (Ap 14,13; 16,15; 19,9; 20,6; 22,7.14).
BELZEBU
Significa “senhor do esterco”, isto é, dos sacrifícios
oferecidos aos ídolos. É o nome do deus cananeu, chamado no AT
Baal-Zebub ("senhor das moscas"), divindade da cidade filistéia
de Acaron. No NT “Belzebu” era o nome que os fariseus davam ao príncipe
dos demônios (Mc 3,22; Mt 12,24s).
BÊNÇÃO
Pode ser entendida como louvor do homem que bendiz a Deus por suas obras ou
benefícios recebidos. Tal tipo de bênção (bendição)
é freqüente nos Salmos. Bênção é também
a ação de Deus em relação ao homem, enquanto objeto
de seus benefícios, como a vida, a fecundidade, a paz e o bem-estar em
geral (cf. Sl 131; 134). Na Bíblia a bênção pode
ser pronunciada pelo homem. Assim, os sacerdotes abençoam diariamente
os israelitas (cf. Nm 6,23-27 e nota); os patriarcas abençoam os filhos
antes de morrer (Gn 9,26s; 27,27-29; 49; Dt 33). O homem pode ser também
intermediário da bênção divina, como Abraão,
escolhido para nele ser abençoada toda a humanidade (Gn 12,1-3).
No Antigo Oriente as fórmulas de bênção ou de maldição
eram consideradas eficazes, no sentido de que realizavam o que diziam, sobretudo
quando escritas (cf. Nm 5,23). Por isso, os códigos de leis e tratados
de aliança eram concluídos com fórmulas de bênção
e maldição (cf. Lv 26; Dt 28 e notas). Sua finalidade era impedir
o desprezo das leis ou a violação dos tratados e promover a fiel
observância dos mesmos.
A vontade de Deus é que a bênção tome o lugar da
maldição (Ez 34,24-30; Zc 8,13; Is 44,3; 53,1-12). Isto se deu
em Jesus: fazendo-se por nós maldito, cobriu-nos de bênçãos
divinas (Gl 3,10-11; 1Pd 2,22-24; cf. Rm 8,3; 2Cor 5,21).
BERSABÉIA
O nome hebraico significa “poço dos sete” ou “poço
do juramento”. É uma antiga cidade cananéia do sul da Palestina,
onde se prestava culto ao Deus Eterno (Am 5,5; 8,14). O santuário foi
venerado por Abraão (Gn 21,21-23), Isaac (26,23-33) e Jacó (46,1-4).
Ali os filhos de Samuel foram juízes (1Sm 8,2). Bersabéia marca
o extremo sul do limite de Israel (2Sm 3,10).
BETÂNIA
Subúrbio de Jerusalém, vizinho de Betfagé, na estrada romana
que na encosta do monte das Oliveiras descia pelo deserto até Jericó.
No vilarejo, existente até hoje ("túmulo de Lázaro"),
moravam Lázaro, Marta e Maria (Lc 10,38; Jo 11,1) e Simão o Leproso
(Mt 26,6); lá passou Jesus na entrada em Jerusalém (Mt 21,17;
Jo 12,1-8) e na Ascensão (Lc 24,50).
Uma outra Betânia, lugar de atividade de João Batista, ficava na
margem oriental do Jordão (Jo 1,28); sua localização é
discutida: ou no sul do vale do rio Jordão, na altura de Jericó,
ou no norte, na altura de Betsã.
BETEL
Em hebraico “casa de Deus”. Nome de um antigo santuário cananeu,
antes chamado Luza. Tornou-se famoso, pois ali Abraão prestou culto a
Deus (Gn 12,8; 13,3s) e Jacó teve a visão da escada que unia a
terra ao céu (Gn 28,10-22; 31,13; 35,1-16). O rei Jeroboão I,
após a divisão do reino de Salomão, mandou colocar em Betel
a estátua de um bezerro de ouro (1Rs 12,26-30). Por isso os profetas
passaram a chamar o lugar de Bet-Áven, “casa da iniqüidade”
ou da nulidade, isto é, dos ídolos (cf. Os 4,15).
BÍBLIA
. Nome dado ao conjunto dos livros inspirados do AT e do NT, originariamente
escritos em hebraico, aramaico e grego. O termo vem do grego tá Bíblia,
“os livros”. Estes livros são o patrimônio espiritual
do judaísmo e das igrejas cristãs.
A Bíblia foi escrita ao longo de mil anos, mas sua inspiração
é atestada só pelo final do I século, em 2Tm 3,16s e 2Pd
1,21. Mas bem cedo se recomendava sua leitura (Ex 24,7; Dt 17,19; Js 1,8; Is
34,16; Jo 5,39; At 8,28; Rm 15,4; 2Cor 1,13; Ef 3,3s). Sendo um livro inspirado,
deve ser lido com piedade e humildade (Eclo 32,15; Mt 11,15; 13,11; 1Cor 2,12-14;
2Tm 3,7.16). Sendo um livro antigo, escrito por um povo de cultura diferente
da nossa, que trata dos planos de Deus a respeito dos homens, a Bíblia
carece de interpretação (Sb 9,16-18; Mt 13,11; Mc 4,34; Lc 24,45;
At 8,30s; 1Cor 12,30; 2Pd 1,20; 3,15s. Sendo um livro assumido pela Igreja como
fonte de revelação, necessita também de sua interpretação
oficial (Ml 2,7; Mt 16,18; 28,19s; Lc 10,16; Jo 14,16.26; 16,13; 20,22s; Ef
2,20; 1Tm 3,13). Ver “Revelação” e “Como ler
a Bíblia com proveito”, Introdução Geral desta Bíblia.
BISPO
As Igrejas judeu-cristãs parece que eram governadas por um colégio
de presbíteros ou anciãos, ao estilo das sinagogas (At 11,29-30;
14,23; 15,2.4.6.22s; 20,17; 1Pd 5,1-4; Tg 5,14). Tiago, em Jerusalém,
aparece como o presbítero dum colégio de presbíteros ou
anciãos (At 12,17; 15,13; 21,18; Gl 1,18-19; 2,9.12).
Nas Igrejas de origem pagã, fundadas por Paulo, aparecem os episcopoi,
“epíscopos” ou “bispos”, palavra que significa
“vigilantes”, “inspetores”(At 20,28; comparar 1Tm 3,2
e Tt 1,7 com 1Tm 5,17 e Tt 1,5.7). Paulo ordenou alguns dos seus discípulos
como “inspetores apostólicos” (2Tm 1,6; Tt 1,5; 1Tm 4,14;
2Cor 8,15-24).
Existia a hierarquia constituída pela imposição das mãos
(1Tm 4,14; 2Tm 1,6-7) e a “pneumática”, sujeita aos apóstolos
(1Cor 12,4-11.28-29; 14,26-40).
Portanto, no séc. I, sob a dependência dos apóstolos, as
Igrejas tiveram diversas formas de governo. No séc. II, como no-lo testemunham
os documentos da Tradição, aparece o episcopado monárquico.
A doutrina católica sobre o episcopado foi recentemente exposta pelo
Concílio Vaticano II (LG, n. 18-19). Ver as notas de At 20,28 e 1Tm 3,2.
BITÍNIA
Região no noroeste da Ásia Menor, no litoral do mar Negro. Com
o Ponto formava uma província romana. Durante a segunda viagem missionária
Paulo e Timóteo pretendiam visitar esta região, mas foram impedidos
pelo Espírito (At 16,6-10).
BLASFÊMIA
É o ultraje dirigido a Deus, a própria pretensão de ocupar
o seu lugar, ou de falar em seu nome sem autorização (Dt 18,20-22).
Na Bíblia, é condenada a blasfêmia e o blasfemador considerado
digno de morte (Ex 20,7; Lv 24,13.22; Mt 27,39-44; Ap 13,6; 16,11). Pessoas
justas foram acusadas de blasfêmia para serem condenadas à morte:
Nabot, proprietário de um sítio cobiçado pelo rei Acab
(1Rs 21,1-16); Jesus Cristo (Mc 14,60-64); Estêvão, o primeiro
mártir cristão (At 7,54-60).
BOAS OBRAS
Exortação para praticá-las: Pr 21,3; Mq 6,8; Mt 3,10; 5,16;
7,17.21; Tg 2,14-22. Prêmio prometido: Pr 11,18; Eclo 35,13; Is 3,10;
Mt 6,6; 16,27; 20,8; 25,14-26; Rm 2,6s; 1Cor 3,8; 15,28; 2Cor 9,6; Ap 22,12.
São os “frutos do Espírito Santo”(Jo 15,1-6; Gl 5,5-25;
Rm 6,20-23; Mt 7,16-20), esperados por Cristo (Mc 11,12-25; Mt 21,18-19; Lc
13,6-9). Ver “Justiça”.
BODE EXPIATÓRIO
É o macho caprino que no Dia da Expiação levava simbolicamente
os pecados do povo para o deserto (Lv 16,7-20), onde segundo a crença
popular morava o espírito mau de Azazel (cf. Lv 11,8 e nota: Mt 12,43).
Ao lado da idéia da necessidade de sacrifícios para expiar pecados
aparece outra, na qual se dispensa o derramamento de sangue para perdoar pecados
(Ex 34,6-7; Ez 18,21-23; Mt 6,12-14s; Hb 7,26-27; 1Jo 1,9; Ap 21,22. Ver “Expiação”
e “Sacrifícios”.
CAIM
Ver “Abel”.
CÁLICE
Ver “Eucaristia”.
CALVÁRIO
Ver “Gólgota”.
CAMINHO
Além do seu sentido normal, o termo é usado em sentido metafórico
como vida do homem, sua conduta e seus hábitos. Indica também
o modo de agir de Deus para com o homem (“os caminhos de Deus”),
ou as normas que ele traçou para o agir humano, isto é, os mandamentos.
No NT a doutrina cristã é chamada “caminho”(At 9,2;
16,17; 19,23; 22,4; 24,14).
CANÁ
Cidade da Galiléia onde teve lugar o casamento ao qual foram convidados
Jesus e os apóstolos (Jo 2,2) e onde foi curado o filho do oficial da
corte (4,46). Era a terra natal de Natanael (21,2). Nas bodas de Caná,
Cristo se manifesta como o Esposo da Igreja, no terceiro dia após seu
batismo (Jo 2,1-11; Mt 22,1-14; Jo 3,29-30). A intercessão de Maria mostra
a sua participação no milagre, mas também a independência
de Cristo (Jo 2,3-5; Mc 3,20-35; Lc 11,27-28; 2,49).
A Hora de Jesus é a sua glorificação. Os milagres são
a antecipação desta glória. São sete os milagres,
“sinais”, manifestadores de diversos aspectos do Cristo joanino
(Jo 2,1-11; 4,46-50; 5,1-15; 6,1-15.16-21; 9,1-41; 11,33-44).
Jesus, a nova videira, muda em vinho a água das purificações
rituais, pois é o seu sangue e a sua palavra o que purifica os homens
(Jo 15,1-8; Mt 26,26-29; Is 5,1-4; 24,8-11; Mc 7,3-4; 1Jo 1,7; Ap 1,5; 7,14;
22,14).
CANANEU
Habitante de Canaã, terra prometida por Deus e conquistada pelos israelitas,
situada entre o vale do rio Jordão e a costa do Mediterrâneo. No
NT o termo aparece como nome de um partido político, chamado também
dos zelotes. O apóstolo Simão era membro deste partido (Mc 10,4-11).
CÂNON
Lista dos livros do AT e NT inspirados por Deus e, consequentemente, normativos
para a fé e vida moral dos fiéis. O cânon dos livros inspirados
formou-se definitivamente já na era apostólica. Mas houve dúvidas
sobre determinados livros do AT e do NT, sobretudo entre o II e o IV séculos,
devido à proliferação de livros apócrifos. Tais
livros são chamados deuterocanônicos, porque foram reconhecidos
como canônicos pela Igreja universal num segundo momento. Os deuterocanônicos
do NT são: Hebreus, 2Pedro, Judas, Tiago, 2-3João e Apocalipse;
os do AT são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e
1-2Macabeus. Estes últimos não constam nas Bíblias editadas
pelas Igrejas protestantes, que os consideram apócrifos. A Igreja Católica
pronunciou-se definitivamente sobre o cânon no Concílio de Trento
(1546).
CANÔNICO
Em sentido ativo, diz-se da Sagrada Escritura, enquanto é critério
de verdade, norma de fé e de costumes. Em sentido passivo é o
livro que está incluído no cânon ou lista oficial dos livros
reconhecidos pela Igreja como inspirados. Distinguem-se livros protocanônicos
sobre cuja inspiração houve desde o início consenso em
toda a Igreja, e livros deuterocanônicos, de cuja inspiração
em determinadas
igrejas locais duvidou-se durante algum tempo. Ver “Cânon”.
CARIDADE
Não deve ser confundida com o simples dar esmolas. No AT a caridade ao
próximo se restringia sobretudo ao povo israelita (cf. Lv 19,18; Eclo
12,1-17 e notas). Ver “Amor” e “Eucaristia”.
CARISMA
Termo grego que significa um dom gratuito. É um dom especial do Espírito,
dado ao cristão para o bem comum do próximo e a edificação
da Igreja (Rm 12,8; 1Cor 12,4-10; Ef 4,11-13). Paulo fala longamente na 1Cor
12–15 dos carismas, cuja importância foi muito grande para a difusão
do cristianismo. Menciona, entre outros, os dons da sabedoria, da cura, dos
milagres, da pregação e do ensino. O mais importante de todos
é a caridade.
CARMELO
. Nome de uma cidade ao sul de Judá (Js 15,55; 1Sm 25,7.40). Nome também
de uma serra de 20 km de comprimento, entre o mar Mediterrâneo e a planície
de Jezrael (1Rs 18,42-46). Ali residiam as primeiras comunidades de profetas
sob a direção de Elias e Eliseu (1Rs 18; 2Rs 2).
CARNE-ESPÍRITO
A antropologia bíblica não conhece a dicotomia grega: corpo-alma.
O homem é visto como uma unidade vivente. O termo “carne”
é usado simbolicamente para indicar muitas vezes a transitoriedade e
a fraqueza do ser humano, mortal e pecador (Gn 3,3; Jr 17,15; Jó 10,4;
Mt 26,40s; 2Cor 12,7-10; Is 40,3-8; Jo 17,2). O próprio Verbo de Deus
assumiu esta carne frágil e mortal (Jo 1,14; 1Tm 3,16).
Enquanto indica o ser humano na sua fragilidade, “carne” pode estar
em oposição ao espírito (Is 31,3; Sl 56,5; 2Cr 32,8). Neste
último sentido, nas epístolas de Paulo “carne” significa
o homem natural, sem a graça, na sua fraqueza e tendência ao mal
(Rm 9,6-13; Gl 6,12-15; Fl 3,2-5; Ef 2,11-13; Rm 8,12-15), em contraste com
o espírito, força que recebe o homem purificado pelo batismo (Rm
7,14-25; 13,11-14; Ef 2,1-6; Cl 2,13-23). O cristão é aquele que
não vive mais na “carne” mas no “espírito”(Rm
8,9). Por isso o cristão deve crucificar a carne com suas concupiscências
(Rm 8,5-13; Gl 5,22-25; Cl 1,24-29).
O espírito, alento vital, sopro ou vento, indica a ação
de Deus no ser humano (Gn 2,7; 6,17; 7,22; Rm 8,14-16; 1Cor 2,10-13; Gl 5,13-25;
6,8-10), opõe-se à carne, em sentido mais religioso que físico.
CASTIDADE
Ver “Virgindade”.
CATIVEIRO
Houve dois cativeiros ou exílios na história do povo eleito. Em
722 aC foi deportada para a Assíria a população do reino
do Norte, invadido e destruído pelos assírios (2Rs 17). Em 587
aC foi deportada para a Babilônia boa parte da população
do reino do Sul, quando Nabucodonosor destruiu Jerusalém (2Rs 25). Durante
o cativeiro da Babilônia os exilados foram confortados pelas palavras
do profeta Ezequiel e de um profeta anônimo (Is 40–55). Eles reavivaram
as esperanças de um retorno à pátria, o que aconteceu com
o edito de Ciro (538 aC), o rei dos persas, que conquistou a Babilônia
(Esd 1,1-4). A dura provação do exílio contribuiu para
uma profunda revisão das crenças e renovação espiritual
de Israel. O cativeiro da Babilônia é o símbolo do homem
decaído e libertado pela graça de Jesus Cristo (Hb 2,14s).
CELIBATO
É o estado de uma pessoa que se mantém solteira, aconselhado por
Cristo em vista do Reino de Deus (Mc 10,28-30; Lc 18,26-30; Mt 19,27-29; 22,30)
e pelo Apóstolo (1Cor 7,1.7.32-35.38-40); é possível viver
neste estado com a graça de Deus: Mt 19,26; Rm 8,11.13; 1Cor 10,13; 2Cor
12,7-9).
CÉSAR
Nome do famoso general, conquistador da Gália. Mais tarde tornou-se o
título usado pelos imperadores romanos (Mt 22,17-21; At 25,2-12).
CESARÉIA
Duas são as cidades com este nome na Palestina:
1. Cesaréia Marítima, construída por Herodes o Grande em
homenagem a César Augusto. Tornou-se a residência dos procuradores
romanos; ali morava também Cornélio (At 10,1) e o diácono
Filipe (21,8).
2. Cesaréia de Filipe, construída por Herodes Filipe nas cabeceiras
do rio Jordão. Perto desta cidade Pedro confessou que Jesus era o Messias
esperado e Jesus prometeu fazer dele o chefe da futura Igreja (Mt 16,13-20).
CÉU
O céu pode ser tomado em sentido cosmológico: os antigos o imaginavam
como firmamento sólido (Is 40,22; 44,24), apoiado sobre colunas (Jó
26,11). No firmamento há eclusas e por cima estão as águas
do Oceano primitivo (Gn 7,11; Sl 148,4-6).
O céu em sentido teológico é a morada de Deus, cujo trono
está acima do firmamento (Is 66,1; Ex 24,10s; Sl 104,3). Mas Deus não
está circunscrito à sua morada. Ele está presente em toda
a parte (1Rs 8,27). Por isso “céu” é a vida divina
repartida com os eleitos na eternidade. Esta realidade religiosa é expressa
com imagens: nova Jerusalém, novo templo, Sião reconstruída,
montanha santa, etc. (Is 4,2-6; 25,6-9; 60; Zc 2,14; Ez 37,26-28; Sl 48,2-4).
No NT céu substitui o próprio nome de Deus (Mt 5,16-20; 6,9; cf.
1Mc 3,18 e nota).
Nos céus está Cristo, nossa esperança (Ef 1,18-22; Cl 3,1-4;
Jo 14,1-3). Por isso o céu é nossa herança (Fl 3,17-21;
Cl 1,5.12; 1Pd 1,4; Lc 10,20; Mt 25,31-46). Quando a recebermos, viveremos de
Deus (1Jo 3,2; 2Cor 5,4-8; Ap 5,6-12; 7,2-12; 14,1-3; 21). Ver “Retribuição”.
CIRCUNCISÃO
Operação cirúrgica para remover o prepúcio, pele
que cobre a glande do membro viril. A prática de caráter mágico
de iniciação ao matrimônio, conhecida por muitos povos antigos,
existe ainda hoje em tribos primitivas da África, América e Austrália.
Os israelitas aprenderam a circuncisão dos egípcios. O uso da
circuncisão não é simples prática higiênica
(como a operação de fimose), mas um rito de puberdade que marca
o início da idade viril. Em Israel a circuncisão se fazia já
no oitavo dia do nascimento (Lc 1,59; 2,21); a partir do exílio, foi
considerada um sinal da aliança (Gn 17,3-14), um rito de inserção
no povo eleito (Ex 4,24-26; 1Mc 1,15 e notas).
Os profetas mostram ser mais importante do que a marca da carne a “circuncisão
do coração”(Dt 10,16; 30,6; Jr 4,4; 9,25), que consiste
na remoção dos obstáculos postos pelo homem em sua relação
com Deus (Rm 2,29; 4,3.9.22; Cl 2,11).
CIÚME
Em sentido humano, é o zelo do homem pelos seus direitos conjugais (Pr
27,4), que pode submeter a esposa ao processo do ordálio (cf. Nm 5,11-31
e notas). Pode significar também inveja ou rivalidade (11,26-29; Sl 37,1).
Em sentido religioso o termo indica o zelo pela causa de Deus (Nm 25) e, sobretudo,
o amor apaixonado, exigente e exclusivista de Deus. Deus não admite concorrentes
ao lado dele (Ex 20,5); propõe uma aliança exclusiva com seu povo
(34,12-16), exigindo amor total e exclusivo (Dt 6,5.13-15). Deus defende com
ciúme a honra de seu santo nome (Ez 36) e com zelo defende o seu povo
(Is 9,6; 63,15).
CLÁUDIO
Nome do imperador romano (41-54 dC) que sucedeu a seu primo Calígula.
O profeta Ágabo anunciou uma fome que devia vir para o mundo inteiro
sob seu governo (At 11,28). No ano 49 dC Cláudio decretou a expulsão
dos judeus de Roma, entre os quais estavam Áqüila e Priscila (18,2).
CLÉOFAS
Esposo da Maria que estava aos pés da cruz com a mãe de Jesus
(Jo 19,25). Ele teria sido irmão de José, esposo de Maria, Mãe
de Jesus; isto é, tio de Jesus. É distinto do outro Cléofas,
um dos discípulos de Emaús (Lc 24,8).
COBRADOR DE IMPOSTOS
Ver “Publicano”.
CÓDICE
Inicialmente os livros eram escritos à mão, em rolos, isto é,
em, tiras de papiro ou de pergaminho. Aos poucos surgiu uma nova técnica
de fazer livros: as folhas avulsas de um documento escrito eram dobradas, colocadas
uma sobre a outra e costuradas, dando origem ao “códice”.
Quatro folhas, cada uma dobrada ao meio, davam um caderno de oito folhas ou
dezesseis páginas. Tal técnica, já conhecida no séc.
II aC, tornou-se comum nos manuscritos cristãos. São famosos os
códices gregos da Bíblia, conhecidos pelos nomes Vaticano, Alexandrino
e Sinaítico. Ver “Manuscrito”.
COMÉRCIO
Profissão perigosa porque leva facilmente à apropriação
indébita dos frutos do trabalho alheio (Ez 26-28; Eclo 26,29; 27,1; Ap
18,15). Os abusos são denunciados e condenados (Dt 23,19; Pr 11,26; 20,10.23;
Ez 18,18; Am 2,6s; 5,11s; 8,5s). Como proceder: Lv 19,35s; 25,14; Dt 23,13-16;
Pr 11,1; 1Cor 7,30).
COMUNHÃO
Ver “Eucaristia”, “Participação”.
CONFESSAR
Significa professar a fé em Cristo (Rm 10,9; Fl 2,11), louvar a Deus
pelas suas maravilhas (Lc 1,46-54.68-79; Mt 11,25-27), ou reconhecer os próprios
pecados (Lv 5,5; Nm 5,7; 1Jo 1,9).
Quer nos sacrifícios da Antiga Lei, quer no batismo de João, as
pessoas confessavam-se pecadoras (Lv 4; 23,26-32; Mt 3,6; Mc 1,4-5; Lc 3,3-14).
Cristo, com efeito, veio para os que se confessam pecadores (Mt 9,13; 11,19;
1Tm 1,5). Os evangelistas contam-nos algumas destas confissões (Lc 5,8;
7,36-50; 19,1-10; Jo 4,5-42; Lc 15,11-32; 18,9-14). Os apóstolos falam
da confissão dos pecados (1Jo 1,9-10; At 19,18; Jo 20,23; Mt 18,18; Tg
5,16).
CONFIRMAÇÃO
João Batista anunciava um batismo no Espírito e no fogo (Lc 3,16).
O evangelista João fala dum renascimento da água e do Espírito
(Jo 3,5; cf. 1Jo 2,20.27). O próprio Jesus anunciou um outro “Paráclito”
(Jo 14,16.26; 15,26; 16,7-15; At 1,4-8).
No Pentecostes a ligação Espírito-fogo é evidente,
bem como o tema da reunião frente à dispersão babilônica
(At 2,1-13; 4,31-33; Gn 11,1-9).
Para os primeiros cristãos Batismo e Espírito estavam unidos (At
8,14-17; 19,1-7; 10,44-47; 9,17-18). Batizados e confirmados recebemos em nós
o “selo”, a assinatura do Espírito Santo, como os hebreus
a recebiam na carne pela circuncisão (Rm 4,11; Ez 9,4-7; Ap 9,4; Fl 3,3;
2Cor 1,14-22; Ef 1,13-14; 4,30; 1Jo 2,20-27).
CONSAGRAR
Retirar um objeto ou uma pessoa do uso profano, para transferi-los de modo permanente
ao domínio de Deus (Ex 13,1; 30,29). Ver “Anátema”.
CONSCIÊNCIA
Esta realidade, sobretudo no AT, existe sob o nome de coração
e rins. Estes últimos englobam o mundo passional do inconsciente. Deus
é aquele que penetra e julga os rins e o coração (Sl 7,9-13;
16,7-9; 139; Jr 11,19-20; 12,1-3; 17,9-11; 1Rs 8,37-40; 1Jo 3,19-21; 1Sm 16,6-11;
Jó 27,1-7). Afasta os corações endurecidos (Is 6,9-10;
At 7,51-54; Jo 12,37-43).
A consciência arrependida é um coração despedaçado
(Jl 2,12-17; Sl 51,18-19; 2Cr 6,36-39; 15,11-14). É preciso circuncidar
o coração, evitando o formalismo (Jr 4,1-4; 9,24-25; Dt 10,15-17;
Rm 2,25-29).
Deus dá um coração novo, isto é, uma nova consciência
(Jr 31,31-34; 32,37-41; Ez 11,17-21; 36,23-28). Daqui a expressão “amar
a Deus com todo o coração”(Dt 6,4-6; 10,12-13; 13,4-5; 30,1-6;
Mt 22,34-37). Assim a moral do NT é uma moral interior, do “coração
puro”(Sl 64,10-11; Mt 5,8.28; 6,1-6; 1Pd 1,21-23; Hb 9,13-14; 10,19-23;
1Cor 4,3-5; 2Cor 1,12-14; Rm 2,12-16; 13,5; 14,10-23).
CONVERSÃO
É a mudança moral, pela qual o homem renuncia à sua conduta
anterior, volta-se para Deus e cumpre a sua vontade. Na pregação
dos profetas conversão é abandonar o serviço dos ídolos,
que leva a descuidar do serviço de Deus e da observância de seus
preceitos (Jr 7; cf. 1Ts 1,9). Esta conversão, porém, não
é obra humana, mas fruto da intervenção de Deus na vida
moral do homem (Jr 24,7; 31,31-34; Ez 11,18-21; Os 14,2-10).
Tanto João Batista como Jesus começaram sua pregação
exortando à conversão, em vista da proximidade do Reino de Deus
(Mt 3,2; 4,17; Mc 1,15). Depois de Pentecostes os apóstolos convidam
seus ouvintes à conversão para serem batizados (At 2,38; 20,21).
Ver “Confissão” e “Penitência”.
CORAÇÃO
Além de órgão humano ou animal, o coração
é visto como sede do homem interior (1Pd 3,4), conhecido por Deus (1Sm
16,7). É a sede da vida intelectiva, dos pensamentos (Dn 2,30), da fé
e da dúvida (Mc 11,23; Rm 10,8s), enfim dos sentimentos e das paixões
em geral (Dt 15,10; 20,3; 28,47; Rm 1,24). O coração é
ainda a sede da vontade, da vida moral e religiosa (Lc 21,14; 2Cor 9,7; Gl 4,6).
Por isso o coração representa o homem todo (Jl 2,13). Ver “endurecimento
do coração” em Ex 7,3 e nota.
CORDEIRO DE DEUS
Ver “Cristo”.
CORPO MÍSTICO
A Santa Ceia inspirou Paulo a fazer da expressão “ Corpo de Cristo”
o centro e a característica da caridade (1Cor 11,17-34; 10,16-17). Era
um lugar comum tomar o corpo humano como tipo de solidariedade (1Cor 12,14.18.25.27;
Rm 12,4-8; Cl 3,15). É o fundamento da castidade cristã (1Cor
6,13-17).
O Corpo místico é identificado com a Igreja, a reunião
dos crentes; Cristo é a cabeça desta reunião. O Espírito
Santo, a alma (Ef 1,22-23; Cl 1,18.19.24; 2,18-19; Ef 4,15-16).
CORREÇÃO FRATERNA
Se teu irmão se porta mal, repreende-o (Lc 17,3), mas antes olha para
ti mesmo (Mt 7,1-5) e faze-o sempre com bondade (Eclo 19,17; Mt 18,15-17; Lc
23,40; 1Cor 4,14; Gl 2,11; 6,1; 1Ts 5,14; 1Tm 5,1-2; Tg 5,19-20). Devemos aceitar
a correção com humildade (Sl 141,5; Pr 12,1; Eclo 21,6; Mt 18,15-17).
CRIAÇÃO
O tema constitui uma das noções básicas da fé de
Israel. A Bíblia projeta na contemplação da criação
a experiência da Aliança e da sua vivência religiosa. Assim,
o autor inspirado conforme seja um narrador ou um poeta, um sábio, um
sacerdote, um cantor, admirará na criação ora a onipotência
divina, ora a sua sabedoria, ora o seu governo real, ora a sua manifestação.
A mais antiga narração da criação é do séc.
X aC. Numa linguagem popular, atribui a Deus a criação do ser
humano e pretende responder a vários “porquês”: da
vida a dois, do trabalho, da dor (Gn 2,4-25). Um poeta admira a onipotência
de Deus na criação (Jó 38,1–40,5; 26,5-14; Sl 89,10-13).
Louva a Deus com entusiasmo pela grandeza de seu poder criador (Sl 8; 19,3-7;
104), pois ele criou todas as coisas do nada (cf. 2Mc 7,28 e nota). Louva a
Deus pela sabedoria da criação (Is 40,12-17; Pr 8,22-35; Eclo
43,33; Sl 19,1-3).
Deus é o criador do mundo (Jr 27,5; 31,35) e da história (Is 22,11;
37,26). Na literatura pós-exílica as afirmações
sobre o poder criador de Deus são mais freqüentes. Ele cria o universo
pela sua palavra (Sl 33,6-9; 148,5; Is 40–55) e renova a criação,
realizando a salvação prometida (Is 41,20; 45,8; 48,7) e transformando
o coração do homem arrependido (Sl 51).
No NT sabemos que tudo foi criado em Cristo e por Cristo (1Cor 8,6; Cl 1,16;
Hb 1,2), e que a sua obra redentora é uma nova criação
(Rm 8,18-22; 1Cor 15,45-48; 2Cor 5,17; Ef 4,24; Tg 1,18; 2Pd 3,13; Ap 21,1-5;
cf. Is 65,17-18).
CRISMA
Ver “Confirmação”.
CRISTÃO
O nome vem de Cristo, o Ungido. Deve ter sido dado pelos magistrados romanos
aos seguidores de Jesus Cristo. Esta denominação foi dada aos
discípulos de Jesus pela primeira vez em Antioquia da Síria (At
11,26; cf. 26,28; 1Pd 4,16).
CRISTO
O termo de origem grega significa “ungido” e traduz o termo hebraico
“messias”. Os sumos sacerdotes (Lv 4,3-16; 6,15) e os reis de Israel
(1Sm 12,3-5; 24,7.11) eram chamados “ungidos”. Os discípulos
de Jesus deram-lhe o nome de “Cristo”(Ungido), reconhecendo-o como
o messias prometido (Jo 1,41; 4,25; Mt 16,16).
Em alguns textos Jesus é diretamente chamado “Deus” devido
ao monoteísmo hebraico (Jo 1,1; 20,28). Cristo exprime sua divindade
com a expressão “Eu sou” (Jo 8,24.28.58; 13,19; cf. Ex 3,14;
Is 43,10-13).
É o Filho de Deus: O povo de Israel (Ex 4,22; Os 11,1; Is 1,2; 30,1;
Jr 3,22; Is 63,16); o rei e certos chefes (2Sm 7,14; Sl 2,7); os anjos e os
justos (Sb 5,1-5; 2,13-18; Jó 1,6) são chamados também
filhos de Deus. Jesus recebe este título no batismo (Mc 1,11) e na fidelidade
à sua missão (Mc 9,7; 15,39).
Cristo é a fonte de água viva (1Cor 10,1-11; Jo 2,1-11; Ap 21,6;
Jo 19,34-37; 7,37-39; Ap 22,1-2) e a Luz dos povos (Lc 1,78s; Jo 1,4-13; 8,12;
9,1s; 12,46-47; At 13,46-47; 26,22s; 1Ts 5,2-7; Ap 21,22-27; 22,16; cf. Is 9,1-6;
42,6-9; 60,1-9).
Cristo é o “Senhor”(Kyrios), título que proclama a
divina soberania de Jesus (1Cor 8,5-6; At 10,36; Rm 10,2; 14,7-10; Fl 2,10-11;
Jo 20,24-28; 21,7.15-17). Por isso o temor de Javé (Senhor, nesta Bíblia)
passa a ser temor do “Senhor”(At 9,31; 2Cor 5,11; Ef 5,21). A “glória”
de Javé transforma-se na glória do “Senhor”(Jo 1,14;
2,11; 1Cor 2,8; 2Tm 4,18; 1Tm 3,16; Fl 2,9-11). O dia de Javé –anunciado
pelos profetas –passa a ser o “Dia do Senhor”(At 2,20; 17,3;
1Cor 1,8; Fl 1,6-10).
Cristo é o bom Pastor (1Sm 16,10-16; 17,33-37; Ez 34; Mt 25,31-33; Ap
12,5; 19,15; 1Pd 5,4; Jo 10,1-18; Lc 15,1-7); o juiz misericordioso (Lc 7,37;
9,10; 19,5; Jo 8,3; 10,11) e justo (Mt 24,30s; Jo 5,22; At 10,42; 17,31; Rm
2,16).
É a imagem visível do Deus invisível, o novo Adão,
a divina Sabedoria (Sb 7,6); é a imagem da “glória”
ou resplendor de Deus (2Cor 4,1-6; Cl 1,15); batizados em Cristo, também
somos suas imagens (2Cor 3,18; Cl 3,1-11; Rm 8,29; 1Cor 15,49).
Cristo é o Servo do Senhor (Lc 22,20.37; Jo 13,1-15; At 8,30-35; 1Pd
2,21-25; cf. Is 52,13–53,12); manso como um cordeiro, sofre pelos pecados
do seu povo (cf. Jo 1,29.36; 1Pd 1,19; Ap 5,6; 8,12).
É o Salvador do mundo (Is 62,11; Zc 9,9; At 5,31; Fl 3,20; Lc 19,10;
1Jo 4,10), a luz do mundo (Mt 4,16; Lc 2,30-32; Jo 8,12; 1Jo 1,5). É
aquele que nos remiu do erro e da ignorância (Lc 1,79; Jo 1,9; 3,19; 8,12;
12,46), do pecado e conseqüências (Jo 8,51; Rm 3,24s; 4,25; 5,6-9;
Cl 1,14; 1Pd 1,18s; 2,24; 1Jo 1,7; Ap 1,5; 5,9). Ver “Palavra”.
CRUZ
Instrumento romano de tortura, reservado para escravos e criminosos. Para os
judeus o supliciado na cruz era considerado maldito (Dt 21,23; Gl 3,13). Mas,
depois que Jesus foi supliciado na cruz, esta se tornou o símbolo religioso
do seguimento humilde e abnegado de Cristo. Seguir a Jesus e tomar a própria
cruz são elementos inseparáveis da vida cristã (Mt 10,38;
16,24; Lc 9,23.57-62; Gl 5,24).
Tomar a própria cruz se concretiza no martírio e na ascese (Fl
3,17-18; Gl 5,24; Ap 11,8; Mt 23,34; Gl 2,19-20; Jo 3,14-15). Escândalo
para os judeus (Gl 5,1) e loucura para os pagãos (1Cor 1,18-23), a cruz
é um resumo de todo o Evangelho (Gl 6,12-14). Por meio dela nos veio
a redenção (At 5,30s; Gl 3,13). Carregando a própria cruz,
o homem participa dessa redenção (Ef 2,14-16; Cl 1,20; 2,14),
pois crucificado com Cristo pelo batismo obtém a vida pela fé
(Gl 2,19; Rm 6,6).
CULTO
O NT representa um esforço de espiritualização do culto.
Em vez do Templo de pedra, Cristo e os cristãos são templos de
Deus (Jo 2,13-22; 4,23-24; Mc 14,58; 15,29-30; 1Cor 6,19; Ap 21,22; 1Cor 3,16;
2Cor 6,16.
Quanto ao culto das imagens, ver “Cristo, imagem visível do Deus
invisível.” Depois de Cristo é o homem, a imagem de Deus
(Gn 1,26-27; 1Cor 11,7).
Espiritualizar o culto é centrá-lo na caridade e na verdade (Mt
9,13; Lc 11,41-42; Tg 1,26-27; Rm 12,1-13; Fl 2,17; 4,18).
A princípio, os cristãos observavam o sábado, como também
subiam ao Templo (At 2,46; 3,1; 5,20-25). Mas depressa se impôs o Domingo,
dia da Ressurreição (At 20,7; 1Cor 16,2; Mc 16,1; Mt 28,1; Lc
24,1; Jo 20,1; Cl 2,16; Ap 1,10). Por isso, não devemos manter as festas
da Antiga Aliança (Cl 2,16.20; Gl 4,3.10).
A liturgia cristã toma elementos sinagogais: leituras, cantos e hinos
(Cl 3,16; Ef 5,14-19; 1Tm 3,16; Ap 4,8; 15,3-4). Mas a “fração
do pão” toma o lugar central (At 20,7.11; 1Cor 10,16; 11,20.25).
Além da “fração do pão” ou eucaristia,
aparece o batismo por imersão, proclamação da Ressurreição
(Ef 2,15; 5,26; Tt 3,5-7; Rm 6,3-8; 8,11; 1Cor 12,13).Ligado com a Ressurreição,
está o rito da remissão dos pecados (Mt 18,18; Jo 20,22-23; Lc
24,47; Tg 5,16).
Era também freqüente o gesto sagrado da imposição
das mãos (1Tm 4,14; Mt 19,15; 2Tm 1,6; At 6,6; 8,17s; 13,3). Ver “Sábado”.
DÃ
Nome de um dos filhos de Jacó, nascido de Bala, escrava de Raquel (Gn
30,3-6), antepassado da tribo dos danitas. A tribo ocupava inicialmente a região
entre Saraá e Estaol (Js 19,40-48; Jz 1,34; 13,2) a 25 km a oeste de
Jerusalém. Mas teve de emigrar para o norte, perto das cabeceiras do
rio Jordão (Jz 18). O santuário popular da tribo (18,31) acabou
se tornando um santuário nacional, quando Jeroboão mandou instalar
ali uma estátua idolátrica do bezerro de ouro (1Rs 12,28).
DAMASCO
Capital da Síria, destruída em 732 aC (2Rs 16,9). Desde Davi,
ao longo do período monárquico, esteve freqüentemente relacionada
com Israel, sobretudo no tempo dos profetas Elias, Eliseu (1Rs 20; 22; 2Rs 6–8)
e Isaías (Is 7,1-9; 17,1-3). Desde a época persa vivia ali uma
numerosa população judaica. Damasco foi o palco da conversão
de Paulo (At 9,1-27; 2Cor 11,32s; Gl 1,17).
DECÁLOGO
Nome dado às “dez palavras sagradas” escritas por ordem de
Deus (Ex 34,28) em duas tábuas de pedra. Elas continham as obrigações
básicas da aliança, de caráter sobretudo moral (Ex 20,1-17;
Dt 5,6-21).
DECÁPOLE
Território das dez cidades da Transjordânia de população
quase exclusivamente pagã, anexadas por Janeu ao reino israelita, mas
desde 63 aC tornadas independentes da província romana da Síria:
Damasco, Filadélfia, Ráfana, Citópolis, Gádara,
Hipos, Dion, Péla, Gérasa e Cânata. Durante a vida pública,
Jesus várias vezes atravessou o território da Decápole
(Mc 5,20; 7,31).
DEMÔNIO
Ao lado dos anjos bons, o judaísmo reconhece a existência de espíritos
maus, ou anjos maus, que causam mal aos homens. Têm vários nomes,
como o “Tentador”(Mt 4,3), o “Diabo” (Mt 4,1; 13,39;
Jo 6,70; At 10,38; 2Tm 2,26; Ap 2,10). Eles estão subordinados a Satanás,
o grande adversário de Deus (Mt 25,41; 2Cor 12,7; Ef 2,2; Ap 12,7).
Jesus expulsa muitos demônios ou “espíritos impuros”,
ainda que talvez se trate de doenças, então popularmente atribuídas
aos demônios (Mt 9,34; 10,8; 11,18; 12,24).
Os demônios são uma ameaça à vida religiosa dos fiéis
(1Pd 5,8s; 1Jo 4,1; 1Tm 4,1). Mas o cristão, pela sua fé em Cristo,
já venceu o diabo e os seus anjos (Ef 4,27; 6,11-18; Tg 4,7; Jd 6).
O NT, portanto, concebe o mundo dominado por forças maléficas
(demônios), cujo chefe é Satanás e que Cristo veio vencer.
Frente ao Reino de Cristo e os seus santos está o Reino de Satanás
e dos seus sequazes. Ver “Satã”.
DEPORTAÇÃO
É a remoção forçada de povos vencidos, de seus países
para outros territórios, praticada pelos assírios e babilônios.
A finalidade prática era enfraquecer o inimigo e, eventualmente, colonizar
territórios próprios. As vítimas da deportação
estão em desterro ou exílio. Israel foi submetido várias
vezes a deportações. Os assírios puseram fim ao reino do
Norte, deportando a população de Israel em 734 aC (2Rs 15,29;
Tb 1,2) e depois da queda de Samaria, em 722 aC (2Rs 17,6; 18,11). Em 597 e
587 aC os babilônios desterraram os habitantes de Judá para a Babilônia
(2Rs 24,8-17; 25,7-12; Ez 3,15).
A deportação, embora não resultasse em prisão, causava
grandes sofrimentos. Os exilados eram arrancados de sua terra natal e de suas
propriedades e tinham dificuldade em praticar sua religião. A situação
dos exilados os colocava entre o escravo e o cidadão; podiam adquirir
propriedades, exercer profissões, mas sem gozar dos direitos de cidadãos
livres.
Sob o ponto de vista religioso o exílio é considerado como punição
pela idolatria e infidelidade a Deus, um tempo de purificação
e expiação (Ez 11,14-21; 20,32-44). Mas foi também um tempo
de renovação da esperança, tornando-se um símbolo
da conversão, ou volta a Deus (cf. Ez 33-48; Is 40-55). Ver “Cativeiro”.
DESCIDA DE CRISTO AOS INFERNOS
Ver “Inferno”, “Abismo”, “Geena” e “Xeol”.
DESERTO
Os desertos na Palestina não são de areia, mas sim de montanhas
calcárias, onde a vegetação não cresce mais por
falta de chuva. O deserto da Judéia é uma estreita faixa situada
entre a parte mais alta das montanhas e o vale do rio Jordão, e a depressão
do mar Morto. O deserto do Negueb, ao sul de Judá, constitui o limite
extremo-sul habitável da Terra Prometida.
A experiência da aliança com Deus no deserto do Sinai deixou profunda
marca na alma israelita (Ex 19). Ali Israel foi provado por Deus; sentiu fome
e sede, mas Deus o alimentou com maná (Ex 16) e o dessedentou com água
tirada do rochedo (17,1-7). Na solidão do deserto aprendeu a seguir a
Deus com fidelidade (Jr 2,2). Por isso, o deserto na Bíblia é
tanto símbolo da provação, como da renovação
espiritual (Os 2,16s; 1Rs 19,1-8; Ez 20,34-37).
João Batista preparou-se para sua missão e começou a pregar
o batismo de conversão no deserto (Mt 3,1-3; Mc 1,4; Lc 1,80). Após
o batismo no Jordão, Jesus retirou-se durante 40 dias para o deserto,
onde foi tentado pelo demônio e preparou-se para pregar o Reino de Deus
(Mt 4,1). Ver “Negueb” e “Sinai”.
DEUTEROCANÔNICO
Ver “Canônico”.
DIA DA EXPIAÇÃO
Ver as notas em Lv 16,1-34 e At 27,9; ver também “ Expiação”,
“Bode Expiatório”.
DIA DO SENHOR
É o dia em que Deus vem para julgar. Este dia em geral é visto
como um dia de punição para os pagãos, para os inimigos
de Deus e de seu povo, e de salvação para Israel (cf. Is 13; Ez
7,1-27 e nota; Jl 4,9-14). Mais tarde os profetas anunciaram o dia do Senhor
como punição também para Israel, para quem a eleição
divina não é uma garantia incondicional (cf. Am 3,1s; 5,18 e nota).
Segundo o NT este dia vai coincidir com o da vinda gloriosa de Cristo, para
o qual se volta toda a esperança cristã (1Cor 1,8; 1Ts 5,2-4).
No NT, o primeiro dia da semana, por ser o dia da Ressurreição
do Senhor Jesus Cristo, foi chamado “Dia do Senhor”(Ap 1,10). Ver
“Parusia”, “Culto” e “Sábado”.
DIÁCONO
O termo significa “assistente”, alguém que serve à
mesa (Jo 2,5.9). Foram chamados “diáconos” os cristãos
escolhidos pelos apóstolos para servirem aos pobres da Igreja de Jerusalém
(At 6,1-7). Mas estes diáconos logo começaram a dedicar-se também
à pregação do Evangelho (6,8–7,53; 8,5-13). Eles
são os auxiliares dos “epíscopos"(cf. At 20,28 e nota)
na direção das jovens comunidades cristãs (Fl 1,1; 1Tm
3,8-13). Ver “Anciãos”, “Bispo” e “Culto”.
DIÁSPORA
Ou “dispersão”, é o termo aplicado aos judeus espalhados
pelo mundo pagão do Império Romano (Jo 7,35). Na era apostólica
a população do Império Romano era de aproximadamente 55
milhões, dos quais 4,5 milhões (8%) eram judeus da diáspora.
DILÚVIO
A narrativa de Gn 6,5–9,19 descreve uma inundação catastrófica,
chamada dilúvio, do qual salvaram-se apenas Noé, sua família
e os animais que o acompanhavam na arca. Muitos povos antigos falam de extraordinárias
inundações que em épocas muito remotas destruíram
a terra. As narrativas mais próximas ao Gênese são as da
Mesopotâmia. É possível que no fundo destas narrativas esteja
a lembrança remota de inundações catastróficas mas
de proporções limitadas (cf. Gn 7,19s e nota).
DISCÓRDIA
Deve ser evitada (Pr 6,19; 1Cor 3,3; 6,7; 11,16; Fl 2,3; 2Tm 2,14; Tg 4,1. Tem
conseqüências funestas (Eclo 28,12; Mt 12,25; Mc 3,24s; Gl 5,15;
Tg 3,14-17).
DIVÓRCIO
É a ruptura do laço matrimonial, permitida pela Lei de Moisés
(cf. Dt 24,1-4 e nota). Nas tribos do Médio-Oriente era usual a poligamia
(Jz 8,30; 2Sm 3,7; 16,21; 1Rs 11,1-8; Gn 4,19). Mas o progresso da fé
num Deus único orientará os costumes para a fidelidade a uma só
mulher, como sinal da fidelidade a um só Deus (Esd 9,1s; 10,3; Ml 2,10-11;
Tb 8,1s; Ecl 9,1-9; Eclo 26,1-18).
A própria criação postula a monogamia (Gn 2,18-24; 1,26-31).
A este ideal se refere Jesus (Mc 10,2-9; Mt 19,3-9; 1Cor 7,10-11; Lc 16,18)
ao proibir o divórcio (Mt 5,31s; cf. Rm 7,2s; 1Cor 7,10s.27.39) e proclamar
a indissolubilidade do Matrimônio, sacramento de união entre Cristo
e a Igreja (Ef 5,22-23).
DÍZIMO
Era a contribuição obrigatória, entregue ao santuário
para sustentar os sacerdotes e levitas (Nm 18,21-32), os pobres, os órfãos
e as viúvas (cf. Dt 14,22-29; Tb 1,7s e notas). A contribuição
referia-se à décima parte dos cereais, do vinho e do azeite. Os
fariseus pagavam, porém, o dízimo até dos produtos mais
insignificantes, como as hortaliças (Mt 23,23). Ver “Esmola”.
DOMINAÇÕES
Personificação de poderes supraterrestres, relacionados com Satã,
príncipe deste mundo (Rm 8,38; 1Cor 15,24; Ef 1,21), mas que não
são os anjos maus. O cristão não deve temê-los pois
são criaturas de Deus (Cl 1,16), mesmo que possam hostilizá-lo
(Ef 6,12), porque Cristo os subjugou (Cl 2,10-15; 1Pd 3,22). Ver “Principados”,
“Potestades”, “Satã”.
DOMINGO
Ver “Sábado”.
DOUTOR DA LEI
Ou escriba, é o homem entendido nas coisas da Lei (Lc 5,17; Mt 23,3).
Eles recebiam o título honorífico de rabi (Mt 23,7s) e ensinavam
a Lei ao povo (Lc 2,46; Rm 2,20). Seu trabalho de instrução é
elogiado em Eclo 39,1-11; mas Jesus os criticou por seu casuísmo teológico-jurídico
e sua conduta hipócrita. O cristão que tem o dom de ensinar é
também chamado doutor (At 13,1; 1Cor 12,28s).
DOZE
Na Bíblia, “doze” é o número sagrado da “eleição”:
Os doze patriarcas, pais das doze tribos (Gn 35,22-26; 42,13.32; 49,28; At 7,8;
Js 24,1s).
Cristo elege doze apóstolos (Mc 3,13-19; Jo 6,70); que recebem uma especial
instrução e seguem o Mestre (Lc 8,1s; 9,12; 18,31-34; Mc 4,10-11;
14,17s; Lc 9,2.5; Mc 6,7). Constituem o fundamento da Igreja (Ef 2,20; Ap 21,14;
7,4-12; Mt 19,28; Lc 22,30). Cristo come com eles a Ceia Pascal (Jo 13,1-20;
Mt 26,20-29); ora por eles ao Pai (Jo 17,17); é a eles que as mulheres
anunciam o encontro do túmulo vazio (Lc 24,9-10.45-49; Jo 20,19-23; Mt
28,18-20). Ver “Apóstolos”.
ECOLOGIA
As criaturas manifestam a sabedoria e a grandeza do Criador (Jó 28; 38,2–41,25;
42,5; Sl 19,2-7; Pr 8,27-31). O pecado e a violência do homem perturbam
a ordem da natureza (Gn 3,17; 6,17–8,14; Ex 7,8–11,10; Is 1,4-9;
2Rs 17,7-28). As criaturas participarão da redenção escatológica
(Is 11,6-9; 65,17; Rm 8,21s; 2Cor 5,19; 2Pd 3,3-13; Ap 21,1).
A importância da água (Gn 1,7; 2,10-11; 7,11; Is 24,18; Jó
38,22-28; Lv 26,4; Dt 11,14; Is 30,23s; Jr 5,24; Sl 1,3; 104,3-18). Seu valor
simbólico (Ez 36,24-30; 47,12; Jr 31,9; Is 49,10; 41,17-20; Eclo 24,25-31);
as águas que dão vida (Jo 7,37-39; 4,10-14; 1Cor 10,4; Ap 22,1.17);
as águas batismais (2Rs 5,10-14; Mt 3,11; At 8,36; 1Cor 6,11; Ef 5,26;
Rm 6,3-11; Tt 3,5).
A importância das plantas (Gn 1,11s.29-30; 2,9; 3,22s; Dt 20,19s; Sl 104,13-18).
Os animais e sua relação com o homem (Gn 1,20-30; 2,19s; 6,19-21;
9,2-5; Nm 22,22-35; 1Rs 17,6; Jn 2,3-7; Jó 38,39–39,30; 40,15–41,26;
Sl 147,9; Mc 1,13; Mt 6,26; At 28,3-6).
ÉDEN
Ver Gn 2,8.10-14 e notas. Ver “Paraíso”.
EDOM
Ou “edomitas”, nome dos descendentes de Esaú, irmão
de Jacó (cf. Gn 25,25.30; 33,1-17; Ab 9–15 e notas). Eles ocupavam
a região ao sul do mar Morto, dos dois lados do vale da Arabá,
até o Golfo de Ácaba.
EFÁ
Medida de capacidade, equivalente a 45 litros ou três arrobas. Ver a tabela
de Medidas, pesos, moedas.
ÉFESO
Importante cidade do litoral oeste da Ásia Menor, desde 133 aC capital
da província romana da Ásia. Com uma população de
250 mil habitantes e um estádio para 24 mil pessoas, era famosa pelo
seu templo de Ártemis e pelas práticas de feitiçaria. Paulo
passou por Éfeso durante a segunda viagem (At 18,19-21) e ali se deteve
por três anos durante a terceira viagem missionária (19,1–20,1).
O sucesso de sua pregação fez com que muitos queimassem seus papiros
mágicos (19,18s), mas suscitou também tumultos, levando Paulo
a abandonar a cidade.
EFOD
Pode indicar uma estátua de um ídolo (cf. Jz 8,27; 17,5 e notas)
ou a parte da veste sacerdotal que continha a bolsa dos urim e tumim, usados
para dar as respostas oraculares (cf. Ex 25,7; 28,6 e notas).
EFRAIM
Nome do segundo filho de José e Asenet (Gn 41,52), que passou também
a ser o da tribo que dele descende. Junto com Manassés é destacado
nas bênçãos de Jacó (Gn 49,22-26) e de Moisés
(Dt 33,13-17). Por extensão, Efraim, sobretudo na linguagem poética,
engloba todas as tribos do reino do Norte (Jr 7,15). No NT é também
o nome de um vilarejo para onde Jesus se retirou antes de sua paixão
(Jo 11,54).
ELEIÇÃO
Em virtude da aliança, Deus escolheu livremente para si a nação
de Israel, como seu próprio povo (Dt 14,2). Esta eleição
está relacionada com o êxodo do Egito (Am 9,7; Os 13,4; Mq 6,3-5;
Ez 20,5s), mas já teve início com os patriarcas (Jr 11,5; 33,26).
Em virtude da eleição divina são chamados eleitos os patriarcas
(Gn 12,1-7), Moisés, os levitas, o rei (2Sm 7,14-16) e os membros do
povo de Deus em geral (Ex 19,1-9). A eleição, porém, não
é mérito e sim fruto do amor imerecido de Deus (cf. Dt 7,6-8 e
notas).
No NT eleitos são os que do judaísmo se converteram ao cristianismo
(Rm 9,27; 11,5-7), os cristãos em geral (1Pd 2,9), os apóstolos
(Lc 6,13; Jo 6,70), especialmente Pedro (At 15,7) e Paulo (9,15).
ELIAS
O nome significa “meu Deus é o Senhor”. É o nome do
profeta que defendeu intrepidamente a religião javista contra Acab e
Jezabel, promotores do culto a Baal. A figura deste profeta austero causou tal
impacto no meio do povo, que em torno dele surgiu um ciclo de narrativas de
caráter legendário, marcadas por lances dramáticos e milagres
(cf. 1Rs 17–19; 21,17-28; 2Rs 1–2). Por causa de seu fim misterioso
descrito como assunção ao céu (cf. 2Rs 2,1-18 e nota; Eclo
48,9-12), começou-se a esperar o seu retorno (cf. Ml 3,22-24 e nota),
crença muito viva no tempo de Jesus. O próprio Jesus afirma que
Elias de fato já veio na pessoa de João Batista (cf. Mc 9,13 e
nota).
ENAQUITAS
População legendária de gigantes que ocupava a região
de Hebron, quando os israelitas começaram a conquista de Canaã
(Nm 13,22; Dt 2,10-12 e notas).
ENCARNAÇÃO
Grande mistério (Rm 11,33; 1Tm 3,16), no qual participou Deus Pai (Jo
3,16; Rm 8,3; Gl 4,4), Deus Filho (Jo 1,14; Hb 1,2; 10,7-10; 1Jo 4,2) e Deus
Espírito Santo (Is 7,14; Mt 1,18; Lc 1,35; Rm 1,3-4; Cl 2,9).
ENFERMIDADE
. É conseqüência do pecado (Gn 2,17; 3,19; Dt 28,20-22; Eclo
31,22; 38,15; Jo 5,14); é provação de Deus (Tb 2,9-14;
12,13s; Jó 5,17-19; Sl 34,20; Jo 9,3). Como proceder na enfermidade:
chamar o médico e usar remédios (Eclo 18,20s; 38,9-14); rezar
a Deus (2Rs 20,1-7; Sb 16,6-13; Eclo 38,13s; Fl 2,25-27); chamar o padre e receber
a unção dos enfermos (Tg 5,14s); cuidar mais da vida espiritual
(Sl 39,7s; Lc 10,41s; 12,31; Rm 8,18; 1Cor 11,30; Hb 13,14; 1Pd 5,7); visitar
os enfermos (Gn 48,1; Jó 2,11; Eclo 7,34s; Mt 25,39s).
ESCÂNDALO
Ameaças contra o escândalo (Pr 28,10; Mt 18,6-9; Mc 9,42; Lc 17,1;
1Cor 8,12): exortações contra o escândalo (Mt 13,57; 15,12;
Lc 7,23; Jo 6,62; 7,41).
Cristo é pedra de escândalo (Is 8,14; 28,16; Rm 9,33; Lc 2,34),
sobretudo para os fariseus (Mt 15,12); para os judeus (1Cor 1,23).
ESCATOLOGIA
Ver “Parusia”.
ESCRAVATURA
Ver “Redenção”.
ESCRIBA
Desde o tempo de Esdras o escriba é um entendido nas coisas da Lei. Por
isso é também chamado doutor da Lei ou rabi. Com o fim do profetismo,
cabia sobretudo ao escriba o ensino e interpretação da Lei ao
povo (cf. Eclo 38,24 e nota). Por isso, os escribas tornaram-se os líderes
espirituais da nação. Depois de longos estudos junto de algum
mestre, pelos 40 anos, a pessoa era ordenada escriba com o rito da imposição
das mãos. No tempo de Jesus eram famosas as escolas de escribas dirigidas
por Hillel e Chammai.
ESCRITA
É conhecida desde o quarto milênio aC, tanto no Egito, como na
Mesopotâmia. Entre os israelitas a arte de escrever era conhecida apenas
por pessoas instruídas e de boa posição, especialmente
os escribas profissionais (Is 29,11s). A escrita hebraica se desenvolveu da
escrita fenícia e tem 23 consoantes. É conhecida sob duas formas:
a antiga, ainda em uso entre os samaritanos, e a quadrada, que aparece nos manuscritos
do I séc. dC em diante. O sistema de vogais que fixa a pronúncia
das palavras só foi inventado pelos massoretas pelo séc. VI/VII
dC. Os manuscritos bíblicos foram escritos sobre papiro ou pergaminho.
ESCRITURA (SAGRADA)
. Ver “Bíblia” e “Como ler a Bíblia com proveito”,
na Introdução Geral desta Bíblia.
ESMOLA
O mandamento (Tb 4,7; 14,11; Lc 14,12); é um ato de religião (Pr
19,17; Eclo 35,4; Mt 25,35; Hb 13,16); exemplos (1Rs 17,10; Tb 1,3; Jó
31,16; At 9,36; 10,2; 2Cor 8,2).
ESPERANÇA
. No AT Deus é a essência, meta final e garantia da esperança
(Sl 130,5-7) do indivíduo (71,5) e do povo em geral (Jr 14,8; 17,13).
Espera-se no poder do braço do Senhor (Is 51,5), do qual vem a salvação
(Gn 49,18). Espera-se a vinda da glória do Senhor (At 1,11; 1Ts 4,13–5,11),
a conversão de Israel e das nações, a nova aliança
baseada no perdão dos pecados (Eclo 2,11; Mt 18,11; Hb 2,17; 4,16; 2Pd
3,9).
Apesar de sua história cheia de contradições e infidelidades,
Israel conservou a esperança na graça divina (Os 12,7; Jr 29,11;
31,17; Is 40,31). Foram os profetas que ergueram a bandeira da esperança
nos momentos críticos da história, apontando a renovação
dos tempos messiânicos (Os 2; Is 40–66; Ez 36–37).
No NT a salvação prometida torna-se de certo modo já presente
pela fé: a justificação, a filiação divina,
o dom do Espírito e o novo Israel, composto de judeus e pagãos
convertidos a Cristo. Por isso muda também o conteúdo e a motivação
da esperança. A esperança do cristão é uma “viva
esperança”(1Pd 1,3;), que liberta do temor da morte (Ef 2,12; 1Ts
4,13), pois ela está unida ao amor (1Cor 13,13) e à fé
em Cristo. O cristão espera a salvação (1Ts 5,8), a justiça
(Gl 5,5), a ressurreição (1Cor 15), a vida eterna (Tt 1,2; 3,7),
a visão de Deus e sua glória (Rm 5,2). Sua esperança é
alegre e corajosa (Rm 12,12; 1Ts 5,8), pois está firmemente ancorada
em Cristo (Hb 6,18s). Ver “Parusia” e Introdução Geral
.
ESPIRITISMO
Constata-se na Bíblia a prática da evocação dos
mortos (1Sm 28,3-20; 2Rs 21,6; 23,24; Is 8,19; 29,4), mas é severamente
proibida (Lv 19,31; 20,27; Dt 18,10-12; 1Cr 10,13; Is 8,19; 44,25).
Outras práticas mágicas (Ex 7,11s; 2Rs 17,17; 21,6; 2Cr 33,6;
Sl 58,5s; At 8,9; 19,18-20; 2Ts 2,9; Ap 13,13s; 16,14).
Adivinhação (Gn 41,8; Lv 19,26.31; 1Sm 28,7; Eclo 12,13; 34,5;
Is 47,13s; Jr 8,17; Ez 21,26; Os 4,12; At 16,16).
Castigo severo previsto (Ex 22,17; Lv 20,6; Dt 4,19; 13,1-5; 17,3; Eclo 34,1-7;
Is 44,25; 47,9; Jr 23,16.30-32; 28,15-17; 29,8; Mt 12,27; At 13,8-11; 16,16-18;
Gl 5,19s; Ap 21,8).
Não existe reencarnação (Ecl 9,10; Eclo 14,12-19; Mt 13,30;
25; Lc 16,9.19-32; Rm 2,5-8; 2Cor 5,6-10; Gl 6,6s; Hb 9,27). Ver Lv 19,31; 1Cr
10,13 e notas; ver “Necromancia”.
ESPÍRITO (SANTO)
Em hebraico e grego “espírito” significa ar em movimento,
hálito ou vento. Por isso também é sinal ou princípio
de vida (Gn 6,17; 7,15; Ez 37,10-14), a força vital (Jr 10,14), a sede
dos sentimentos, pensamentos e decisões da vontade (Ex 35,21; Is 19,3;
Jr 51,11; Ez 11,19). Deus é que dá o espírito e age no
homem pelo seu espírito (Gn 6,3; Ez 2,2 e nota).
O Espírito falou pelos profetas (Ez 2,2; 3,12-14; 8,3; 11,1) e suscitou
“testemunhas”(At 1,8.22; 2,32; 3,15; 10,39-41).
No NT fala-se em bons e maus espíritos (Hb 1,14; Ap 4,5; Mc 1,13.23.26;
At 5,16).
O Espírito é também Deus verdadeiro, uma pessoa distinta
do Pai e do Filho (Mt 28,19; Mc 13,11; At 5,3s; 20,28; 28,25s; 1Cor 3,16s; Jo
14,16). Procede do Pai e do Filho (Mt 10,20; Jo 14,26; 15,26; 16,13-15; Gl 4,6;
Tt 3,5s); foi prometido e enviado (Lc 24,49; Jo 7,39; 14,16s; 15,26; At 1,5;
4,31); foi comunicado pelos apóstolos (At 8,14-17; 10,44-47; 11,15-17;
19,2-6; 1Ts 1,4s); foi dado a cada cristão e é o princípio
da vida espiritual e garantia da ressurreição (Rm 8,2.11; Lc 12,11s;
Jo 14,26; 16,12s; At 4,31s; Tt 3,5); concede dons e provoca frutos (Is 11,2s;
Zc 12,10; Gl 5,22s; 1Cor 12,4–14,40; Ef 1,13s; 2Tm 1,7).
O Espírito é o Paráclito, isto é, “advogado”
dos cristãos no tribunal do mundo (Jo 14,15-17.25-26; 15,26-27; 16,7-14;
Mc 13,11). Ver “Paráclito”.
ESPOSO
O amor de Deus por Israel é comparado ao do noivo por sua noiva, ou do
esposo pela esposa (Os 2,16; Jr 2,2.30-37; 3,1-13; Ez 16,8). Deus tem “ciúmes”
por causa de Israel infiel; por isso castiga-o, mas também lhe promete
um coração novo (Jr 30,17; 31,2-4.21-22; Ez 16,53-63) e novas
bodas após o castigo do exílio (Os 2,16-25; 3,1-5; Lm 1,1-21;
Is 49,14-21; 50,1-2; 51,17s; 54,1-10; Ct 1,1s).
João Batista chama Jesus de noivo (Jo 3,29; Ef 5,22s), sendo ele o amigo
do noivo.
Em Cristo, Deus realiza as bodas definitivas com a Igreja, que é a noiva
(2Cor 11,2) ou esposa de Cristo (Ap 21,9). Por isso, o Reino é uma festa
de casamento (Mt 22,1-14; 25,1-13; Lc 14,16-24; Jo 2,1-11; 3,25-30; Mt 9,14-15;
Ef 5,25s; Gl 4,21-23; 2Cor 11,1-3).
Os esponsórios de Deus em Cristo são o fundamento da moral conjugal
cristã (Mt 19,1-9; Ef 5,22-23; 1Cor 6,15-20; 11,3-16; 1Pd 3,1-7; Cl 3,18-19).
Ver “Matrimônio”.
ESSÊNIOS
Associação religiosa judaica da Palestina, de caráter monacal
e tendência ascética. Sua origem provém, provavelmente,
dos assideus (cf. 1Mc 2,42 e nota). Não são mencionados na Bíblia.
Com a descoberta dos escritos do mar Morto (1947) e das ruínas de Qumrân,
ficaram melhor conhecidos os costumes e a doutrina dos essênios e seu
possível relacionamento com os fariseus e o NT.
Características do grupo: Os candidatos passavam por um período
de um ano de “postulantado” e dois anos de “noviciado”;
o candidato era aprovado como membro após um juramento e recebia uma
doutrina secreta. Praticavam a pobreza, o celibato e a obediência a um
superior. Faziam abluções rituais e orações matinais.
Veneravam Moisés e os anjos. Observavam o sábado, mas estavam
separados do culto do templo. Segundo alguns, João Batista teria sido
membro da seita dos essênios (Lc 1,60; 3,1-21).
ESTACAS SAGRADAS
Ver “Postes Sagrados”.
ESTADO
O poder vem de Deus (Pr 8,15s; 11,14; Eclo 10,1.4; 17,17; Dn 2,21; Mt 22,21;
Jo 19,11; Rm 13,1s). Os funcionários públicos são responsáveis
diante de Deus (2Cr 19,6; Ecl 5,7; Sb 6,2-9; Ef 6,9; Hb 13,17; Ap 19,16). Devem
ser escolhidos entre os mais dignos (Ex 18,21-23; Dt 1,12-17; Sl 101,6; Pr 14,35):
devem ser justiceiros e benignos (Dt 25,1-3; Pr 17,15; 20,28; 29,12; Sb 1,1;
12,17-19; Jr 22,2-5.13-19; Lc 3,14; Jo 7,24); devem edificar pelo bom exemplo
(Dt 17,15-20; 1Rs 2,1-4; 6,11-13; Ecl 10,16s).
Os súditos devem honrar as autoridades como representantes de Deus (Ex
22,27; 1Sm 24,7; Jo 19,11; At 23,4s; Rm 13,7; 1Tm 2,1-3); devem obedecê-las
(Rm 13,1-7; Tt 3,1; Hb 13,17; 1Pd 2,13-15); devem pagar impostos (Mt 22,15-21;
Rm 13,7).
Mas antes de tudo se deve obedecer a Deus (Tb 1,15-20; 1Mc 2,19-22; 2Mc 7,1s.30;
At 4,18s; 5,29.40-42). Ver “Autoridade”.
ESTELA (PILAR SAGRADO)
Ou coluna sagrada, de origem cananéia, era uma pedra colocada de pé
por chefes em recordação de façanhas. Embora de origem
profana, podia ser colocada em santuários e acabava assumindo a finalidade
religiosa (cf. Gn 28,18 e nota) de localizar a presença divina. Mais
tarde, para combater os costumes pagãos, o seu uso foi condenado (Ex
23,24; Lv 26,1; Dt 7,5; 16,22; cf. 2Cr 14,2 e nota).
EUCARISTIA
“Fração do pão” rito tipicamente cristão
(At 2,42.46; Mt 26,26; 1Cor 10,16; 11,24). Celebra-se no domingo, dia da Ressurreição
(At 20,7.11). Nela o Ressuscitado está presente (Lc 24,30-35).
É o “pão da vida”, refeição pascal (Jo
6,4) e messiânica. É o novo maná, dado pelo novo Moisés
(Sl 78,24; 105,40; Sb 16,20; Is 55,1-3; Pr 9,5; Eclo 24,20; Jo 6,1-15.22-59;
Mt 14,19-21; 15,32-39).
É o banquete nupcial e escatológico (Mt 22,2-14; 25,1-13; Lc 14,12-24;
Jo 2,1-12; Ap 14,1-3; 3,20-21). É o sacramento de Unidade (1Cor 10,16-17;
11,17-34; Jo 17,1s; At 2,42-46; Lc 24,30-35), prometido e instituído
por Cristo (Jo 6; Mt 26,26-28; Mc 14,22-24; Lc 22,19-20; 1Cor 11,23-25).
EUNUCO
Ver as notas em Sb 3,14; Is 56,1-8 e At 8,26s.
EVANGELHO
É a “Boa-Nova” anunciando a chegada do Reino de Deus em Cristo
(Lc 4,43-44; Mc 1,1; At 13,32-33; Is 40,9-11; 61,1-2; Lc 4,16-22; Mt 11,2-6).
Esta feliz boa-nova é anunciada aos pobres (Lc 6,20-23; 2,10; Mt 5,3-12).
É o anúncio da salvação (At 13,26; Rm 1,16-17; 10,14-17;
Ef 1,13); é a pregação do mistério que se realiza
em Cristo e na Igreja, incluindo judeus e pagãos (Cl 1,26-29; 4,2-4;
Ef 3,1-7; Rm 1,1-6). Ver a Introdução aos Evangelhos Sinóticos.
EXÍLIO
Ver “Deportação”.
ÊXODO
Ver “Moisés”, “Páscoa”, “Peregrinação”,
“Libertação”. Ver também a Introdução
ao livro do Êxodo e as notas em Ex 15,17 e 19,1–24,11).
EXPIAÇÃO
No início, a expiação é compreendida materialisticamente
como uma reparação exterior por uma falta legal (Lv 14,11-20.53-54;
23,26-32; Dt 13,7-11; 17,2-7; 19,15-21; Nm 35,32-34; 2Sm 12,13-15).
A expiação visa restabelecer a comunhão entre Deus e o
homem, rompida por sua rebeldia. Em textos mais antigos, com a expiação
procura-se acalmar a ira divina, punindo o pecador ou praticando um ato cultual
(cf. 1Sm 26,19; 2Sm 21,1-14 e notas). Há também ritos expiatórios
para apagar o pecado, representado como mancha, pelo sangue de uma vítima
(Lv 16,14-16). Deus é quem institui a expiação e a efetua(17,11),
quando lhe são oferecidos os sacrifícios pelo pecado e pela culpa.
Deus, intransigente no início, deixa-se dobrar pela sua misericórdia
(Jr 7,16; 11,13-20; Gn 19,2-22; Jó 42,8-10; Am 7,3-10); e concede o perdão
dos pecados (Os 14,3-5; Jr 3,21-22).
No NT, o povo que pecou muito tem necessidade dum “justo” que se
imole por ele e o reconduza a Deus (Is 41,1-9; 49,1-6; 50,4-9; 52,13–53,12;
Mt 12,15-21; Fl 2,8-11; Jo 12,31-34; 11,47-54; 1Pd 2,21-25).
S. Paulo apresenta a obra salvífica de Cristo pela cruz como uma reconciliação
entre Deus e os homens (Rm 5,9-11; 2Cor 5,18-20; Cl 1,20; Ef 2,13-16).
O sacrifício de Cristo, de valor infinito, reparou para sempre todos
os pecados (Hb 7,26-28; 10,4-14; 9,25-26; Ap 12,9-12; Rm 5,18-19). A Igreja,
isto é, os cristãos associam-se à expiação
de Cristo (Fl 3,10; Rm 8,17; 1Pd 4,13). Ver “Dia da Expiação”.
EXTERMÍNIO
Veja “Anátema”.
FACE
Muitas vezes o termo designa o próprio Deus, enquanto se volta ou se
relaciona com o homem. “Contemplar a face” é ser admitido
à presença de Deus; “ver a face de Deus” é
algo perigoso para o homem (Ex 33,20-23). O homem pede que Deus não lhe
esconda a sua face (Sl 27,8s), mas lhe mostre uma face compassiva (Nm 6,25).
FAMÍLIA
Ver “Esposo”.
FARAÓ
Título bíblico dos reis egípcios. Veja os nomes de alguns
faraós na Tabela Cronológica da História Bíblica
.
FARISEUS
Partido religioso judaico, cujos membros se dedicavam ao estudo e observância
da Lei mosaica e suas tradições, especialmente o sábado,
a pureza ritual e os dízimos. Os precursores dos fariseus são
os assideus do tempo dos Macabeus (cf. 1Mc 2,42 e nota). Sob João Hircano
I começaram a fazer oposição à sua política
filo-helenística e por ter usurpado o sumo sacerdócio.
Os fariseus, embora defensores da teocracia, politicamente eram moderados frente
ao domínio romano, se comparados à ferrenha oposição
dos zelotes e ao apoio dado pelos saduceus. Comparados a estes últimos,
os fariseus eram progressistas quanto às crenças religiosas: criam
na existência dos anjos, na ressurreição e na imortalidade
(Mt 22,23-33; At 23,6-10). Entre o povo gozavam de grande prestígio e
liderança. Jesus condenava não a doutrina (Mt 23,3) mas a hipocrisia
e soberba dos fariseus (Mt 23,13-36) que os levava a desprezar a massa “ignorante”(Lc
18,9-14). Ver “Essênios”.
FÉ
No AT a fé é raramente mencionada (cf. Hab 2,4 e nota). Mas crer
é a atitude característica do homem perante Deus. Ela implica
numa adesão da inteligência em reconhecer a Deus em todas as suas
manifestações de amor e suas exigências para com o seu povo.
A atitude de Abraão é o modelo da verdadeira fé que salva
(Gl 3,6): ele jogou a sua vida, confiando na Palavra de Deus (Gn 12,1-2; 13,14-18;
Ez 33,23-24; Eclo 44,19-21; Jo 8,56; Rm 4,1s; Hb 11,8-12).
O Êxodo é o tempo da prova na fé (Ex 4,1-9; 33,1-6; Dt 1,45-46;
4,1-8; 6,20-25; 10,12-22).
A fé inclui a esperança de um mundo melhor (Is 40,1–41,20;
43,1-21; 49,22-23).
No NT acreditar é prestar fé à Palavra de Deus em Cristo
(At 24,14; Lc 24,25-27); é obedecer a Deus (Hb 11,1s; Rm 1,5; 10,16s;
15,18; 16,19.26; 2Cor 5,5s); é confiar nele (Mc 11,22-24; At 3,16; 1Cor
13,2); é converter-se, aceitando o Evangelho (1Ts 1,8-9; Rm 10,17; 2Cor
5,18s; At 3,12-16).
Jesus exige fé em sua pessoa (Jo 6,29-40). O coração da
fé é a obra salvífica de Cristo, sobretudo a sua morte
e ressurreição (1Cor 15,1-20; Rm 4,24; 10,9).
Paulo coloca a fé em Cristo como indispensável para a salvação
(Rm 1,16). Mas quando opõe fé a obras, fala das obras da Lei mosaica
e não dos frutos da fé cristã (Rm 4,13-25; Gl 3,1s; Ef
2,8-10; Mt 7,16-27; Jo 15,1-3.6-8; Tg 2,16-26).
Alguns textos de primitivas profissões de fé: Lc 24,34; 1Cor 15,3-5;
1Ts 4,4; 2Cor 5,15; Rm 4,25; 6,4.9; Fl 2,6-11.
A Igreja é a depositária da fé: Mt 16,16-19; 18,17s; 28,20;
Mc 16,15; Lc 22,31s; Jo 21,15-17; At 1,24s; 15,7s; 20,28; 1Cor 1,10; 1Tm 6,20s;
2Tm 4,2-5; Tt 3,10s; 2Jo 10.
FÉLIX
Procurador romano da Judéia, de 52 a 60 dC; foi o segundo marido de Drusila,
esposa do rei Agripa II (At 23,26).
FENÍCIA
Região que abrange o monte Líbano e a zona litorânea desde
o monte Carmelo. Seus habitantes dedicavam-se ao comércio e à
navegação, fundando colônias em Chipre, Rodes, Sardenha,
Sicília, França Meridional e norte da África. No tempo
de Cristo a região pertencia à província romana da Síria.
No AT é conhecida como Tiro e Sidônia; pertencia à Terra
Prometida mas jamais foi anexada (Js 13,4-6). Jesus visitou a região
(Mt 15,21) e Paulo a atravessou (At 15,3).
FESTA
Israel conhece várias festas religiosas:
Festa da Lua Nova, que marcava o início do mês (1Sm 20,5-26; Ez
46,1-7; Nm 28,11-14; Ne 10,33-34; Gl 4,10; Cl 2,16-20).
O dia festivo semanal era o Sábado (Ex 16,4-36; 20,8-11; Is 56,1-6; 58,13-14).
A Festa dos Tabernáculos era celebrada em ação de graças
pela colheita das azeitonas e das uvas (Jz 9,27; 21,19-24). Era chamada também
“festa da Colheita” ou “Festa”(Ex 23,16; 34,22; Ne 8,14;
Jo 7,11; cf. Lv 23,33-44 e nota; Dt 16,13-16; Lv 23,34-44); atinge em Cristo
o seu significado pleno (Jo 7,37-39; 1Cor 10,4).
A Festa das Semanas era celebrada após a colheita do trigo. É
chamada “das semanas” porque se fazia sete semanas após a
festa dos Ázimos (Nm 28,26). É conhecida também sob o nome
de “festa da Colheita”(Ex 23,16) ou “festa das Primícias”
da colheita do trigo (34,22). Mais tarde recebeu o nome de Pentecostes (Tb 2,1;
2Mc 12,31s; At 2,1), porque se celebrava cinqüenta dias depois da oferta
do primeiro feixe de espigas de cevada (Lv 23,9-14; Dt 26,1-11). Sendo de origem
agrária, Pentecostes é uma festa alegre. Nela o israelita agradecia
a Deus pela colheita do trigo, oferecendo-lhe as primícias (primeiros
frutos) do que foi semeado nos campos (Ex 23,16; 34,22). Na época pós-exílica
começou a ser celebrada nesta festa a promulgação da Lei
de Moisés (Lv 23,15-21 e nota). Na festa de Pentecostes, após
a morte de Jesus, a comunidade cristã, reunida no Cenáculo, recebeu
o dom do Espírito Santo (At 2,14). Ver “Páscoa”, “Sábado”,
“Ázimos”.
FESTO
Foi procurador romano da Judéia depois de Félix (At 24,27) e morreu
em 62 aC.
FILACTÉRIOS
Dt 6,4-9 e nota.
FILHO DO HOMEM
A expressão bíblica significa muitas vezes simplesmente “homem”,
“criatura pequena, frágil”(Sl 8,5; 51,12; Jó 25,6).
O profeta Ezequiel é chamado pelo Senhor de “filho do homem”,
para acentuar a distância entre Deus e o homem (cf. Ez 2,1 e nota). Em
Daniel a expressão indica os israelitas (cf. Dn 7,13 e nota), “os
santos do Altíssimo”(7,18s). Para afastar as falsas esperanças
de um messianismo político, Jesus aplicou esta expressão a si
mesmo. Deste modo sublinhava ao mesmo tempo sua fragilidade humana, enquanto
Servo Sofredor (Mc 8,31; 10,45; Is 53,10) e sua grandeza sobrenatural e gloriosa
(Mc 8,38; 12,36; 14,62). Após a ressurreição14 a expressão
“filho do Homem” foi entendida em sentido messiânico (At 7,56;
Ap 1,13).
FILHOS
São a honra dos pais (Pr 17,6; Sl 128,3): devem ser educados (Pr 22,15;
Eclo 22,3; cf. Mt 11,16-19; Ef 4,14; Gl 4,1s); devem honrar os pais (Ex 20,12;
21,17; Dt 27,16; Eclo 3,3; 7,27s); devem obedecer-lhes (Dt 21,18-21; Pr 1,8s;
Eclo 3,7s; Lc 2,51; Ef 6,1-3; Cl 3,20); aceitar a correção (Pr
12,1; 13,1; Eclo 3,16; 20,5s; Lm 3,27; Hb 12,9); mostrar gratidão (Tb
4,4; 9,4; Pr 10,1; 23,22; Eclo 3,11s). Ver “Adoção”.
FILIPE
Há vários personagens bíblicos com este nome:
1. Filipe, rei da Macedônia, pai de Alexandre Magno (1Mc 1,1; 6,2);
2. Filipe III da Macedônia (1Mc 8,5), derrotado pelos romanos em 197 aC;
3. Filipe, amigo de Antíoco Epífanes (1Mc 6,14-63; 2Mc 9,29; 13,23);
4. Filipe, filho de Herodes o Grande e Cleópatra, tetrarca da Ituréia
e Traconites (Lc 3,1), do ano 2 a 34 dC; ao morrer, sua tetrarquia passou ao
controle da província romana da Síria;
5. Filipe, filho de Herodes com Mariamne II. Era casado com Herodíades,
que o abandonou para viver com Herodes Antipas (Mt 14,3);
6. Filipe, um dos apóstolos, natural de Betsaida (Jo 1,43-46). É
mencionado na multiplicação dos pães (6,5-7), como intermediário
entre Jesus e alguns pagãos (12,21s) e num diálogo com Jesus (14,8-10);
7. Filipe, um dos sete diáconos (At 6,5s), pregador do evangelho (8,5-13.26-40),
visitado por Paulo antes de ser preso em Jerusalém (21,9).
FILISTEUS
Povo não-semita (cf. 1Sm 17,26 e nota), proveniente de Cáftor,
ou Creta (Dt 2,23; Am 9,7). Invadiram a costa marítima de Canaã
no séc. XII aC, pelo que depois esta região foi denominada Palestina.
Oprimiram Israel na época dos juízes (Jz 14–16) e de Saul.
Mas Davi os subjugou (2Sm 5,17-25). Com a divisão do reino (931 aC) tornaram-se
praticamente independentes e no tempo dos Macabeus desapareceram como povo.
FIM DO MUNDO
Ver “Parusia”.
FINÉIAS
Sacerdote da família de Aarão. Por ter-se mostrado zeloso pela
pureza religiosa e racial de Israel nos campos de Moab (cf. Nm 25,8 e nota),
recebeu a garantia de um sacerdócio permanente para seus descendentes.
FIRMAMENTO
O céu era imaginado como uma abóbada consistente, na qual Deus
pendurou as luminárias (sol, lua e estrelas: Gn 1,14-18). Ver “Céu”.
FOGO
O fogo é símbolo da majestade e da força divina (Dt 4,24;
Is 33,14; Sf 1,18). Deus apareceu a Moisés na sarça ardente (Ex
3,2), manifestou-se como fogo no Sinai (19,18). O fogo purifica e limpa o impuro
(Lv 1,9; 10,2; Nm 11,1-3; Is 1,25; 6,7; Mt 7,19; 13,40-42; Jo 15,6). Por isso
a ira divina é representada pelo fogo que pune os maus (Gn 19,24s; Sl
50,3; Mc 9,49). Jesus compara a punição definitiva dos maus com
o fogo que não se apaga (Mt 18,8; 25,41); mas também a virtude
renovadora do Espírito Santo é um “batismo de fogo"(Mt
3,11; At 2,3).
FORNICAÇÃO
Ver “Adultério”.
FORTALEZA
A nossa força vem de Deus (Dt 8,17; 32,27; Jr 9,22; 1Sm 14,6; Ez 30,6;
Lv 26,19; Am 6,13; Jz 7,2; At 6,8s; Rm 8,31; 1Cor 16,13; Ef 6,10; Fl 4,13; 1Jo
2,14).
Só ele é onipotente. Manifestou o seu poder na criação
e na libertação do Egito (Sl 74,13-14; Jó 25,1-6; 26,5-14;
Jr 27,5; Sl 106,7-12; Ex 15).
No combate escatológico, Deus manifesta a sua força (Hb 3; Ap
20,9-13; Is 51,9-11; Jr 50,33s). Manifesta-se ao realizar a obra da salvação,
ressuscitando a Cristo (Lc 1,37; Mt 19,26; Ef 3,20-22; At 5,29-31).
Cristo recebeu plenos poderes (Mt 28,18). Os apóstolos devem também
ser revestidos da força do Alto (At 1,8; Lc 24,49).
FRUTOS
Ver “Boas Obras”.
GALAAD
Originariamente era o nome de uma montanha ao sul do rio Jaboc, na Transjordânia
(Gn 31,47s). Depois passou a indicar a região ao norte e ao sul do Jaboc,
inclusive a de Mádaba (cf. Nm 32,1 e nota). Outras vezes pode ser o nome
do filho de Maquir ou até de uma tribo (cf. Jz 11,1 e nota).
GALÁCIA
Região do planalto central da Ásia Menor, onde se fixaram os celtas,
que ali chegaram no séc. III aC. Paulo visitou esta região durante
sua segunda viagem missionária (At 16,6). Mais tarde escreveu uma epístola
à nova comunidade cristã dos gálatas. Ver a Introdução
da epístola aos Gálatas.
GALILÉIA
Região norte da Palestina, que formava junto com a Peréia o território
administrado por Herodes (4 aC a 37 dC). A população era formada
sobretudo de judeus. Mas pela sua mistura com pagãos e dialeto próprio
(Mt 26,73) os galileus eram desprezados pelos judeus como ignorantes e violadores
da Lei (Jo 7,41; Mc 14,70). Cidades da Galiléia, como Nazaré,
Caná, Cafarnaum, Betsaida e Tiberíades, além do lago da
Galiléia, são o cenário mais familiar da vida pública
de Jesus.
GAMALIEL
Famoso escriba e fariseu, neto de Hillel, que foi mestre de Paulo (At 22,3).
Como membro do Sinédrio conseguiu a liberdade dos apóstolos presos
(5,34-39).
GEENA
Forma grega do nome geográfico hebraico “vale do Enom”, lugar
situado aos pés de Jerusalém, onde se sacrificavam crianças
em homenagem a Moloc (2Rs 16,3; 21,6; Jr 32,35). Como punição
pela idolatria, Jeremias anunciou que o vale seria um lugar amaldiçoado
(7,30–8,3). O vale tornou-se um símbolo da punição
escatológica (Is 66,22-24). Mais tarde tornou-se depósito de lixo
de Jerusalém. No NT a geena é o símbolo da condenação
eterna dos pecadores (Mt 5,29; Mc 9,43 e nota). Ver “Inferno”.
GENTIO
Termo judaico e cristão para indicar aqueles que professam religiões
não-monoteístas, isto é, pagãos. A qualificação
“gentio” distingue o “povo eleito” dos demais povos.
Esta separação dos judeus, que se consideram eleitos, dos demais
povos constituiu um problema sério para a admissão dos pagãos
na Igreja. Muitos queriam que eles se submetessem à Lei mosaica (At 15,1s;
10,1s; 21,17-21). Paulo, que se gloria de ter sido chamado por Deus para pregar
o Evangelho diretamente aos pagãos, reflete longamente sobre a eleição
dos gentios (Gl 1,15-16; Rm 9,24-26; 10,19-21; 15,7-13; 1Cor 1,26-31); por isso
é chamado “apóstolo dos gentios”(pagãos).
Certos textos dos evangelhos refletem os problemas entre os cristãos
de origem judia e os de origem pagã (Mt 1,1-16; 8,5-13; 11,20-24; 21,28-43;
2,1-12).
GION
Fonte aos pés da colina sobre a qual estava construída Jerusalém,
no vale do Cedron, hoje chamada pelos cristãos “fonte de Maria”.
A fonte já dispunha no tempo dos jebuseus de um sistema de captação,
permitindo que por meio de um túnel e um poço a água fosse
captada sem precisar sair das muralhas. O rei Ezequias mandou construir um túnel
de 550 m sob a colina de Ofel (Is 22,9-11; 2Rs 20,20 e nota) a fim de conduzir
a água da fonte para o interior das muralhas, até a parte baixa
da cidade, onde construiu a “piscina de Siloé”. Na descrição
de Ezequiel a fonte que nasce aos pés do futuro templo torna-se o símbolo
da renovação escatológica de Israel (Ez 47,1-12; Zc 14,8).
GLÓRIA
Em hebraico (kabod ), o termo significa aquilo que dá peso, torna importante
e confere estima, como a riqueza, o esplendor e o poder. Muitas vezes significa
a manifestação radiante da grandeza divina (Ex 24,15s; 29,43;
Ez 1,28; 9,3). A glória de Deus enche o tabernáculo ou o templo
(Ex 40,35; 1Rs 8,11), manifesta seu poder e sua santidade nas obras da criação
(Sl 19,2), nos prodígios em favor de seu povo (Nm 14,22; Is 40,5). Jesus
possuía esta glória (Jo 1,14), que se manifesta nos milagres,
no monte Tabor (Mt 17,2-8; 2Cor 3,7s; Jo 2,11) e na paixão (Jo 17,1;
12,23; 13,31-32). O cristão, pela esperança (Fl 3,21), dela participa
já neste mundo.
GLOSA
Diz-se de um texto, em geral de poucas palavras, que não pertence à
obra original do autor mas foi acrescentado por outros (glosadores). A finalidade
de uma glosa é explicar o texto existente. Inicialmente as glosas eram
escritas à margem do texto. Mais tarde os copistas as introduziram no
próprio texto. As modernas edições críticas dos
textos originais, que são a base para as traduções vernáculas
modernas, procuram eliminar tais glosas.
GÓLGOTA
O termo aramaico significa “lugar do crânio” ou da caveira
(em latim Calvaria, donde “Calvário"); é o lugar onde
Jesus foi crucificado (Mt 27,33; Jo 19,17). Era uma pequena colina, fora dos
muros de Jerusalém, onde os condenados eram executados.
GOMORRA
Cidade ao sul do mar Morto, destruída por Deus por causa da perversidade
de seus habitantes (Gn 19). Sua ruína, hoje encoberta pelas águas
do mar Morto, é o símbolo do juízo implacável de
Deus (Is 1,9).
GOVERNADOR
Título dado no NT aos mais altos magistrados nos territórios ocupados
pelos romanos. São chamados também “procuradores”
e administravam, em nome do imperador, territórios que apresentavam dificuldades
especiais. A Judéia foi administrada por tais governadores do ano 6 a
36 dC e de 44 a 66 dC; os mais conhecidos são Pôncio Pilatos, Félix
e Festo.
GRAÇA
Pode significar favor, benevolência, benefício. É a amizade
de um poderoso. O rei concede graça (Gn 30,27; 1Sm 16,22; 2Sm 14,22).
Graça e também beleza e encanto. Esta noção implica
sempre uma nota de amor (Rt 2,10-13; Est 2,17; Ct 5,10-16; Lc 1,28-30).
Muitas vezes é a fidelidade de Deus, que perdoa e ama (Sl 51,3; 40,12;
Is 63,7); o justo encontra graça aos olhos de Deus (Gn 6,8; 18,3; Nm
11,11.15). A graça e a unção repousam sobre o Messias (Jo
1,14; Lc 2,40.52; 3,22; Sl 45,3).
Graça é igual a tempo de graça, tempo de salvação,
tempo messiânico (Jo 1,16-17; Rm 5,12-17; 6,14s; 3,23s; At 15,11; Hb 13,9;
Tt 2,11s). Juntamente com a paz, a graça é um bem messiânico
(Rm 1,7; 1Cor 1,3; 2Cor 1,2; 1Pd 1,2; Cl 4,18; Hb 13,25; Ap 1,4; 22,21).
São chamados “graça” os dons do Espírito Santo
(Rm 5,15s; 1Cor 7,7), especialmente a salvação e a justificação
(Rm 5,2; Ef 2,5). A graça supõe também a nossa cooperação
(Mt 25,27s; 1Cor 15,10; 2Cor 6,1; 1Tm 4,14; Hb 13,9).
Maria está repleta de benevolência divina (Lc 1,28; cf. Rt 2,2.10.13;
Est 2,9.15.17).
GRATIDÃO
Para com Deus (Dt 8,7-14; Sl 107,1; 116,12; Eclo 32,13; Ef 5,20; Cl 3,15; 1Ts
5,18); para com o próximo (Pr 17,13; Eclo 29,15; 1Tm 2,1s; 5,4).
GREGO
Pessoa que pela educação se apropriou da língua e cultura
dos gregos, independentemente de sua nacionalidade; todos os demais são
bárbaros (Jo 19,20; At 19,11; Rm 1,14). Havia gregos simpatizantes com
a religião judaica (Jo 12,20; At 14,1). Paulo prega o Evangelho tanto
a gregos como a judeus (At 17,4; 18,4; Rm 2,9s; 3,9), pois segundo o seu Evangelho
foi abolida a distinção entre judeu e grego (Gl 3,28; Cl 3,11).
Ver “Pagão”.
GUILGAL
Lugar a leste de Jericó, onde foi erguido um monumento de pedra comemorando
a passagem dos israelitas pelo rio Jordão (Js 4,20). Guilgal tornou-se
um santuário e serviu como base para a conquista da Palestina (Jz 2,1;
1Sm 10,8; 13,8-15). Mas os profetas o rejeitaram por se ter tornado um centro
de idolatria (Am 4,4; Os 4,15; Mq 6,5). Havia outra Guilgal, nas montanhas de
Efraim, perto de Betel (Dt 11,30; 2Rs 2,1).
HADES
Nome grego para a morada ou região dos mortos, que corresponde ao hebraico
Xeol (abismo, ou infernos). O Hades é o lugar onde estão reunidos
todos os mortos, com repartições para bons e maus (Mt 12,40; At
2,27; Ap 6,9). O Hades terá fim com a ressurreição dos
mortos (Ap 20,14s): os bons irão para junto de Deus e os maus para a
geena, ou sofrimento eterno (Mt 25,46; Ap 19,20). Ver Sb 16,13; Br 2,17 e notas.
HASMONEUS
Nome dado à família e à dinastia dos Macabeus (167-63 aC).
A origem deste nome é discutida: pode vir do apelido dado por Flávio
Josefo ao avô de Matatias, ou do nome de um de seus filhos, Simão.
HEBRON
Antiga cidade de Judá, ao sul de Jerusalém (cf. 2Sm 2,1 e nota).
Fundada sete anos antes de Tânis, teria sido habitada pelos gigantes enaquitas
(Nm 13,22; Js 11,21-23 e notas). Abraão comprou ali um campo com uma
gruta, que se tornou o túmulo dos patriarcas (Gn 23; 25,7-11; 35,27s).
Em Hebron estava o santuário patriarcal de Mambré (13,18). Mais
tarde Hebron tornou-se cidade de refúgio (Js 20,7); Davi reinou ali durante
sete anos, antes de se apoderar de Jerusalém (2Sm 5,4-9).
HERANÇA
No sentido em que nós entendemos a palavra, o israelita herdava a propriedade
de seu pai (Lv 25,46). Mas a palavra hebraica “herdar”(nahal ) tem
um sentido mais amplo que em português. Israel recebe como herança
Canaã, que é propriedade do Senhor (Js 22,19), prometida aos patriarcas
(Gn 12,7). Canaã e o povo de Israel são herança de Deus,
sem que ele os tenha recebido de outrem (Ex 15,17; Dt 9,26-29). O sacerdócio
é a herança da tribo de Levi (Js 18,7). Quanto à legislação
sobre a herança, que passa de pais a filhos, ver Nm 27,1-19 e Dt 21,15-17.
No NT, além de seu sentido comum, o termo “herança”
assume um novo significado, porque a relação entre Deus e os homens
é vista como a existente entre pai e filho. Cristo é o herdeiro
de Deus (Hb 1,2) e os cristãos, como filhos de Deus, são “co-herdeiros
de Cristo”(Rm 8,17; Gl 3,29). Este direito de herdar, recebido no batismo
(1Pd 1,3-5), é garantido pelo Espírito Santo (Tt 3,5-7).
HERESIA
No AT existiam falsos profetas (1Rs 18,19-40; Jr 23,13; 1Rs 22,1-22). Eram os
que recomendavam meios humanos e estavam dominados por vícios; eram “cães
mudos” perante as injustiças (Is 28,7-22; Jr 14,13-16; 23,9-40;
Mq 3,5-11; Sf 3,4; Is 56,10).
No NT aparecem também irmãos que se separam da comunidade levados
por doutrinas estranhas a ela (1Jo 2,19; 2Cor 11,1-15; Ap 2,20-23).
Deus permite o aparecimento de hereges para a provação dos fiéis
(Mt 24,5; Jo 5,43; 2Tm 2,16-18), que os devem evitar (Dt 13,2-6; Jr 23,16; Mt
7,15s; Rm 16,17; 2Ts 3,14s; 2Tm 3,5; Tt 3,10s; 2Jo 10-11).
HERMON
Montanha de 2.814 m de altura, coberta de neves perpétuas, que forma
a parte norte da Palestina. Nela se venerava o deus Hermon (Baal-Hermon).
HERODES
No NT vários personagens levam este nome: Herodes o Grande (73-4 aC),
filho do idumeu Antípatro e de Kypros, filha de um rei árabe;
foi nomeado rei da Judéia pelos romanos no ano 40 aC. Foi um grande construtor:
construiu as cidades helenísticas de Sebaste (antiga Samaria), Cesaréia
Marítima, Antipátrida e reconstruiu o Templo. Foi um eficiente
administrador, mas muito cruel; por isso, e por ser amigo dos romanos e idumeu,
era odiado pelos judeus. Segundo Mt 2,16-18, massacrou os meninos de Belém.
Ao morrer, dividiu seu reino entre três de seus filhos: Arquelau, Antipas
e Filipe, chamados também Herodes. Ver “Agripa”.
HERODÍADES
Filha de Aristóbulo e Berenice, casada com Herodes Filipe, uniu-se ilicitamente
com Herodes Antipas. João Batista denunciou esta união e acabou
sendo decapitado por causa do ódio de Herodíades (Mt 14,1-12).
HERODIANOS
Gente da corte de Herodes Antipas, adversários de Jesus, ao lado dos
fariseus (Mc 3,6; 12,13).
HIPOCRISIA
É o esforço por aparecer como bom, sem o ser verdadeiramente (Mt
6,2-5.16; 22,18; 23,13-15.23-29; 1Pd 2,1).
Paulo censura Pedro pela sua duplicidade de comportamento (Gl 2,13-16).
Jesus chama “hipócrita” ao povo que não conhece os
sinais dos tempos (Lc 12,56; 13,15s). O mesmo chama aos fariseus que davam mais
importância às tradições humanas que à vontade
divina (Mt 15,2-7).
HITITAS (HETEUS)
População não-semita em Canaã (Gn 23,3; Ez 16,3),
cuja relação com os hititas da Ásia Menor é obscura.
Podem ter emigrado para Canaã, provenientes de alguma parte do império
hitita, que conheceu dois períodos de expansão: entre 1750 e 1590
aC e entre 1450 e 1200 aC.
HOLOCAUSTO
É o sacrifício no qual, excetuando a pele (Lv 7,8), a vítima
era inteiramente queimada ao fogo, para a glória de Deus, senhor da vida
(Ex 29,15-28; Lv 1,3-17; 1Sm 10,8 e nota). No templo oferecia-se diariamente
um holocausto pela manhã e outro pela tarde (Ez 46,13-15; Dn 8,11; 11,31).
Havia também holocaustos oferecidos por particulares: pela purificação
da mulher após o parto (Lv 12,6-8), do leproso curado (14,10-13) e do
nazireu (Nm 6,10-12).
HOMICÍDIO
É crime proibido (Gn 4,1-14; 9,6; Ex 20,13; 21,12-14; Dt 32,39; Mt 5,21-26;
Ap 21,8). Mas há a legítima defesa (Ex 22,2; Dt 19,11s; Js 10,16-26;
1Sm 15,2s; 1Rs 20,42; Rm 13,3s).
No NT Jesus aponta para uma perfeição maior: evitar as mínimas
ofensas que podem ser um primeiro passo para levar ao homicídio (cf.
Mt 5,22 e nota). O simples ódio ao irmão já é homicídio
(1Jo 3,15).
HONRAR
A Deus (Js 7,19; 1Sm 2,30; Ml 1,6; Jo 5,22s; At 12,23; 1Cor 10,31); a autoridade
civil (1Sm 10,24; Rm 13,7; 1Tm 6,1; 1Pd 2,17); a autoridade eclesiástica
(Eclo 7,31; Lc 10,16; Rm 13,4s; 1Tm 5,17-19); os pais (Ex 20,12; 21,17; Dt 5,16;
27,16; Eclo 7,27s; Mt 15,4).
HOREB
O monte onde Deus apareceu a Moisés na sarça (Ex 3,1-6), concluiu
a aliança com Israel e lhe deu a Lei, é chamado Horeb pelas tradições
eloísta e deuteronomista; mas as tradições javista e sacerdotal
lhe dão o nome de Sinai. Sobre as tradições ver Introdução
ao Pentateuco .
HOSANA
Grito de alegria para saudar a Deus ou ao rei, que significa “salva, ajuda,
por favor”. Era usado nas festas (Sl 118,25s), como Páscoa e Tabernáculos.
Jesus foi saudado com esta aclamação ao entrar triunfalmente em
Jerusalém (Mt 21,9.15).
HOSPITALIDADE
Virtude importante no mundo nômade (Gn 18,1-8; 19,1-8; Jz 19,16-24; Nm
35,9-34), um verdadeiro mandamento (Dt 10,18s; Is 58,7; Mt 10,40-42), gesto
de caridade cristã (Rm 12,13; 1Tm 3,2; Tt 1,8; Hb 13,2; 1Pd 4,9; 3Jo
5-8).
Havia ritos de acolhida, com oferta de pão e vinho (Gn 14,18-24), ação
de lavar os pés (Lc 7,36-46; Jo 13,1-15; 1Tm 5,10).
Acolher o pobre e o pequenino, os apóstolos e a Palavra, é acolher
a Cristo (Mt 25,35; Lc 9,1-6.46-48; Gl 4,14; 1Ts 1,6).
Cristo experimentou a hospitalidade humana: em casa de Simão Pedro (Lc
4,38), em Caná (Jo 2,2), em casa de Zaqueu (Lc 19,1-10), em casa de Lázaro,
Marta e Maria (Jo 12,2-3; Mt 21,17), em casa de Simão (Mt 26,6-7), em
casa dos discípulos de Emaús (Lc 24,29-30). Foi também
rejeitado pelo seu povo (Jo 1,11), pelos habitantes de Belém (Lc 2,7),
pelos seus conterrâneos (Lc 4,16-29; Mt 13,57s) e pelos samaritanos (Lc
9,53-56).
HUMILDADE
Não se identifica com a falta de caráter. Consiste em ter consciência
das próprias limitações, não apropriar-se dos dons,
valores, qualidades, reconhecendo que tudo se recebeu de Deus para o serviço
de todos os irmãos (Jo 1,16; Lc 18,9-14; Mt 10,8; 1Cor 4,7; Jo 3,27;
Tg 1,17; 1Cor 12,25-27).
O orgulho é o vício oposto à humildade. É o pecado
do ser humano (Gn 2,17; 3,3-6). É o pecado capital dos pagãos
(Is 10,13s; Gn 11,4-8; Sf 2,15).
Antíoco Epífanes encarna o orgulho dos poderosos (1Mc 2,49; 1,54-61).
É o Anticristo (Dn 9,27; 11,31; 8,11; 2Ts 2,4; 1Jo 2,18; Ap 12,3s; 13,1-8).
Deus exalta os humildes e rejeita os soberbos (Lc 1,52s; Pr 29,23; 2Sm 22,28;
Mt 23,12; Tg 4,6).
A humildade é condição indispensável para receber
o Reino de Deus (Mt 18,1-5; 19,13s; 5,5; Sl 37,8-18) e para entender os mistérios
do Reino (Mt 11,25; 1Cor 1,26-31).
Cristo, sendo Senhor, fez-se servo para curar o orgulho dos homens (Fl 2,5-11;
Mt 20,28; Jo 13,12-16; 2Cor 8,9). Ele é manso e humilde de coração
(Mt 11,29). Veja “Cristo, o Servo de Javé”.
IDOLATRIA
Só o Senhor Deus de Israel deve ser cultuado. Todo outro culto é
proibido e constitui idolatria (Ex 20,3-6; Dt 5,7-10). Israel acreditou na existência
de outros deuses (Jz 11,23s) e se deixou seduzir pelo culto a deuses cananeus,
assírios e babilônios (Nm 25,3; Jz 2,12; 1Rs 14,22-24; 2Rs 21,2-15).
Os deuses e suas imagens (cf. Dt 4,15-24 e nota) são invenção
dos homens (Br 6; Rm 1,23) e um grave pecado (Sl 96,5; Sb 13,1-5; Rm 1,23-25;
1Cor 5,10s). Também a cobiça de riquezas é idolatria (Cl
3,5; Ef 5,5). Ver “Culto” e “Prostituição”.
IDUMÉIA
Nome greco-romano de Edom. O território, porém, só abrange
a parte ocidental do antigo Edom (a oriental pertencia aos nabateus) e o sul
da Judéia, até Hebron. Pertencia à tetrarquia de Arquelau
e depois foi administrada pelos governadores romanos. Ver mapa do NT.
IMAGEM
Cristo é a imagem visível do Deus invisível (Gn 1,26s;
1Cor 11,7; Sb 7,6; 2Cor 4,1-6; Cl 1,15). O cristão é imagem de
Deus (2Cor 3,18; Cl 3,1-11; Rm 8,29; 1Cor 15,49). O homem e a mulher são
imagem de Deus (Gn 1,26s; 9,6; 5,1; 1Cor 11,7; Tg 3,9).
No AT é proibido fabricar imagens de Deus (Dt 4,9-28; 27,1-5; Ex 20,4).
Entretanto, Deus manifesta a sua glória, não através dos
bezerros de ouro (Ex 32; 1Rs 12,26-33), nem de outras imagens fabricadas pelos
homens, mas através da criação (Os 8,5s; Sb 13; Rm 1,19-23).
IMITAÇÃO DE CRISTO
O cristão deve assemelhar-se a ele (Mt 10,38; 11,29; 16,24; Jo 8,12;
12,26; 13,14-16; Fl 2,5; 1Pd 4,1; 1Jo 2,6; 3,16), a exemplo de Paulo (1Cor 4,16;
10,33; 11,1; Gl 2,19s; Fl 3,10s), na esperança da recompensa (Mt 10,22;
Jo 12,26; Rm 8,17; 2Tm 2,11s).
IMPOSIÇÃO DAS MÃOS
Na Bíblia, a mão significa poder (Ex 14,31; Sl 19,2; 1Rs 18,46;
Ez 3,14; 30,21). O gesto de impor as mãos criava uma relação
especial entre o sujeito e o objeto da ação, comunicando-lhe algo
da força do agente (Lv 9,22; Lc 24,50). É sinal de consagração
(Nm 8,10; Dt 34,9), símbolo de identificação com a vítima
do sacrifício (Lv 1,4; 3,2; 4,4). Servia assim para transmitir a culpa
(Lv 16,21) ou poderes (Nm 27,18-23); era usado para abençoar (Gn 48,14-20),
curar doentes (Mt 9,18; Mc 8,23; Lc 4,40; 13,13), abençoar crianças
(Mc 10,16).
Como Jesus, os discípulos também impunham as mãos para
curar os doentes (Mc 16,18; At 9,12; 28,8), comunicar o Espírito Santo
(At 8,17; 19,6) ou conferir um ministério ou missão (At 6,6; 13,3;
1Tm 4,14; 2Tm 1,6s).
IMPRECAÇÃO (MALDIÇÃO)
Fórmula composta de palavras próprias para amaldiçoar.
Os primitivos atribuíam a tais fórmulas um efeito mágico:
bastava pronunciá-las para se obter o resultado desejado. Israel também
conhece fórmulas de bênção ou maldição,
mas o efeito é atribuído ao poder de Deus (Gn 12,3). A maldição
uma vez pronunciada deve se cumprir (Js 6,26; 1Rs 16,34; 2Sm 21,3 e nota). Mas
Deus pode impedir que uma maldição seja pronunciada e transformá-la
em bênção, como no caso de Balaão (Nm 22,12; Dt 23,6).
Em alguns salmos o orante faz imprecações contra os que lhe causam
sofrimentos (Sl 109; 129). Tais salmos devem ser entendidos no contexto e mentalidade
daquele tempo. Jesus, porém, proíbe amaldiçoar os inimigos
ou perseguidores (Lc 9,51-56; 23,34); ao contrário, manda amar os inimigos
(Mt 5,44; Rm 12,14) para imitar a perfeição de Deus (Mt 5,45.48).
IMPURO
Ver “Puro-Impuro” e as notas de Lv 11,1-47 e 12,1-8.
INCREDULIDADE
De Israel (Nm 20,10; Dt 9,12-24; Os 10,2; 7,11s; Jr 2,4s).
Incredulidade frente a Jesus (Mt 11,20-24; 23,37s; 8,10; Lc 24,25.37-41; Mt
28,17; Mc 16,11-14).
A causa da incredulidade (Lc 16,27-31; Jo 3,19s; 5,44; 15,22; At 13,45s; Rm
10,14; 11,30-33; Fl 3,18s; 1Tm 1,13).
Israel não acredita em Cristo (Mt 21,42; 1Pd 2,4-7; Rm 9,2s; 11,13s;
1Jo 2,22s; 5,1-5; 5,10). Explicação cristã deste fato (Jo
12,37-40; Rm 9,1s; Is 53,1.6.9; Mc 4,12).
Conseqüências da incredulidade (Mc 16,16; Jo 3,18; 12,48; Hb 11,6).
INFERNO
O termo latino significa “lugar inferior”, “abismo”.
No AT conhece-se o lugar dos mortos (xeol), uma gruta subterrânea. Para
lá vão todos os mortos, bons e maus (Gn 37,25; Dt 32,22; 1Rs 2,6;
Jó 10,21s; Sl 9,18; 31,18; Is 38,10.18).
Com o progresso da Revelação foi-se esclarecendo o destino dos
bons e dos maus: os justos ressuscitarão para a vida (Dn 12,2; 2Mc 7,9-23;
Sb 5,15s; 6,18); os ímpios sofrerão castigo (Is 50,11; 66,24;
Sb 4,19) e ressuscitarão para o opróbrio (Dn 12,2; Is 50,11; Jt
16,17).
Na Bíblia aparece também a imagem da Geena, vale de Jerusalém,
lugar de culto idolátrico, lixeira da cidade, espécie de boca-do-lixo
(Jr 7,30-32; 19,6; Is 30,33; Mc 9,43).
O termo xeol é traduzido na versão grega dos Setenta por Hades
(Lc 16,23s; Ap 20,13s).
O Apocalipse fala-nos no “lago de fogo”, que é a segunda
morte, no qual a morte e o hades serão lançados (20,6.14; 21,8).
A descida de Cristo aos infernos significa a dimensão cósmica
do mistério pascal. O mundo era então imaginado como uma casa
com três compartimentos: gruta subterrânea – morada dos mortos:
rés-do-chão –morada dos homens; primeiro andar –palácio
de Deus. Pela sua sepultura, ressurreição e ascensão Cristo
penetrou em cada um destes três lugares (1Pd 3,18-20; Ef 4,8-10; At 2,24-31;
Rm 10,6s; 1Pd 4,5s). Esta “descida” é sinal do triunfo de
Cristo sobre a morte (Ap 1,18; 20,1).
Na mentalidade bíblica, as “águas inferiores”(infernais)
combateram contra Deus na criação (Jó 26,5-14; Mt 16,18).
Por isso, o cristão, ao ser submergido nas águas batismais, ritualiza
a sepultura de Cristo, descendo com ele aos infernos (Rm 6,3s; Cl 2,12). Ver
“Geena”, “Abismo”, “Xeol”.
INIMIGOS
Devemos amá-los (Mt 5,23-48; Lc 6,35; Rm 12,14-21). Cristo e Estêvão
perdoaram a quem os matava (Lc 23,34; At 7,60). Ver “Amor”.
INSPIRAÇÃO
Ver “Bíblia” e “Revelação”.
INVEJA
É vício detestável, que torna a pessoa incapaz de se alegrar
com um bem que é do outro (Ecl 4,4; Sb 2,24s; Mt 20,9-15; Gl 5,26; Fl
1,15; 1Pd 2,1; At 5,17; Tg 4,1s). Dá origem a contradições,
ultrajes e perseguições (At 13,45-50; 17,5); tem como conseqüência
a violência (Gn 4,4; 27,41; 37,3-5; Pr 14,30; Mt 27,18; Tg 3,14s).
IRA
A ira do homem pode ser justa e sã (2Sm 12,5; Ex 16,20; 32,19-22; Nm
31,14; Lv 10,16; Mc 3,5; At 17,16). Normalmente é má (Pr 14,17;
29,22; 15,18; Jó 18,4; Mt 5,22; Cl 3,8; Ef 4,31; Rm 12,19; Ap 11,18).
A ira de Deus é descrita no AT como ardor, fogo, tempestade (Sl 2,12;
83,16; Is 13,13; 30,27s; Jr 15,14; 30,23). Fala-se do cálice da ira divina
(Is 51,17; Ap 14,10), que Cristo teve de beber.
O dia do Senhor, anunciado para os tempos messiânicos, será um
dia de ira (Am 5,18-20; Sf 1,14-18; Ml 3,2s; Rm 2,5).
Paulo vê a imoralidade dos pagãos como um efeito da ira de Deus
(Rm 1,24-28); esta desencadeia-se também sobre Israel (Rm 11,25-32);
“todos são por natureza filhos da ira”(Ef 2,3; Rm 3,25s).
IRMÃOS DE JESUS
Passagens (Mt 12,47; 13,55; Mc 3,31; 6,3; Lc 8,19; Jo 2,12). São parentes
próximos (Gn 11,31; 13,8; 14,14; 16,12; 24,27; 31,23; Rm 9,3; Hb 7,5).
Ver as notas em Gn 29,4.12 e Mt 12,46-50.
ISMAELITAS
Tribo de beduínos, descendentes de Ismael, filho de Abraão, e
de sua concubina Agar (Gn 16,15s).
ISRAEL
Nome que Jacó recebeu depois que lutou com Deus (cf. Gn 32,23-33 e nota).
O nome passou aos seus descendentes e ao povo eleito.
JAFA (JOPE)
Antigo porto na costa mediterrânea da Palestina (Jn 1,3). Pedro ressuscitou
ali Tabita (At 9,36-43) e teve uma visão que o levou a batizar a família
do pagão Cornélio, em Cesaréia Marítima (At 10–11).
JAVÉ
Nome do Deus de Israel, revelado a Moisés (cf. Ex 3,14 e nota), que os
judeus evitam pronunciar.
JEJUM
É a abstinência total ou parcial de comida e bebida, e às
vezes de relações sexuais. Tinha o caráter de auto-humilhação
e acompanhava a oração. Era recomendada em grandes provações
(cf. Dt 9,18s; Ne 1,4; Jl 1,13s e nota), depois de um falecimento (2Sm 3,35)
ou para afastar calamidades (cf. Jn 3,8 e nota). A Lei mosaica conhece apenas
um dia de jejum oficial: o dia da Expiação (Nm 29,7; At 27,9).
Após o exílio se introduziram outros dias de jejum, comemorando
calamidades nacionais (Zc 7,3-19).
Os profetas mostraram a inutilidade da prática do jejum quando não
acompanhada da conversão (Is 58,1-5; Jr 14,12). Por isso os fariseus,
que jejuavam duas vezes por semana (Mt 9,14; Lc 18,12), foram criticados por
Jesus (Mt 6,16-18). Mas Jesus jejuou quarenta dias (Mt 4,2) e incluiu a prática
do jejum na vida normal da Igreja (Mc 2,18-20).
JERICÓ
A mais antiga cidade da Palestina, no vale do rio Jordão, 20 km ao norte
do mar Morto, que teria sido destruída por Josué (Js 6,1-10).
Jesus hospedou-se ali na casa de Zaqueu (Lc 19,1-10).
JERUSALÉM
A teologia bíblica vê em Jerusalém uma cidade eleita por
Deus (2Sm 5-7); torna-se um novo Sinai (monte Sião) com uma nova Lei
(2Rs 22; Sl 15,1-4; Is 2,3; Sl 68,16-18; 48,2-6); torna-se o centro cultual
de todas as tribos (Dt 12,1-14; 14,22-26).
Mas Jerusalém está longe de ser o ideal duma cidade celeste (Is
1,21-23; Jr 11,1-13; Ez 16; 23; Lc 19,41-47; 21,5-36; Mt 23,37-39); Deus pensa
na construção de uma nova Jerusalém (Ez 40–48; Zc
14,1s; Is 2,2-5; 60; At 2,1-11) que é Cristo e o seu Corpo que é
a Igreja (Jo 2,18-22; 1Cor 3,16-17; Ef 5,22-30; Ap 21–22; Gl 4,22-31).
Os cristãos viram na queda de Jerusalém (Mc 13; Mt 24) a realização
das convulsões cósmicas anunciadas para os tempos messiânicos.
Destruída Jerusalém no ano 70, os cristãos vêem na
Igreja a nova cidade de Deus (Gl 4,26; Hb 12,22; Ap 14,1 e 21,9-27).
Subia-se a Jerusalém em peregrinação porque era o lugar
do sacrifício (Dt 12,1–13,14; 14,22-26) e da manifestação
da glória de Deus (Sl 132,13-15; 134); é também a meta
da esperança escatológica; lá se reunirão todas
as tribos e nações (Is 60; 35,6-10; Jr 31,12-14; Ne 12,31-38).
Os evangelhos, sobretudo Lc 9,51s, organizam a vida de Jesus como uma subida
a Jerusalém (Mt 20,17-19; Mc 10,32-34). João escreve o seu evangelho
como uma sucessão de subidas a Jerusalém, prelúdios da
última e definitiva (Jo 2,13; 5,1; 7,1-10; 10,22s; 11,55s; 12,12).
Entrada em Jerusalém : Os profetas anunciam a entronização
do Rei messiânico no monte Sião (Sl 2,6; 110,1-3; Mq 4,1-3; Zc
8,20-22; 14,16-19).
Os evangelistas narram a entrada de Jesus nesta cidade como a entronização
do Rei messiânico, pobre e humilde (Zc 9,9; Mc 11,1-7; Lc 19,28-35). Os
cânticos e os ramos da multidão são os próprios da
Festa dos Tabernáculos que se realizava em setembro (Ne 8,14-18; Sl 118).
Zc 14,21 anuncia que não mais haverá comerciantes no Templo. Ver
“Sião”.
JESUS CRISTO
Ver “Cristo”, “Messias”.
JOÃO
Há cinco personagens bíblicos com este nome que significa “
o Senhor é favorável”:
1. João Batista, filho de Zacarias e Isabel, precursor de Jesus (Lc 1,57-80).
É de família aristocrático-sacerdotal (Lc 1,5-7; 1Cr 24,10;
Nm 18,9). É o novo Elias (Mt 3,1-3; 11,14 e nota; Lc 1,17; Ml 3,1-2.23;
Eclo 48,10). É o novo Samuel que deve ungir o Rei-Messias (Lc 1,7.15;
3,21s; 1Sm 1,5-11 e 16,12s). É o profeta-monge, separado do mundo (Mt
3,1; 11,7-10).
2. João Apóstolo e Evangelista, irmão de Tiago e filho
de Zebedeu. A ele se atribui a autoria do Quarto Evangelho, de três epístolas
e do Apocalipse. Junto com Pedro e Tiago forma o trio dos discípulos
prediletos de Jesus (Mc 9,2; 14,33), chamados “colunas da Igreja”(Gl
2,9).
3. João Marcos, companheiro de Paulo e Barnabé na primeira viagem
apostólica e autor do Segundo Evangelho (At 12,12.25).
4. João Hircano (135-104 aC), terceiro filho de Simão Macabeu
(1Mc 16,19-24).
5. João ou Jonas, pai do apóstolo Pedro (Mt 16,17).
JORDÃO
Rio formado por três nascentes (Bânias, Dã e Hasban) que
jorram aos pés do monte Hermon. Entra no lago de Genesaré (208
m abaixo do Mediterrâneo). Saindo do lago, atinge o mar Morto (a 394 m
abaixo do nível do mar), 110 km ao sul, depois de percorrer 320 km de
sinuosas curvas. No trajeto recebe alguns afluentes, como o Jarmuc e o Jaboc
pela margem oriental. Embora não muito largo, são poucos os vaus
que permitem atravessá-lo a pé.
JUBILEU
Ver “Ano Jubilar”.
JUDAS
Há seis personagens bíblicos com este nome:
1. Judas, o terceiro filho de Matatias (1Mc 2,4), apelidado o Macabeu (maqqabah
= martelo) por causa dos duros golpes infligidos aos inimigos do povo de Deus
(1Mc 3-6).
2. Judas o Apóstolo, identificado como Tadeu (Mt 10,3; Lc 6,16;).
3. Judas, “irmão de Jesus”(cf. Mc 6,3; Mt 12,46-50 e nota).
4. Judas, que morava em Damasco, com o qual Paulo se hospedou depois da conversão
(At 9,11).
5. Judas Iscariotes, que traiu Jesus (Mt 10,4).
6. Judas o Galileu, que provocou uma revolta contra Roma (At 5,37).
JUDÉIA
Denominação helenística e romana para a parte da Palestina
habitada por judeus. No NT em geral é o distrito que, junto com a Samaria
e a Iduméia, formava a província romana da Judéia (Lc 3,1).
A capital era Jerusalém, mas os governadores romanos moravam habitualmente
em Cesaréia Marítima (At 23,33). Ver mapa do NT.
JUIZ
Título dado aos líderes que libertaram Israel da opressão
inimiga, ou o governaram entre Josué (1200 aC) e o início da monarquia
(1030 aC). Ver a Introdução ao livro dos Juízes e as notas
em Ex 18,13-27 e Jz 2,18.
JULGAMENTO (JUÍZO)
. As questões judiciais na sociedade israelita se resolviam diante de
testemunhas (os anciãos) ou eram levadas à decisão de um
juiz (Dt 1,16s). Podia-se também recorrer a um tribunal superior, seja
ao templo (17,8-13), seja à decisão divina dada pelo ordálio
(cf. Nm 5,11-31 e nota). O rei podia também julgar questões (1Rs
3,16-28). Para contornar os abusos nos julgamentos (cf. Sl 58; 94) foram estabelecidas
normas legislativas (Ex 23,1-9; Dt 16,18s).
A ação de Deus na história é apresentada como um
julgamento. Deus ora liberta seu povo ora o pune por causa das infidelidades
(Dt 32,36; Jr 30,11-13). O julgamento de Israel e das nações se
dará no dia do Senhor (cf. Am 5,18 e nota). No NT o julgamento é
relacionado com Jesus (Jo 3,17-21; 8,15; 12,31). O cristão deve viver
na expectativa do julgamento do último dia, que marcará o triunfo
definitivo de Cristo (Mt 25,31; 1Ts 4,16; 2Ts 2,3-10). Ver “Parusia”.
JUSTIÇA (JUSTO)
A justiça no AT não é apenas distributiva, que consiste
em “dar a cada um o seu”(cf. Ex 23,6-8; Dt 25,15) ou cumprir os
deveres cívicos, mas inclui também a perfeição moral
religiosa. Ser justo é não cometer maldade (Sl 15,2), agir de
acordo com a vontade de Deus (Gn 6,9; Ez 14,20; 18,5), respeitar o direito dos
fracos e dos pobres (Is 28,6; Am 1,3–2,8; 5,7). Praticar a justiça
é amar ao próximo (Mt 25,37.46; 1Jo 3,10). Sem a prática
da justiça o culto perde seu significado (Sl 50; Is 1,10-20; Eclo 34–35).
Só conhece a Deus quem pratica a justiça (Jr 22,16).
Deus é justo enquanto age de acordo com a sua própria natureza.
Ele pune os inimigos do povo eleito (Dt 33,21) e os pecadores de Israel (Am
5,20; Is 5,16), mas também é fiel às suas promessas de
salvação (Rm 1,17), tornando o homem agradável a Deus pela
graça (3,5.20-30).
No NT são chamados “justos” os que no AT esperavam o Reino,
observando a Lei (Mt 1,19; 21,32; Mc 6,20; Lc 23,50; At 10,22.35). A justiça
cristã é ainda conformidade com a Lei (Ef 6,1; Rm 2,12-14.25s;
Mt 5,20–6,1; 23,4-7; Fl 4,8; 1Ts 2,10). Devido ao pecado, a Lei torna-se
insuficiente para conseguir a justiça (Rm 3,20s; 7,7-13; Gl 3,15-22).
Cristo é o único modelo desta justiça (Hb 1,8; 1Jo 3,7;
1Pd 2,21): realizando-a com a sua morte e ressurreição (1Pd 3,18-22;
At 3,15; Rm 5,18; 1Cor 1,30; 2Cor 5,21).
A justiça cristã torna-se assim um dom de Deus através
de Cristo (Rm 3,21-31; 5,1-10; Fl 3,9), é um estado novo e permanente
(Ef 4,20-24; 2,15), é uma participação na filiação
divina (1Jo 2,29; 3,7-10; Rm 8,28-30). O Espírito Santo substitui a Lei
como princípio interior de retidão: é a Lei da liberdade
(Rm 8,2-11; Tg 1,25; 2,12). E um estado de santidade (Rm 6,19; 1Cor 1,30; Rm
1,17; Fl 3,9s). Esta justiça tem como fruto as “obras da luz”(Ef
5,9-11; 6,14-18; Fl 1,9-11; 2Tm 2,22).
JUSTIFICACÃO
Justificar é declarar alguém inocente (Dt 25,1; Is 5,23). O plano
de Deus é justificar a muitos homens por meio do sofrimento de seu Servo
(Is 53,11). Jesus veio para justificar os pecadores (Mt 9,13). A justificação
se obtém não pelas boas obras mas pela fé em Jesus Cristo
(Rm 3,21–4,25; Gl 2,15s; Ef 2,1-12). É um dom gratuito de Deus
em Cristo (Rm 3,23-25; 4,5-8; 5,9-11.18-21; Tt 3,7). É efeito da obediência,
da morte e ressurreição de Cristo (Rm 5,19; 3,24s; Gl 2,21). Supõe
um ato de fé (Rm 3,26-30; 5,1; 10,6; Gl 2,16-21; 3,6-12) e recebe-se
no batismo (Tt 3,5-7; Rm 6,1-14; Ef 4,22-24). Justificado, o homem recebe o
perdão dos pecados e participa da vida divina pela graça.
LEI DE MOISÉS
Ou Lei de Deus (Js 24,26), é o conjunto das leis e prescrições
religiosas e civis colecionadas nos cinco livros de Moisés ( Pentateuco),
atribuídos a Moisés. Estes livros, que constituíam a parte
básica da leitura e instrução nas sinagogas, contêm,
além de coleções (Ex 25–31; 36–40; Lv 1–16;
23–27; Nm 1–10; 17–19), alguns códigos mais amplos:
Código da Aliança (Ex 20,23-23,19), a Lei de Santidade (Lv 17–22)
e o Código Deuteronômico (Dt 12–26).
Além destas leis escritas, os fariseus observavam a tradição
oral, a Mixná, também atribuída a Moisés.
Posição de Jesus perante a Lei de Moisés: Jesus não
veio para abolir a Lei de Moisés mas cumpri-la no seu essencial (Mt 5,17).
Observa a Lei (Jo 2,13; 5,1; 7,10; Mt 26,17-19; Lc 22,7-15). Jesus, porém,
além de criticar o abandono da Lei de Moisés por parte dos fariseus
em favor de suas tradições (Mt 15,2-9), contesta a própria
Lei (Mt 12,1-8.9.14; Lc 13,1-17; Jo 5,9-12; Mc 1,41; 7,14-23; Lc 7,14; Mt 5,21-48).
A atuação de Cristo frente à Lei é um esforço
por tirar as conseqüências da sua redução ao amor de
Deus e do próximo (Mt 7,12; 22,34-40; Mc 12,28-34; Lc 10,25-29).
Posição de Paulo perante a Lei: A polêmica que aparece em
At 7,1-53; 10,1–11,18 atinge o seu ponto culminante com o apóstolo
dos pagãos (Gl 1,16; At 15,1-33): somos justificados não pelas
obras da Lei mas pela fé em Cristo (Rm 3,20-28; Gl 2,16-21; 3,11). A
Lei não justificou nem a judeus nem a gentios (Rm 2,12-24). A Lei era
transitória (Rm 5,20; 7,1-6; Gl 2,19; 3,13).
A Lei de Cristo (1Cor 9,21; Gl 6,2) é a “plenitude” da Lei
mosaica (Rm 13,8-10). É a pessoa de Cristo (Ef 4,20). É a lei
do Espírito (Rm 8,2). É a lei da liberdade (Gl 5,1.13), a lei
da fé (Rm 3,27). É o mandamento novo (Jo 13,34; 15,12; 1Jo 3,23).
Além da Lei de Moisés e da Lei de Cristo existe a Lei natural
(At 14,16; Rm 1,19s; 2,14s).
LEITE E MEL
São produtos naturais da terra de Canaã, obtidos sem muito trabalho.
Por isso a Terra Prometida é descrita, em oposição ao deserto,
como “terra onde corre leite e mel”(Ex 3,8; Nm 13,27; Dt 6,3). Leite
e mel simbolizam as bênçãos divinas da Terra Prometida.
A abundância de leite é sinal de prosperidade e riqueza e imagem
da felicidade dos tempos messiânicos (Jl 4,18; Is 55,1; 60,16).
LEPRA
Duvida-se que esta palavra nas traduções bíblicas indique
a mesma doença que nós hoje conhecemos por lepra ou “mal
de Hansen”. De fato, “lepra” nas versões da Bíblia
traduz o termo hebraico sara‘at, que inclui qualquer doença de
pele e mesmo manchas em paredes ou roupas (cf. Lv 13–14 e notas).
Não se justifica, pois, pela Bíblia o ostracismo social em que
nossa sociedade coloca os “leprosos”(hansenianos). O motivo pelo
qual na Bíblia se isola o “leproso” não é o
medo de um contágio por algum bacilo, mas o da impureza ritual (puro-impuro).
Cristo curou o leproso tocando-o com a mão (Mc 1,40-45), sem temor algum
de contágio ou impureza, mostrando assim que a impureza que contamina
é aquela que vem do coração (Mc 7,15-23).
A lepra (hanseníase ou hansenose) que nós hoje conhecemos é
uma enfermidade crônica, moderadamente contagiosa, com alterações
principalmente na pele e nos nervos periféricos. Primeiros sinais: manchas
mais claras na pele que se caracterizam pela “dormência”(insensibilidade
à dor, ao frio e ao calor); aos poucos as inflamações nos
nervos periféricos vão produzindo deformidades nas extremidades
(mãos e pés). Hoje a ciência descobriu vários remédios
que curam ou interrompem o processo da doença, sobretudo se a assistência
médica for logo procurada. Feito o tratamento adequado a pessoa pode
voltar ao seu trabalho e ao convívio familiar, sem perigo nenhum de contágio.
É, pois, um preconceito desumano, destruidor da fraternidade e nada cristão
negar emprego ou vaga na escola a um hanseniano, ou, pior ainda, rejeitá-lo
do convívio familiar.
LEVIRATO
O termo vem do latim levir, “cunhado”. Normalmente o casamento entre
cunhados era proibido (Lv 18,16; 20,21). Mas a lei do levirato obriga o cunhado
a casar-se com a cunhada, quando esta ficou viúva sem ter tido um filho
homem (cf. Dt 25,5s e nota). O primeiro filho desta união era considerado
filho e herdeiro do falecido. A finalidade principal de tal matrimônio
era conservar o nome do falecido e a propriedade dentro do clã (cf. Gn
38; Rt 4,3-5; Mt 22,24 e notas).
LEVITA
Na tradição israelita é um membro da tribo de Levi, o terceiro
filho de Jacó e Lia (Gn 29,34; 35,22-26). Mas originariamente “levita”
era alguém que exercia funções sacerdotais. Com o tempo,
todos os que exerciam funções sacerdotais foram identificados
com a tribo de Levi. Mais tarde, quando o sacerdócio de Jerusalém
passou a ser considerado o único legítimo, os sacerdotes que exerciam
as funções fora de Jerusalém foram degradados à
função de auxiliares do culto (1Cr 23,4-6). Ver as notas em Nm
3,11-13; 8,10-12; 18,20-25.
LIBAÇÃO
Rito complementar de um sacrifício, que consistia em derramar azeite,
água e vinho em torno do altar (Gn 35,14; 2Sm 23,16; Dt 32,38). Paulo
usa o termo em sentido figurado (Fl 2,17; 2Tm 4,6).
LÍBANO
Cadeia montanhosa ao norte da Palestina. O nome vem de laban, que significa
“ser branco”, e alude aos picos cobertos de neve (Jr 18,14).
LIBERDADE
Cristo nos libertou da Lei mosaica (Rm 6,17-23; 7,1-6; Gl 4,4-31; Lc 4,18s).
Consiste na libertação do pecado (Jo 8,31-36; Rm 6,22; Gl 5,1.13;
Tg 1,25; 2,12; 1Pd 2,15s). Vem pela fé em Cristo (Rm 6,17-23; Gl 4,21-30).
Onde age o Espírito aí há liberdade (Rm 8,2; 2Cor 3,17);
a liberdade tem limites (Gl 5,13-26).
LIBERTAÇÃO
Ação pela qual uma pessoa ou um povo são tirados da escravidão,
tornando-se livres. No AT o povo de Deus passou por duas experiências
históricas de libertação: da escravidão do Egito
(cf. Ex 3,12; 19,1–24,11) e do cativeiro da Babilônia. No NT a libertação
não é uma experiência político-temporal, mas sobretudo
espiritual. Só Cristo pode libertar a pessoa humana (Jo 8,32-36; Rm 6,18-22)
da Lei, do pecado e da morte (7,3-6; 8,2), para colocá-la a seu serviço
e ao de seus irmãos (1Cor 7,21s; 9,19).
MACEDÔNIA
Região na costa setentrional do mar Egeu, habitada pelos macedônios,
que corresponde à metade da atual Grécia e Albânia. É
a terra de Alexandre Magno (1Mc 1,1). Mais tarde, como província romana,
foi visitada por Paulo, na segunda e terceira viagens missionárias (At
16,9-12; 18,5; 20,1-3).
MADIANITAS
Coligação de tribos árabes (Gn 25,2) cujas pastagens estavam
ao leste do Golfo de Ácaba. Às vezes penetravam até a planície
de Jezrael (Jz 6–7) ou se empregavam como guias de caravanas (Gn 37,28.36).
Moisés casou-se com a filha de um sacerdote madianita (cf. Ex 2,15-21
e nota) e instituiu juízes a conselho do sogro (18,13-27). Mas houve
também choques armados com os madianitas, pouco antes de Israel entrar
em Canaã (Nm 25,6-18; 31,1-12).
MÃE
Ver “Mulher”.
MAGOG
Filho de Jafé (Gn 10,2), antepassado dos povos do Norte que viviam junto
ao mar Negro. Nos textos apocalípticos simboliza os inimigos de Israel
(Ez 38,2; 39,6; Ap 20,7-9).
MAGOS
Originariamente eram uma tribo meda, que desempenhava funções
sacerdotais na religião persa. Como tais sacerdotes se dedicavam à
astronomia, astrologia e forças ocultas, mago passou a ser sinônimo
de feiticeiro (At 8,9-11; 13,6-8). Os sábios do Oriente que vieram adorar
o menino Jesus são chamados “magos”(Mt 2,1-12).
MAL
Problema do mal: Solução anterior à religião hebraica:
dualismo, princípio do bem e princípio do mal (Sl 103,5-9; Jó
26,12; Ap 20,1-13). Certos textos atribuem a Deus o mal (1Sm 16,14-23; Am 3,6).
Outra solução vê a causa do mal no pecado pessoal (Gn 3,16-19;
1Rs 8,33-46; Jr 4,1-22; Jó 4,6-5,7; Ecl 8,10-14). Esta solução
é insuficiente pois muitos justos, sem pecado, sofrem (Ez 18,2-28; Jo
9,1-3).
Solução-compensação: os que sofrem nesta vida serão
felizes na outra (2Mc 7,9-36; Sb 3,1-9; Lc 16,19-26; 6,19-26; 1Cor 15,1-34).
Outra solução faz do sofrimento um castigo educativo (Os 2,4-19;
Jr 31,18-20; Dt 4,25-32).
Ainda uma outra solução complementar das anteriores: o sofrimento
expiação (Dt 8,2-6; Pr 3,11s; Jó 5,17-19; 33,19-28; 2Cor
5,1-5.18-21; Gl 3,10-13; Hb 2,9-18; 12,5-12; Rm 3,25s).
Cristo aceita livremente fazer-se instrumento de salvação dos
seus irmãos pelo sofrimento (Mt 20,17-28; 1Pd 2,21-25; Ef 5,1-9; Rm 8,18-21;
2Cor 5,1-5). Desde então o sofrimento de cada homem participa no de Cristo
(2Cor 6,1-10; Cl 1,24).
MALDIÇÃO
Ver “Imprecação”.
MANÁ
Nome de alimento miraculoso que sustentou a caminhada de Israel pelo deserto.
Sobre a origem e natureza do “maná”veja as notas em Ex 16,15
e Nm 11,7-9. O maná tornou-se símbolo da providência divina,
do alimento dos tempos messiânicos e da Eucaristia (Jo 6,31; 1Cor 10,1-22;
Hb 9,4; Ap 2,17).
MANUSCRITO
Como a imprensa é uma invenção moderna (1450), os livros
antigos eram escritos à mão, donde “manuscritos”.
Escrevia-se em tiras de couro ( pergaminho) ou papiro produzido no Egito, que
eram enroladas, formando um rolo, ou dobradas para formar um códice.
MÃO (DE DEUS)
Simboliza o poder soberano e terrível de Deus (Dt 3,24; Jó 19,21;
1Pd 5,6), que intervém neste mundo (Sl 31,6-16) e domina a história
dos homens (Ex 13,3.14; 1Sm 5,9; At 4,28-30). O Pai entregou todo o poder nas
mãos de Jesus (Jo 3,35; 13,3).
MARIA
Conhecem-se várias Marias na Bíblia: 1. Maria Madalena, curada
por Jesus, que assistiu sua morte e sepultura e o viu ressuscitado (Lc 8,2;
24,10; Jo 20,1.11.16).
2. Maria, mãe de Tiago Menor e José (Mc 15,47; Mt 27,56.61; Lc
24,10).
3. Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro (Lc 10,39.42;
Jo 1,11-12,3).
4. Maria, mãe de Marcos (At 12,12).
5. Maria, uma cristã de Roma (Rm 16,6).
6. Maria, ou Míriam, irmã de Moisés (Nm 26,59).
7. Maria, mãe de Jesus (Mt 1–2; Lc 1–2).
MARIA (MÃE DE JESUS)
É a cheia de graça (Lc 1,28): Indica a beleza e a fidelidade da
esposa (Eclo 26,13-15).
Maria, Filha de Sião : Os profetas convidaram a Filha de Sião
a “alegrar-se” pela presença do Messias (Sf 3,14-18; Zc 2,14;
Is 12,6). Lucas (1,28-38) saúda a Virgem com um grito de alegria. Em
At 1,12-14, onde se narra o nascimento da “Nova Sião”(a Igreja),
Maria encontra-se presente.
Maria, a bendita entre as mulheres (Jz 5,24; Jt 13,17s; Lc 1,42). A aliança
de Deus com Abraão é fonte de bênçãos (Gn
12,2s; 13,16; 15,5; 17,2-6; 22,17). Deus abençoará o fruto das
entranhas daqueles que lhe são fiéis (Dt 7,12s; Lc 1,42).
Maria, Arca da Aliança : A expressão “o Senhor está
contigo”(Lc 1,28) é uma fórmula da Aliança. Deus
está com Maria como esteve com Abraão, Isaac, Jacó, Moisés,
etc. (Gn 26,3.24; 31,3; Ex 3,12; 2Sm 7,9; Jr 1,6-8; Dt 20,1-4; Is 7,14; 41,8-14;
43,1-5).
Maria, mãe do Messias, Servo Sofredor (Gn 3,15-17; Is 7,14; Mq 5,1-15;
Mt 1,23; Jo 19,25-27; Ap 12).
Cântico da Serva do Senhor: No Magnificat distinguem-se três coisas:
o cântico de vitória e de louvor (Lc 1,47-49); o cântico
dos pobres de Javé (Lc 1,50-53); o cântico da Aliança com
Abraão (Lc 1,54s; Gn 15,5s; Hb 11,8-19).
MAR MORTO
Mar interno da Palestina, onde desemboca o rio Jordão. Suas águas
contêm 25% de sais minerais, não permitindo a existência
de nenhuma forma de vida. Tem cerca de 80 km de comprimento por 15 de largura
e está a 394 m abaixo do nível do mar. Na parte sul do mar Morto
estavam, provavelmente, localizadas as cidades de Sodoma e Gomorra. A noroeste
do mar Morto, no deserto de Judá, foram descobertos antigos manuscritos
da Bíblia, relacionados com as ruínas do mosteiro de Qumrân.
MAR VERMELHO
Tradução grega da expressão hebraica “mar dos Juncos”(yam
suf). Foi identificado, no passado, com o Golfo de Suez ou o Golfo de Ácaba
(Nm 14,25; 21,4; Dt 1,40), que teria sido atravessado pelos israelitas a pé
enxuto, depois de saírem do Egito. Hoje se admite que o “mar dos
Juncos” tenha sido uma pequena enseada do mar Mediterrâneo (mar
Sirbônico), ou a zona pantanosa do norte do Delta do Nilo (cf. Ex 10,19;
14,21-31 e notas).
MATEUS
Um dos doze apóstolos, identificado com Levi, filho de Alfeu, cobrador
de impostos (Mt 9,9; Mc 2,14). É considerado como o autor do Primeiro
Evangelho. Ver a Introdução ao Evangelho de Mateus.
MATRIMÔNIO
Tem dupla finalidade: a ajuda mútua (Gn 2,18-24; Tb 8,5-8; Eclo 40,23;
1Cor 7,1-9) e a procriação (Gn 1,28; 9,1; Tb 8,9; Mt 22,24-28).
A Lei permitia o divórcio (cf. Dt 24,1-4 e nota) e a poligamia (cf. Gn
4,19 e nota); mas Jesus condena ambas as práticas (Mt 5,32; 19,9; Mc
10,2-10; Lc 16,18; Rm 7,2s; 1Cor 7,10s.39) e exalta o valor do celibato por
causa do Reino dos Céus (Mt 19,12; Lc 18,29).
Aliança entre Deus e Israel é comparada com a relação
existente entre os esposos (Os 1–2; Is 54,5-7; Jr 2,2; Ez 16,6-14; Sl
45; Ct 1,8). Deus é o esposo fiel e ciumento (Jr 31,3s; Ct 8,6; Is 62,3-5).
Jesus se apresenta como o esposo da nova aliança (Lc 5,33-39; Jo 3,28-30;
Mt 22,1-14; 25,1-13; Ap 19,7s; 21,1s).
Nesta linha, Paulo vê na união matrimonial um sacramento (sinal)
da relação entre Cristo e a Igreja (Ef 5,23-33).
MEDIADOR
É o intermediário entre duas partes que procuram entrar em acordo.
As religiões sentem necessidade de mediadores entre Deus e os homens.
Moisés (Nm 14,13-20), os anjos, os reis, os profetas e sacerdotes exercem
esta função no judaísmo. As mediações do
AT são insuficientes (2Cor 3,6-9; Rm 7,7-13; Gl 3,10s; Hb 10,1-11) para
colocar o homem em comunhão com Deus. Jesus é o único verdadeiro
mediador (1Tm 2,5; Hb 8,6; 9,14s), solidário com os homens (5,7-9), pelo
qual temos acesso ao Pai (9,11-25; 12,24).
MELQUISEDEC
Rei e sacerdote que ofereceu pão e vinho após a vitória
de Abraão sobre os seqüestradores de Ló (cf. Gn 14,18-20
e nota). É considerado uma figura de Cristo (Hb 5,6.10; 7,1-18), eterno
sacerdote.
MEMORIAL
É a parte dos sacrifícios de cereais que, com ou sem incenso,
é queimada pelo sacerdote no altar, em combinação com a
oferta de comestíveis (cf. Lv 2,2 e nota), sendo o restante reservado
à manutenção dos sacerdotes. É, pois, a parte do
sacrifício que pertence exclusivamente a Deus: a oferta faz Deus lembrar-se
do homem, ou leva o homem a lembrar-se de Deus, a quem pertencem todos os sacrifícios.
MENTIRA
É proibida (Ex 23,7; Pr 12,22; Mt 5,37; 12,35-37; Jo 8,44; Ef 4,25; Cl
3,9); é perniciosa (Pr 19,9.22; Eclo 20,24-26; Ap 22,15); veracidade
(Zc 8,16; Jo 1,47; Rm 9,1; 1Cor 13,6; Gl 1,20).
MERECIMENTO
Nosso (Eclo 16,14; Jr 25,14; At 3,12; 1Cor 3,3); de Cristo (Jo 1,17; 3,16s;
15,5.8; Rm 3,23s; 5,8-10.20; 6,23; Ef 1,2; Fl 2,8; Cl 1,14).
MESSIAS
É “o ungido”, o rei elevado à sua dignidade por uma
unção com óleo (1Sm 10,1; 16,13; 2Sm 2,4; 1Rs 1,39). O
termo é também aplicado a Ciro, rei dos persas (Is 45,1). Pela
unção a pessoa passa a gozar de uma relação especial
com Deus e participa de sua autoridade (cf. 1Sm 24,7; 2Sm 1,14). O Sumo Sacerdote
também era ungido para exercer sua função (Lv 4,3-16; 6,15).
O termo “ungido” passou a designar o futuro rei (Dn 9,25s), descendente
de Davi, esperado pelos judeus (Mc 10,47s). Em grego, Cristo corresponde ao
hebraico “Messias”(Jo 1,41; 4,25), tornando-se um título
de Jesus (Rm 1,1).
MIDRAXE
Exposição e ilustração da Sagrada Escritura, em
uso no judaísmo, que visa aplicar o texto para o momento presente, exortando
a bem viver (cf. Ez 16; Is 60–62; Sl 78).
MILAGRE
Os judeus tinham um conceito de milagre bastante diferente do nosso. Todas as
manifestações de Deus, na natureza e na história, eram
para eles maravilhosas (Sl 138,14; Jó 5,9). Atribuem a Deus todos os
acontecimentos, como a derrota dum inimigo, um vento impetuoso, um rumor de
passos (1Sm 14,22s.45; Gn 24,12-21; Ex 14,21-23; 2Sm 5,24). A história
do povo eleito, no seu conjunto, é um milagre (Ex 7,10-13; Ne 9,20s;
1Rs 18,18-40; Is 7,10-14).
Também os magos faziam milagres (Ex 7,10-23; 8,1-15; 9,8-26; Nm 22–24).
No entanto, os milagres só são sinais de Deus se houver fé
(Ex 7,3-9; Dt 4,34; 6,22).
A essência do milagre na Bíblia está em ser ele um sinal
do poder e da misericórdia de Deus (cf. Dt 13,2-6 e nota). O que importa
é esta função de sinal e não o fato de estar acima
das assim chamadas “leis da natureza”. Aliás, o israelita
não distinguia entre causalidade natural e ação direta
de Deus (Sl 19,1-7; 104; 135,6s; Jó 38). Por isso não distinguia
entre sinais “naturais” e “sobrenaturais”. Também
os milagres de Jesus são vistos como sinais da bondade divina, que provocam
experiências de salvação (Mt 12,38s; Mc 8,11s) e levam a
crer na doutrina e na pessoa de Jesus (Jo 2,11.18.23). Os milagres são
sinais do Reino de Deus que vence a Satã (Mt 12,28; At 2,22; 10,38).
MILAGRES DE JESUS
–Cego: Mc 8,22.
–Cego Bartimeu: Mc 10,46.52; Lc 18,35.
–Cego de nascença: Jo 9.
–Criado do oficial romano: Mt 8,13; Lc 7,1s.
–Curas em massa: Mt 4,23; Mc 1,34; Lc 8,2.
–Figueira amaldiçoada: Mt 21,19; Mc 11,13.
–Filho do oficial romano: Jo 4,46.
–Hidrópico: Lc 14,2.
–Jesus aparece no lago de Tiberíades: Jo 21,1.
–Jesus caminha sobre as águas: Mt 14,25.
–Jesus envia o Espírito Santo: At 2,1s.
–Jesus passa incólume pelos inimigos: Lc 4,29s.
–Jesus passa por portas trancadas: Jo 20,19.
–Leprosos (dez): Lc 17,12.
–Mão seca: Mt 12,10.
–Mulher encurvada: Lc 13,11.
–Mulher que sofria de hemorragia: Mt 9,20; Mc 5,25; Lc 8,43.
–Multiplicação dos pães, primeira: Mt 14,19; Mc 6,43;
Lc 9,12; Jo 6,10; segunda: Mt 15,32; Mc 8,5.
–Orelha de Malco: Lc 22,50.
–Paralítico: Mt 9,2; Mc 2,3; Lc 3,18.
–Pesca milagrosa: Lc 5,5-10.
–Possessa, filha da mulher cananéia: Mt 15,22; Mc 7,24.
–Possessa, Maria Madalena: Mc 16,9; Lc 8,2.
–Possesso: Mc 1,23; Lc 4,31s.
–Possesso cego e mudo: Mt 12,22.
–Possesso, menino: Mt 17,14; Mc 9,16s; Lc 9,38.
–Possesso mudo: Mt 9,32; Lc 11,14.
–Possessos de Gérasa: Mt 8,28; Lc 8,30.
–Ressurreição: Mt 28,2; Mc 16,1; Lc 24,1; Jo 20,1.
–Ressuscita a filha de Jairo: Mt 9,25; Mc 5,41; Lc 8,54.
–Ressuscita Lázaro: Jo 11,1s.
–Ressuscita o jovem de Naim: Lc 7,11.
–Sogra de S. Pedro: Mt 8,15; Mc 1,31; Lc 4,38.
–Surdo-mudo: Mc 7,32.
–Tempestade no lago: Mt 8,24; Mc 4,37; Lc 8,22.
–Transfiguração: Mt 17,2; Mc 9,1s; Lc 9,28.
–Trevas na morte de Jesus: Mt 27,45; Mc 15,33; Lc 23,44.
–Vinho feito de água em Caná: Jo 2,1-11.
MINISTÉRIOS
Ver “Carisma”, “Bispo”, “Sacerdote”, “Diácono”.
MISERICÓRDIA
O termo hebraico “hesed ”(misericórdia) designa todos os
laços que ligam os membros de uma comunidade: favor, benevolência,
afeto, bondade (Gn 20,13; 47,29; 1Sm 20,8-15; Sl 36,6-11).
No começo da aliança fala-se exclusivamente da misericórdia
de Deus, no sentido de amor gratuito (Dt 7,7-13; 9,4-6; Ez 16,3-14; 2Sm 7,12-15;
Is 54,10; Dn 9,4).
Misericórdia de Deus é amor aos mais pobres, entre os quais sobressaem
os pecadores (Is 14,1s; 49,13-15; Lc 10,29-37; Jo 10,1-21; Ex 34,6s; Is 27,11;
30,18; Lc 7,36-50; 15,1-32).
Esta graça e misericórdia de Deus corporizam-se em Cristo (2Cor
5,18-21; 8,9; Gl 2,21; Hb 2,5-13; Ef 2,4-7; Cl 2,13s; Tt 2,11; 3,4).
A misericórdia do homem, como resposta à misericórdia de
Deus, é mais importante que os atos de culto (Os 6,6; Mt 5,7; 9,10-13;
12,1-7; 23,23; Lc 10,29-37; 6,36-38; 13,6-9; 15,1-32).
MISSA
Ver “Eucaristia”.
MISSÃO
Deus enviou seu Filho a este mundo para salvá-lo e lhe dar a vida (Jo
10,36; 16,27s; 6,38; Lc 4,18; 19,10). O Pai e o Filho enviam o Espírito
Santo (Jo 14,16; At 2,1-11). Jesus enviou os apóstolos pelo mundo para
continuarem a sua missão (Mc 3,13; 16,15s; Mt 10,1-42; 28,18s; Jo 20,21).
MISTÉRIO
No mundo grego “mistério” eram cerimônias religiosas
secretas, nas quais tomavam parte apenas pessoas iniciadas. “Mistério”
tem o sentido geral de “coisa oculta, obscura, secreta”. No NT o
termo é usado não tanto no sentido de algo incompreensível
à razão, mas como revelação: “Mistério”
são as ações de Deus para estabelecer o seu reino (Mt 13,35;
Ap 10,7), por meio de Jesus Cristo e da Igreja (Ef 1,9s; 3,1-9; Cl 4,3); é
a sabedoria divina revelada em Cristo (1Cor 2,7s; Cl 1,25-27; 1Tm 3,16), especialmente
o plano de Deus, inacessível ao homem mas revelado por Jesus Cristo,
de salvar todos os homens (Rm 16,25s).
MOAB
Um dos filhos de Ló. A origem dos moabitas, descendentes de Moab, é
descrita de modo vergonhoso (cf. Gn 19,30-38 e nota), por causa de sua constante
rivalidade com os israelitas (Nm 22,1-4; Is 15; Jr 48; Ez 25,8-11). Ver “Amon”.
MOCIDADE
Idade das paixões (Sl 25,7; Ecl 11,9s; Jr 31,19; 2Tm 2,22; Tt 2,6); temor
de Deus (Sl 119,9; Ecl 12,1; Eclo 51,13-15; 1Pd 5,5); disciplina necessária
(1Sm 2,26; Pr 1,8s; 4,1; Eclo 6,18-20; 25,3; Lc 2,46; 1Pd 5,5).
MOEDA
Inicialmente as transações comerciais se faziam pelos sistemas
de permuta de mercadorias. Depois as mercadorias passaram a ser avaliadas por
unidades de peso de metal precioso (ouro ou prata). O costume de cunhar moedas,
enquanto dinheiro garantido pelas autoridades quanto ao peso e pureza do metal,
foi introduzido no séc. VI aC pelos persas. No tempo de Cristo circulavam
na Palestina moedas romanas, gregas e locais, cunhadas em ouro, prata e bronze.
Sobre o tipo e valor das moedas, veja a tabela específica.
MOISÉS
O nome é de origem egípcia (cf. Ex 2,10 e nota). Casado com uma
madianita (2,11-22) ou etíope (Nm 12,1), Moisés é apresentado
na tradição bíblica como um homem de origem israelita.
É o libertador dos israelitas da opressão egípcia, promulgou
as leis de Deus e conduziu o povo a Canaã, mas morreu sem ali entrar.
A ele se atribui a “Lei de Moisés”, um cântico (Dt
32,1-43), uma bênção (33,1-29) e um salmo (90).
Para o judaísmo Moisés é o personagem mais importante da
história da salvação, uma figura do Messias (Dt 18,15-18).
No NT é visto como mensageiro de Deus e mediador da Lei, que recebeu
no Sinai; é a testemunha e o modelo de fé (At 7,17-44; Hb 11,23-29).
Mas Jesus lhe é superior como chefe, redentor, legislador e profeta (Mt
17,3; Jo 1,45; At 7,35; Hb 3,2s). Ver “Lei de Moisés”.
MOLOC
Divindade cananéia a que se ofereciam sacrifícios humanos (Lv
20,5; 2Rs 16,3; 23,10).
MONTANHA
Em oposição ao Egito e à Babilônia, a Palestina é
uma região de montanhas; por isso a expressão “subir do
Egito” ou “subir a Jerusalém”. Montanhas caracterizam
a região da Judéia, Samaria e Galiléia em oposição
à planície costeira do Mediterrâneo.
A montanha é considerada habitação da divindade. Por isso
os santuários se localizavam muitas vezes no topo dos montes ( lugares
altos).
Foi nos montes Sinai (Dt 33,2) e Tabor (Mt 17,1-8) que Deus se revelou. A colina
de Sião, sobre a qual estão Jerusalém e o templo, é
a montanha “onde o Senhor habitará para sempre”(Sl 68,17)
e implantará seu reino escatológico (Is 2,2-5).
MORTE
É o destino universal do homem (Js 23,14; 1Rs 2,2; Ecl 12,7). A Escritura
não reflete sobre a morte como processo fisiológico. Mesmo quando
diz “exalou o espírito” ou “Deus retira o hálito
de vida” não se refere à alma em sentido atual, mas à
aparência externa da cessação de respiração
(Jó 34,14; Ecl 12,7; Mt 27,50; Lc 23,46; Jo 19,30).
A morte repentina e prematura é considerada efeito da ira de Deus (Jó
15,32; Sl 55,24; Nm 27,3), especialmente a morte dos pecadores (Sl 34,23; Pr
11,7; Eclo 41,1; Lc 16,22).
Deus é o Senhor da vida e da morte (1Sm 2,6; Jó 14,5). Esta aparece
como hostil a Deus, pertencendo ao império de Satã (1Cor 15,26;
Ap 6,8; 20,12s; Hb 2,14).
A morte é vista como conseqüência do pecado (Gn 2,17; 3,19;
Sb 2,23s; Eclo 25,24; Rm 5,12; 1Cor 15,21s).
O Xeol é o reino da morte, considerado como uma gruta subterrânea
debaixo das águas do abismo (Gn 37,35; 1Rs 2,6; Pr 9,18; Jó 10,21s).
No AT é difícil encontrar a idéia de uma vida para além
da morte. Contudo, alguns textos mais tardios falam duma futura ressurreição
(Dn 12,2; 2Mc 7,9.11.14.23) e de uma vida junto de Deus (Sb 5,15s; 6,18s).
No NT Cristo aniquilou a morte com a sua própria morte (Rm 5,6-8; 2Cor
5,14s; Gl 3,13; Cl 1,18). Descendo ao Xeol (1Pd 3,19; 4,6), recebeu as chaves
do reino da morte (Ap 1,18), o último inimigo a ser vencido (1Cor 15,25s;
Ap 20,14).
O cristão, batizado em Cristo, deve morrer diariamente (Rm 6,11s; 8,10;
2Cor 4,7-12; 6,9).
MULHER
A condição social da mulher no AT é bastante má
(Lv 27,3s; Gn 16,1-14; 30,1-4; 24,16-30; Nm 27,1-10; Dt 22,23-29).
A literatura sapiencial reconhece-lhe, contudo, alguns valores (2Sm 11,1-5;
Ez 24,15-18; Eclo 36,23-27; Pr 5,15-18; 12,4; 31,10-31).
Certas atitudes de Cristo manifestam a vontade de libertar a mulher da sua condição
(Lc 8,1-3; 10,38-42; Jo 12,1-8). Assim, as mulheres vão tomando importância
no NT (1Cor 7,3-5; 11,11s; Jo 20,1-7; Rm 16,1s.6.12; At 5,14; 16,13-15; Fl 4,2s).
O Evangelho de Lc preocupa-se por dar relevo às mulheres na vida de Cristo
(Lc 7,36-50; 8,1-3; 10,38-42; 18,1-6).
Proclama-se a igualdade radical entre homem e mulher (Gl 3,28; Gn 1,27), contudo,
mesmo no NT, em alguns aspectos, a mulher é vista à luz da sociologia
judaica (1Cor 11,2-12; 14,34s; 1Tm 2,11s).
MUNDO
A palavra tem várias significações:
O universo, ou cosmo (Sl 24,1). A idéia que os escritores bíblicos
tinham do mundo era a dos homens de seu tempo. Concebiam-no como uma casa com
três divisões: uma gruta o Xeol ; um rés-do-chão
–a terra firme, morada do homem, colocada sobre o grande abismo (1Sm 2,8;
1Cr 16,30; Sl 24,2; Jó 38,4), apoiada em quatro colunas (1Sm 2,8; Is
24,18; 40,21; Jr 31,37; Mq 6,2; Sl 18,16; Jó 9,6), e coberta pela abóbada
do firmamento (Gn 1,14-18) no qual Deus dependurou as estrelas (Gn 1,16; Js
10,12s; Eclo 46,4) e sobre o qual havia um mar de águas doces (Gn 7,11;
8,2; Is 24,18; Ml 3,10); um primeiro andar –o céu, a morada de
Deus.
O judaísmo distingue o mundo presente, sujeito à corrupção,
ao pecado (Is 13,11-13; Jo 14,27; 1Cor 1,20s), e o mundo vindouro que corresponde
ao reino de Deus (Jo 13,1; 16,28; 1Cor 6,2).
Mundo é também tudo que se opõe a Deus e a Cristo (Jo 1,10;
Ef 2,2). Deus, porém, ama o mundo e enviou seu Filho para salvar a todos
que nele crerem (Jo 3,16).
NABATEUS
Grupo de tribos do deserto, apegadas à vida nômade, talvez descendentes
dos recabitas (Jr 35,1-11). Após a destruição de Jerusalém
viviam espalhados na região de Petra, ao sul do mar Morto. Mantinham
caravanas de comércio entre a Arábia, a Mesopotâmia e o
Mediterrâneo. São mencionados várias vezes nos livros dos
Macabeus. Quando S. Paulo fugiu de Damasco, Aretas, um rei nabateu, controlava
a cidade (2Cor 11,32).
NAÇÕES
O termo no plural designa os povos pagãos (ou os gentios), que não
fazem parte do povo eleito, judeu ou cristão (Dt 7,6; Jr 10,25; Mt 4,15;
1Cor 5,1; 1Pd 2,12). Ver “Gentio”.
NAZIREU
Pessoa consagrada a Deus. Em virtude desta consagração, tanto
a mãe, durante a gestação, como o futuro nazireu deviam
abster-se de certos alimentos e bebidas, ou de cortar o cabelo (Jz 13,4s). Sansão
(13,4-7; 16,17), Samuel (1Sm 1,11) e João Batista (Lc 1,15) eram nazireus.
O nazireato foi institucionalizado e regulamentado por lei (cf. Nm 6,1-21 e
nota). No NT S. Paulo, junto com outros cristãos, faz um voto temporário
de nazireato (At 18,18; 21,23-26).
NECROMANCIA
Ou evocação dos mortos, é uma prática que supõe
a possibilidade de entrar em contato com os mortos e de esses poderem comunicar
mensagens do além, a até de aconselhar os vivos em problemas difíceis.
A prática era conhecida na Mesopotâmia, no Egito e em Canaã.
Apesar da proibição (cf. Lv 19,31 e nota), Saul recorreu à
necromancia (cf. 1Sm 28,7-10) e foi por isso punido (cf. 1Cr 10,13 e nota).
Ver “Espiritismo”.
NEFTALI
Filho de Jacó e Bala, escrava de Raquel (Gn 30,7s), antepassado da tribo
de Neftali (cf. 29,31–30,24 e nota), localizada na região mais
tarde chamada Galiléia (Js 19,32-39; Mt 4,15).
NEGUEB
Deserto localizado ao sul da Palestina (Dt 1,7).
NEOMÊNIA
Ver “Lua Nova”.
NOIVO
No AT o noivo, ou seu pai, tinha que pagar o preço da noiva (mohar em
hebraico) ao pai da noiva ou ao seu substituto (Gn 34,12; Ex 22,15s; 1Sm 18,25).
Este preço podia constar de uma prestação de serviços
(Gn 29; 1Sm 17,25; 2Sm 3,14) ou ser pago com animais (Gn 30,25-41). A partir
deste momento o noivo tornava-se de direito o “senhor”(baal) da
noiva. Ver “Esposo”, “Matrimônio”.
NOME
Na concepção antiga o nome não apenas distingue uma pessoa
da outra, mas exprime seu caráter fundamental, sua personalidade, sua
missão neste mundo (Gn 3,20; Mt 1,21.23). O nome vale pela pessoa; onde
está o nome, está a pessoa (Jr 14,9). Mudar o nome de alguém
é mudar a sua vocação (Mt 16,16-18). Dar nome a alguém
é exercer certo poder sobre ele (Gn 2,19-21). Pronunciar o nome de Deus
sobre alguém é garantir-lhe a proteção divina (Nm
6,27). Invocar o nome de Deus é prestar-lhe culto (Gn 4,26; 12,8), pois
o nome de Deus significa o próprio Deus. Por isso Deus “age por
causa de seu nome”(Ez 20,14) e o pecado pronafa o seu nome (Lv 18,21).
Por respeito ao nome de Deus Javé (= Senhor em nossa Bíblia),
os israelitas não o pronunciavam e liam Senhor (escrito Adonai em hebraico)
em vez de Javé .
O nome de Jesus é usado e pronunciado com respeito pelos cristãos
(At 3,6; Cl 3,17; Fl 2,10). O cristão se persigna “em nome do Pai,
do Filho e do Espírito Santo” e reza no Pai-Nosso: “Santificado
seja o vosso nome”.
NOVO TESTAMENTO
Ver “Aliança”, “Testamento”.
NÚMEROS
Os números na Bíblia, além de seu valor aritmético
exato, têm um valor simbólico. Assim, por exemplo, sete significa
um número elevado (sete dias, sete anjos, sete demônios, perdoar
sete vezes); 12 (tribos, apóstolos); 40 (dias de chuva, de oração
no Sinai, de jejum de Jesus, dias da Ascensão). Muitas vezes os números
elevados na Bíblia são fruto do exagero, próprio dos orientais
(cf. Nm 1,21; Jz 16,27 e notas), para dar importância aos fatos.
NUVEM
Em muitas religiões as nuvens pertencem à esfera do divino. Por
isso são elemento integrante das teofanias ou aparições
divinas. A coluna de nuvens é a presença divina que acompanha
e protege os israelitas na saída do Egito (Ex 13,21). Nuvens envolvem
o monte Sinai (19,16) e uma nuvem envolve a tenda da reunião (Nm 9,15-23
e nota), a cena da transfiguração e a da ascensão de Jesus
(Lc 9,34; At 1,9). Quando Cristo voltar, na segunda vinda, virá sobre
as nuvens do céu (Mc 14,62).
OBEDIÊNCIA
Obediência de Cristo (Lc 2,1-5; Jo 4,34; 5,30; 6,38; Rm 5,19; Fl 2,5-12;
Hb 5,8s).
Obediência dos cristãos (Mt 7,24; 17,5; Lc 10,16; At 4,19; 1Pd
1,22; Fl 2,3-5; At 5,29; Rm 1,5; 1Pd 5,5s; Cl 3,22-25).
OBLAÇÃO
Ver Lv 2,1 e nota.
OBLATOS
Ver Nm 3,6-10 e nota.
OBRA
No AT obras de Deus são a criação (Sl 104) e sua revelação,
enquanto ele elege o homem e age em sua história. No NT Jesus cumpre
as obras do Pai, que são os milagres e a salvação dos homens
(Mt 11,2-19; Jo 17,4). As obras de Jesus revelam o Pai (14,9s).
As obras do ser humano podem ser boas ou más e se revelam pelo confronto
com Cristo (Jo 3,19-21; Ef 5,6-14). O que salva e justifica o homem não
são as boas obras que pratica, mas a fé em Jesus Cristo (Rm 3,27s;
Gl 2,16). Mas a fé sem as obras é morta (Gl 5,14; 1Ts 1,3; Tg
2,14-26).
OCEANO
Ou “Oceano primordial”, “abismo (das águas)”é
a massa de águas que, segundo a cosmologia antiga, envolve a terra seca,
e está debaixo da terra e acima da abóbada celeste. No dilúvio
foram abertas as fontes que controlam as águas das profundezas e as comportas
do firmamento do céu (Gn 7,11). Mas o Criador, que habita acima das águas,
pôs um limite para que as águas não voltassem a ameaçar
as criaturas (Gn 9,11; Sl 104,3-9).
O Oceano, portanto, não é mais aquela força que nos mitos
da Mesopotâmia (tiamat ) se opõe a Deus: “Tudo quanto o Senhor
quis ele o fez no céu e na terra, nos mares e em todos os oceanos”(Sl
135,6). Ele controla a fúria do Oceano, punindo os inimigos e salvando
o seu povo (Ex 15,5.8). Ver “Abismo”.
OLHOS
São o espelho da alma (Eclo 13,25; 31,13; Mt 6,22; Lc 11,34). É
preciso dominá-los (Jó 31,1; Sl 119,37; Mt 5,28s).
Exemplos (Gn 3,6; 39,7; 2Sm 11,2-5; Jt 10,17-19; 12,15; Dn 13,8).
OPERÁRIOS
Submissão (Mt 8,9; Rm 13,5; Ef 6,5-8; 1Ts 4,11; 1Tm 6,1s; 2Tm 2,24; Tt
2,9s; 1Pd 2,18s. –O prêmio do operário (Eclo 10,27; Lc 12,43;
Cl 3,22-24; 2Ts 3,10; 1Pd 2,18s). –Devem defender seus direitos com prudência
(Eclo 8,1-4; 1Cor 6,1-9; 1Tm 6,8; Tg 4,1). –O sofrimento dos trabalhadores
injustiçados é grande (Jó 24,1-12; Ecl 4,1-6; Mq 1,1s;
Am 2,6-8). Ver “Patrões”.
ORAÇÃO
Algumas orações do AT (Gn 18,23-33; Ex 15,1-18; Nm 14,13-19; 1Sm
1,11; 2,1-10; 2Sm 7,18-29; 1Cr 16,8-36; 29,10-20; 1Rs 8,23-53; 2Rs 19,15-19;
Esd 9,6-15; 2Mc 1,24-29; Tb 3,1-6.11-15; 8,7-10; 13,1-18; Jt 9,2-18; Est 4,12-30;
Jr 17,12-18; 20,7-18; 32,7-15; Dn 3,26-45.52-90; Jn 2,3-10; Hab 3,1-19).
Oração de Jesus (Lc 3,21; 5,16; 6,12; 9,29; 11,1; 22,32; Mc 1,35;
6,46; Mt 14,23; 26,36-46; Jo 11,41s; 17,1-26). Jesus ensinou a orar (Lc 11,1-13;
18,9-14; Mt 6,5-13; 7,7-11; 18,20).
Oração da Igreja primitiva (At 2,42-47; 4,23-31; 12,5; 16,25;
Rm 1,9; 1Cor 14,13-19;1Ts 1,2 ; 2Tm 1,3; Ef 5,20).
Oração de louvor (Sl 34,2; 117,1; Dn 3,51s; Lc 19,37s).
Oração de agradecimento (Sl 107,1; Ef 5,20; Cl 3,7; 1Ts 5,18).
Oração de petição (2Cor 1,11; Cl 1,9; 1Ts 1,2; 5,25).
Oração por si, sobretudo no sofrimento (Sl 50,15; 120,1; Mt 21,22;
Tg 5,13).
Pelas autoridades e superiores (At 12,5; Ef 6,19; 1Tm 2,1-3; Hb 13,18).
Por todas as pessoas, sem distinção (Mt 5,44; Lc 6,28; Ef 6,18;
1Tm 2,1).
ORÁCULO
É a resposta recebida da divindade a uma consulta que o fiel fazia através
de um sacerdote, profeta ou vidente (Dt 33,8; 1Sm 9,9; 28,6), sobre o futuro
ou o êxito de alguma iniciativa. A expressão “oráculo
do Senhor”, freqüente nos livros proféticos, caracteriza o
discurso em primeira pessoa, ou pronunciamento de Deus, do qual o profeta é
o porta-voz junto ao povo. Ver “Palavra”.
ORDÁLIO
Rito para provar, na falta de testemunhas, a inocência ou a culpa de uma
pessoa. Ver “Ciúme” e as notas em Ex 32,20 e Nm 5,11-31.
ORDENS SACRAS
Instituídas por Cristo (Lc 22,19); são conferidas pela imposição
das mãos (At 6,6; 13,1-3; 14,22); conferem graças (1Tm 4,14; 2Tm
1,6).
ORGULHO
É o pecado de Adão (Gn 2,17; 3,3-6; Rm 5,19).
O orgulho insinua-se nas pessoas de todas as classes sociais (Dt 17,12-20; 18,20;
32,15; Os 13,5s; Am 3,10-15; Mq 3,9-11; Is 3,16s; Jr 5,27s). O orgulho é
o pecado capital dos pagãos (Is 10,13s; Gn 11,4-8; Sf 2,15).
O Anticristo é a personificação do orgulho contra Deus
(1Mc 1,59-61; 2,49; Dn 8,11; 9,27; 11,31; 2Ts 2,4; 1Jo 2,18; Ap 12-13; 17; 20).
O orgulho é natural ao homem (2Tm 3,2; Mc 7,22; 10,37; Lc 18,11; 1Jo
2,16); mas este deve vencê-lo pondo-se ao serviço dos irmãos
(Jo 13,12-17; Lc 1,48; 1Pd 5,5; Tg 4,6).
PACIÊNCIA
A paciência de Deus é um aspecto do seu amor (Ex 34,6; Jn 4,2;
Jl 2,13). O nosso Deus é um Deus de paz, de paciência, de consolação
e de esperança (Rm 15,5.13.33).
Àqueles que se maravilham da demora da parusia, Pedro responde que Deus
é paciente porque espera a conversão dos pecadores (2Pd 3,4-9;
1Pd 3,20; Rm 11,25-27). A paciência de Deus faz parte da sua pedagogia
(Hb 12,5-7; Tg 1,12; Rm 5,3s; 15,4).
A paciência é uma virtude humana (Jó 2,10; Pr 3,11; 14,29;
Eclo 2,13s) e cristã (Hb 12,1; Rm 12,12; Tg 1,2-4; 2Cor 1,6; 1Pd 2,19s;
2Tm 2,10-12), que favorece a convivência com o próximo (Pr 19,11;
1Ts 5,14; 1Pd 3,14-17).
PADRE
Ver “Sacerdote”.
PÃES DA PROPOSIÇÃO
Ou “pães sagrados” são os pães oferecidos cada
sábado a Deus. Eram colocados sobre uma mesa de ouro, que estava no recinto
do templo (cf. Nm 4,7). Só os sacerdotes os podiam comer (Ex 25,30 e
nota; Lv 24,5-9; 1Sm 21,2-7; Mc 2,26).
PAGÃO
Do latim paganus, “camponês”, o que vive nas vilas do interior.
Nome dado aos não-cristãos que tiveram de retirar-se para o interior
em conseqüência da expansão do cristianismo no mundo romano.
Na Bíblia “pagão” designa o não-judeu (Mt 5,47;
6,7), chamado também gentio, em oposição ao povo eleito.
Mesmo desconhecendo a Deus (Gl 2,14s) os pagãos são guiados por
ele (Is 45,14-25; Mt 8,10; At 14,16) e chamados à fé (Rm 9-11).
Ver “Grego”.
PAI
Pai terreno: A autoridade paterna é protegida pelo decálogo (Ex
20,12; Dt 5,16). Rebelar-se contra o pai, maldizê-lo ou bater-lhe eram
crimes castigados com a morte (Ex 21,15-17; Dt 21,18-21). A literatura sapiencial
insiste no respeito aos pais (Eclo 3,1-16; Tb 4,3-5; Pr 1,8; 4,1; 6,20). Os
pais, por sua vez, têm obrigações para com os seus filhos:
devem amá-los (1Sm 1,11-20; Mt 7,9; Lc 11,11; Tt 2,4); devem educá-los
(Dt 6,20s; 32,46; Dn 13,3); vigiá-los (Eclo 26,10s; 42,9-11; 1Tm 5,8);
castigá-los (1Sm 3,13; Pr 13,24; 22,15; 23,13s; Eclo 42,5), mas sem ira
(Pr 19,18s; Eclo 20,2; Cl 3,21; Ef 6,4); devem dar-lhes o bom exemplo (Ez 16,44;
2Mc 6,28; 7,20-22; 2Jo 4).
Jesus confirmou o sentido do quarto mandamento (Mc 7,10-13; 10,19; Mt 15,4-7).
As exigências do amor de Deus podem levar a renunciar ao amor paterno
(Mt 8,21s; 10,37; 19,29; Lc 9,59s; 14,26).
Deus-Pai: No AT raramente se aplica a Deus o nome de Pai (Dt 32,6s; 2Sm 7,14;
Sl 89,27; Eclo 51,10). Jesus fala com freqüência de “ vosso
Pai”, “teu Pai”, “vosso Pai do céu” e chama
a Deus pelo nome de “Pai”: quando anuncia o Reino de Deus (Mt 13,43;
20,23; 25,34; Lc 12,32); quando se refere à ação do Espírito
(Mt 10,20), ao conhecimento de Cristo (Mt 16,17), à oração
(Mt 18,19), à recompensa (Mt 6,1); quando insiste na Providência
do Pai (Mt 6,26-32; 10,29; Lc 12,30).
Cristo dá a Deus o nome de Pai (Mt 5,16.45.48; 7,21; 11,25; 24,36; Lc
10,22; Mc 13,32). Revela a Deus como seu próprio Pai (Mc 14,36; Mt 7,21;
11,27; 16,27; 26,39; Jo 2,16; Lc 2,49).
Para Paulo Deus é o “nosso Deus e Pai”(1Ts 3,13; 2Ts 2,16;
1Cor 1,3; 2Cor 1,2; Gl 1,3; 4,6; Ef 1,2; Cl 1,12s; Rm 8,15).
João penetra mais no sentido da paternidade divina ao dizer que o homem
é “gerado por Deus”(Jo 2,16; 3,3).
PALAVRA
Na Bíblia, “palavra” não é apenas a manifestação
do pensamento ou da vontade, mas é algo concreto que continua existindo,
carregado com a força da pessoa que a pronuncia. Assim, a bênção
pronunciada sobre Jacó não podia ser revogada (Gn 27,35-37) e
a maldição proferida por Josué (Js 6,26) ou pelos gabaonitas
(cf. 2Sm 21,1-14 e notas) continua agindo muito tempo depois (1Rs 16,34).
A Palavra de Deus é eficaz na criação (Gn 1,1s; Sl 147,15-18;
Mt 8,24-27; Jó 36,5-13; Is 44,26-28; 55,11; Sb 18,14-19).
A palavra é simbolizada no pão que um dia se converterá
no pão da Eucaristia (Am 8,11; Ex 16,4-15; Dt 8,3; Mt 4,3s; Jo 6,28-51).
Cristo é a Palavra encarnada (Jo 1,1s; 8,31-47; 1Jo 1,1; Ap 19,11-16;
Mc 13,31), que continua a atuar na Igreja (At 4,29-31; Fl 1,12-14; Hb 13,7-9;
Lc 10,16; 2Cor 2,14-16; 2Tm 4,1-5).
O mutismo dos profetas prova que Deus já não está com o
seu povo (1Sm 3,1; Is 28,7-13; Am 8,11s). A abundância da Palavra é
sinal da presença dos tempos messiânicos (Jl 3,1s; At 2,1-4). Por
isso, se desata a língua de Zacarias e Cristo faz ouvir os surdos e falar
os mudos (Lc 1,64-67; 11,14-28; Mt 9,32-34; 12,22-24; Mc 9,17-27).
PÃO
Ver “Eucaristia”.
PAPA
Ver “Pedro”.
PAPIRO
Ver “Manuscrito”, “Códice”.
PARÁBOLA
É o desenvolvimento de uma comparação de dois termos, resultando
numa narrativa. Por exemplo, a comparação “A palavra de
Deus é como a semente” foi desenvolvida na parábola do semeador.
A parábola é uma historieta inventada, mas baseada em fatos corriqueiros
da vida. Como na comparação, assim também na parábola
os termos devem ser tomados no sentido próprio. Na parábola, porém,
o confronto não se verifica entre dois termos, e sim entre duas situações.
É desse confronto que se deve tirar o ensinamento, fim principal da parábola.
Parábolas de Jesus:
- Administrador infiel: Lc 16,1-13.
- Amigo importuno: Lc 11,5-8.
- Avarento insensato: Lc 12,16-21.
- Bodas do filho do rei: Mt 22,1-14.
- Bom Pastor: Jo 10,1-16.
- Bom samaritano: Lc 10,30-37.
- Casa sobre rocha: Mt 7,24-27; Lc 6,47-49.
- Cem moedas de prata: Lc 19,11-26.
- Dez virgens: Mt 25,1-13.
- Dois devedores: Lc 7,41s.
- Fariseu e o cobrador de impostos: Lc 18,9-14.
- Fermento: Mt 13,33; Lc 13,20s.
- Figueira estéril: Lc 13,6-9.
- Filho fingido: Mt 21,28-32.
- Filho pródigo: Lc 15,11-32.
- Grande ceia: Lc 14,16-24.
- Grão de mostarda: Mt 13,31s; Mc 4,30-32; Lc 13,18-21.
- Grão de trigo: Jo 12,24.
- Joio entre o trigo: Mt 13,24-30.36-43.
- Juiz iníquo: Lc 18,1-8.
- Lavradores homicidas: Mt 21,33-46; Mc 12,1-12; Lc 20,9-19.
- Moeda perdida: Lc 15,8-10.
- Ovelha extraviada: Mt 18,12-14; Lc 15,1-7.
- Pai de família: Mt 13,52.
- Pérola preciosa: Mt 13,45s.
- Rede de pesca: Mt 13,47-50.
- Rei que vai guerrear: Lc 14,31-33.
- Rico avarento e o pobre Lázaro: Lc 16,19-31.
- Roupa velha: Mt 9,16; Mc 2,21; Lc 5,36.
- Semeador: Mt 13,1-9.18-23; Mc 4,3-20; Lc 8,4-15.
- Semente que cresce: Mc 4,26-29.
- Servo cruel: Mt 18,23-35.
- Servos inúteis: Lc 17,7-10.
- Servos vigilantes: Mt 24,42-51; Lc 12,35-48.
- Talentos: Mt 25,14-30.
- Tesouro no campo: Mt 13,44.
- Torre a ser construída: Lc 14,28-30.
- Trabalhadores na vinha: Mt 20,1-16.
- Videira e ramos: Jo 15,1-8.
- Vinho novo: Mt 9,17; Mc 2,22; Lc 5,37-39.
PARÁCLITO
Significa “advogado”, “consolador”. Termo com que João
designa o Espírito Santo e sua função em relação
a Cristo e na Igreja (cf. Jo 14,16 e nota).
PARAÍSO
Termo grego que traduz o hebraico “jardim do Éden”, ou de
delícias. É o símbolo da alegria e da felicidade (Gn 2,15),
da morada da divindade (Ez 28,12-19). No NT é o lugar onde se espera
viver a felicidade eterna com Deus (2Cor 12,4; Ap 2,7). Para o judaísmo
era o lugar onde ficavam os mortos à espera da ressurreição
(Lc 16,23; 23,43). Ver “Éden”.
PARTICIPAÇÃO
Herança comum, ou sorte comum que os cristãos terão com
Cristo no fim do mundo (Mt 24,51; Lc 10,42; Jo 13,8; Ap 20,6; 21,8). Significa
também ter comunhão ou parte em alguma coisa. Os cristãos
têm parte no Evangelho (Fl 1,5), no Espírito (2Cor 2,13), na ressurreição
de Cristo (1Cor 1,9). Esta participação na glória de Cristo
supõe uma participação na sua paixão (Rm 6,4-8;
8,17; Cl 2,12s; Fl 3,10). Pela Eucaristia o cristão entra em comunhão
com o corpo do Senhor sacrificado e pelo seu sangue derramado entra em comunhão
de vida com Cristo (1Cor 10,14-22; 11,17-29), garantindo para si a ressurreição
no último dia (Jo 6,48-58).
PARUSIA
Significa a entrada solene do rei na sua capital (2Sm 6; 1Rs 1,38-53; 2Rs 11,1-16).
No AT aparecem duas tendências: parusia futura –vinda do Rei-Messias
(Zc 9,9s; Is 40,9-11); outra, recordando que é Deus o Rei de Israel,
anuncia uma vinda de Deus em pessoa (Is 46,9-13; 52,7s; Zc 1,3.16; 2,9-13; 8,2s).
A entrada de Cristo em Jerusalém é narrada num contexto de Parusia
(Mt 21,1-11). O Batista é o arauto desta chegada (Mt 3,11s). Cristo,
porém, diz que a hora de sua manifestação não chegou
(Jo 7,2-9; 18,35; 14,3).
Na linha da segunda tendência do AT, acima descrita, a vinda do Filho
do homem é apresentada com elementos divinos (Mt 16,27s; 24–25;
Lc 21,25-33).
Textos relativos à Parusia gloriosa (1Cor 1,8; 15,23; 1Ts 2,19; 3,13;
4,15; 2Pd 1,16; 3,4.12; 1Jo 2,28). Veja “Dia do Senhor” e a nota
em 2Ts 2,1-12.
PÁSCOA
Principal festa do judaísmo, que comemora a maravilhosa libertação
dos hebreus do Egito, pela passagem do mar Vermelho (cf. as notas em Ex 12,1–13,16;
Lv 23,5-8; Nm 9,1-14). A Páscoa cristã celebra a ressurreição
de Jesus no domingo após o dia 14 de Nisã, data da Páscoa
judaica (Lc 24,1; At 20,7; 1Cor 16,2; Ap 1,10). É a memória do
sacrifício de Jesus na cruz, a nova vítima pascal (1Cor 5,6-8;
11,26), e de sua vitória sobre a morte pela ressurreição.
Ver “Festa”.
PASTOR
A figura do pastor era muito familiar na Palestina e no Médio Oriente.
Diariamente o pastor sai com suas ovelhas para conduzi-las às pastagens
ou, em determinados momentos, às fontes. De tarde reconduz as ovelhas
ao curral. Na literatura universal o pastor tornou-se a figura do guia, político
ou religioso, de uma comunidade. Em Israel os reis (cf. Ez 34,2-6 e nota), os
sacerdotes e os profetas são chamados pastores.
Diante da infidelidade destes pastores, Deus promete ele mesmo tomar conta de
seu povo, por meio do pastor fiel, o descendente de Davi (Jr 23,1-6). Jesus
se apresenta como o bom pastor, solícito pelas suas ovelhas a ponto de
dar por elas a própria vida (Jo 10,1-18). Após a ressurreição,
Jesus constitui Pedro como pastor para tomar conta de seus discípulos
em seu lugar (21,17).
PATRÕES
Devem usar de justiça (Lv 19,13; Dt 5,12-14; 24,12-15; Tb 4,15; Eclo
34,26-27; Ml 3,5; Mt 7,2; 10,10; Rm 4,4; Tg 5,4); devem respeitar os direitos
humanos (Lv 25,43; Eclo 4,30; Ef 6,9; Cl 4,1).
PAULO
Em hebraico Saulo, é um judeu de Tarso, da tribo de Benjamim, cidadão
romano de nascença (At 16,21.37s; 22,25-29; Fl 3,5). Perseguiu os discípulos
de Jesus, mas depois converteu-se (At 9,1-30), tornando-se o apóstolo
dos pagãos. Empreendeu três grandes viagens missionárias
(At 13–14; 15–18; 19–21). A ele são atribuídas
catorze epístolas, havendo dúvidas quanto à autoria de
algumas, como as epístolas aos Efésios, a Timóteo, a Tito
e aos Hebreus (ver as respectivas introduções ). É inegável
a influência da doutrina de Paulo nos outros escritos do NT e na vida
cristã em geral.
PAZ
O conceito “paz”(xalom em hebraico) é muito rico na Bíblia.
Ter paz é ser completo, inteiro; é gozar de prosperidade material
e espiritual; é manter boas relações entre pessoas, famílias
e povos. Paz é o oposto de tudo quanto perturba a prosperidade e as boas
relações. É um dom de Deus, concedido a Israel em virtude
da aliança (Nm 25,12; cf. 6,22-26).
Quando Israel é fiel à aliança, goza de paz; quando é
infiel, perde a paz, mas pode recuperá-la pela conversão (Lv 26).
Em meio a tantas guerras, os profetas anunciam a paz para os tempos messiânicos,
paz entre Deus e os homens, e entre os homens e animais (Is 2,2-4; 9,5s; 11,6-9;
60,17s; Os 2,20; Am 9,13s; Zc 8,9-13).
Para haver paz é preciso que haja fidelidade à aliança
e justiça entre os homens (Sl 72,3-7). Cristo veio a este mundo para
trazer a paz (Lc 2,14; 8,48; Mc 5,25-34), e reconciliar os homens com Deus (Jo
14,27; Fl 4,4-9; Ef 2,14-17). Unindo-se a Cristo, o homem participa desta paz
(1Pd 5,14). Por isso o cristão deve não só desejar aos
outros esta paz (Lc 10,5), mas promovê-la efetivamente (Mt 5,9).
PECADO
O primeiro conceito de pecado está ligado à violação
de um tabu (Js 7,24-26; 9,20; 1Sm 15,3-32; 2Sm 1,14s; 6,1s).
No AT o pecado está ligado à relação do homem com
Deus. O pecado implica em infidelidade à aliança, em traição
ao amor de Deus, em separação da comunidade. Para Jesus, pecador
é quem não observa a vontade de Deus expressa pela Lei (Mt 9,13;
19,17-29). Jesus denuncia o pecado, mas é amigo dos pecadores (Mt 11,19;
Lc 15,1s) e lembra que Deus está pronto a perdoar (Lc 11,4; 15,1-34;
18,13).
O pecado é a tentação do ser humano de dominar a Deus (Gn
3,1-19; Eclo 3,26-29; 10,12s; Jó 21,14-16; 22,17s; 1Sm 2,1-10).
O pecado é uma desobediência a Deus, um atentado contra o amor
de uma pessoa (Dt 11,16; Dn 9,5-9; Is 50,1; Os 2,4-9; Jr 3; Ez 16; Tg 4,4-10).
Paulo descreve a origem do pecado, mal que aflige a humanidade toda (Rm 1–5),
mas que encontra o remédio na redenção operada por Cristo
(Rm 6–8). O pecado para ele é uma escravidão à Lei
e ao mundo (Rm 6,6; 7,5-23; Gl 4,3). Mas pela fé em Cristo e pela prática
do amor ao próximo o cristão fica livre de todo pecado (Rm 13,8-10;
1Cor 13,4-7).
Para João, o pecado por excelência é o “príncipe
deste mundo”(Jo 3,19-21; 8,44; 16,11).
Do coração procede todo o pecado (Ex 20,17; Jó 31,4-37;
Mt 12,33-37; 15,19s).
Cristo veio por causa dos pecadores, não por causa dos justos (Lc 12,1s;
5,32; 19,1-10; Mt 9,1-13).
Pecado original (Gn 3,1-24; 11,1-9; Rm 5,12-21; 1Cor 15,21s; Rm 3,23).
PEDRO
Recebe um novo nome que significa a sua nova função (Jo 1,41s;
Mt 16,17s).
Ocupa o primeiro lugar como rocha da Igreja (Lc 6,14; 8,45; 9,32s; 12,41; Mt
16,13-20; Jo 21,15-17). É a primeira testemunha da ressurreição
(At 1,15-20).
Pedro faz-se missionário (At 8,14-25; 9,32–10,48; Gl 2,8).
Os milagres proclamam a sua ação messiânica (At 3,1-8; 9,31-43).
Predição, pecado e arrependimento de Pedro (Mt 26,30-35; Jo 13,36-38;
18,15-27; Mt 26,69-75; Lc 22,54-61).
PEITORAL
Peça do ornamento do Sumo Sacerdote, vestida sobre o efod. Ver Ex 28,15-30
e nota.
PENITÊNCIA
É metanóia –conversão –mudança de vida
(2Sm 12,14-23; Is 1,16-19; Jl 2,12-19; Ez 18,30s; 33,10s; Lc 13,4s; 24,46s;
Mt 3,2.8; 11,21s; Lc 13,3; Ap 2,5; At 3,19; Ef 4,20-24; 1Jo 1,8-10).
A penitência deve ser interior (Is 58,5-7; Jr 4,4; 9,24s; Rm 2,29; Cl
2,11; Gl 5,6; 6,15), mas manifesta-se também em ritos exteriores (Lv
4–5; 16,1-19; Nm 29,7-11; Lc 5,8; 18,9).
É uma virtude: Dt 4,9; Jó 42,6; Sl 51,10; Eclo 2,18; 1Cor 11,31;
Cl 3,9.
O Batismo –sacramento da penitência ou da conversão: Batismo
de João (Mt 3,6; Mc 1,4s; Lc 3,3-14). Batismo cristão (At 2,38;
3,19; 5,31; 11,18; 17,30; 22,16; 26,20).
PENSAMENTOS
Podem ser pecaminosos (Pr 6,18; Sb 1,3; Zc 8,17; Mt 15,19; Hb 4,12). É
preciso evitá-los (Sl 1,2; 39,4; 85,9; 119,92.97; Rm 1,19s).
PENTATEUCO
O termo vem do grego e significa “cinco rolos”, isto é, os
cinco primeiros livros da Bíblia, chamados também “Lei de
Moisés”(2Cr 23,18) ou “Lei”(Ne 8,2). Os samaritanos
reconhecem apenas o Pentateuco como canônico. Ver Introdução
geral.
PENTECOSTES
Ver “Festa”.
PERDÃO
O poder de perdoar é um poder messiânico, pertence ao “Messias-Juiz”(Is
33,24; Jr 31,34; 33,8; Ez 16,63; 36,25-33). Está ligado ao dom do Espírito
(Ez 36,27; Is 11,1-3; Jo 20,19-23). É um poder do Filho do homem (Mt
9,3-7; Lc 7,48s; cf. Dn 7,13s).
O perdão de Deus está subordinado à fé do pecador
arrependido (Mt 9,1-8; Lc 5,17-26; 7,48-50; At 10,42s; 13,38; 26,18). Esta fé
pode ser também a de uma comunidade (Mc 2,2-5).
O poder de perdoar dos ministros da Igreja (Mt 9,8; 16,19; 18,28; Jo 20,19-23).
Os cristãos devem ser portadores do perdão de Deus (Mt 5,23-26;
6,12-15; 18,21-25; Lc 11,4; 17,3s; 2Cor 2,5-11). Devem perdoar até aos
inimigos (Eclo 28,1-7; Mt 5,44s; 6,12; 18,21s.35; Lc 6,36; 17,3; Rm 12,17-19;
Ef 4,32; 1Ts 5,15; 1Pd 3,9; 1Jo 2,11).
PEREGRINAÇÃO
O Êxodo é uma peregrinação para a Terra Prometida,
para o país da liberdade. As peregrinações a Jerusalém
situam-se neste movimento (Sl 48; 84; 121–122; Dt 16,16s; Lc 2,41). Também
o regresso do Exílio é previsto como uma peregrinação
processional (Is 35,6-10; 60; Jr 31,12-14; Ne 12,31-40).
A entrada dos pagãos na Igreja é descrita como uma peregrinação-procissão
(cf. Is 60; Mt 2,1-12).
A procissão da Arca da Aliança (1Rs 8,1-4; Sl 131; 2Cr 5,2-5)
renova-se com a subida de Cristo a Jerusalém (Lc 2,22-51; 19,28-38).
Lc apresenta o ministério de Cristo como uma subida a Jerusalém
(Lc 9,51-53; 13,22.33; 17,11; 18,31).
E a missão dos apóstolos é descrita como uma peregrinação
da Palavra, de Jerusalém a Roma (At 1,8; 8,1; 10,1-48; 11,19-21; 13,1-51;
27,1s; 28,30-31).
Também João constrói o seu Evangelho sobre as “subidas”
de Cristo a Sião (Jo 2,13; 5,1; 7,1-10; 10,22s; 12,12). Mas, na sua última
peregrinação Cristo deixa a cidade, caminhando para a Cruz (Jo
19,16s).
A meta da nossa peregrinação é a Jerusalém celeste,
onde Cristo está ressuscitado (Ap 7,1-11; 1Pd 2,11s; Hb 11,8-16). Por
isso, Cristo e o cristianismo são “caminho”(Jo 14,4-6; At
9,2; 19,9.23; 22,4; 24,22).
PERFEIÇÃO
No AT: Gn 17,1; Lv 11,44; 19,2; 20,7.26; Nm 15,40; Dt 7,6; 18,13; Js 24,14.
A perfeição dos escribas e fariseus estava no cumprimento da Lei
(Sl 119; Jó 1,1; Lc 1,6; 18,9-14; Jo 5,44; Rm 10,3s; Gl 3,10s).
A perfeição cristã está no amor que é Deus
em Cristo (Mt 5,48; Lc 6,36; Cl 3,14; 1Cor 11,1; Fl 2,5-8; 1Ts 4,1-4; 1Pd 2,21-25;
3,18; 1Jo 3,24).
PERGAMINHO
Pele de cabra, ovelha ou de outro animal, que é raspada e polida para
servir de material de escrita. O método de preparar o pergaminho foi
inventado e aperfeiçoado na Ásia Menor, graças a um boicote.
O rei de Pérgamon (hoje Bérgama, na Turquia), Ecumênio II
(197-159 aC), queria fazer da biblioteca real de 200.000 manuscritos a maior
biblioteca do mundo. Diante destes esforços, o rei do Egito boicotou
a exportação de papiro, para salvaguardar a primazia cultural
de Alexandria. O novo material de escrita inventado em Pérgamon foi chamado
“pergaminho”. Em razão de sua durabilidade difundiu-se no
mundo greco-romano. Os mais antigos códices da Bíblia são
de pergaminho. Ver “Manuscrito”.
PERSEGUIÇÃO
É a sorte dos profetas (1Rs 19,1-18; Jr 13-18; Is 28,9s; Lc 11,49s; Mt
22,6s; 23,34-39; At 7,51s).
Cristo é o Servo de Javé perseguido (Is 53; Sl 69; Mt 2,13-21;
Mc 3,6.22; Lc 4,28-30; Jo 11,47-54; 16,1-4; Mc 14,43–15,47; At 8,26-35).
A perseguição é um exercício expiatório da
Igreja (Fl 3,10; Rm 8,17; 1Pd 4,13); é a glória dos discípulos
de Cristo (Mt 5,10-12; 10,17-22; Rm 8,35; 1Cor 4,12; 2
1Cor 4,9; 12,10; 2Tm 3,12).
PERSEVERANÇA
A perseverança bíblica é a confiança em Deus e resistência
ao mal (Sl 25,2; Eclo 22,18; Tg 5,10s).
O justo persevera, esperando a intervenção de Deus (Jó
6,8-13; 15,31; Mt 24,13; Mc 13,13).
Perseverança nas boas obras (2Cr 15,7; Eclo 2,16; 5,11s; Ez 33,18; 1Cor
15,58; 2Ts 2,2; 3,13; Tg 1,8).
Perseverança na fé (At 14,21s; 1Cor 16,13; Ef 4,14; 1Tm 1,19;
Hb 10,38).
Perseverança na vocação (Pr 27,8; Eclo 11,23s; 1Cor 7,20;
Hb 3,14; 10,23).
Perseverança na graça especial (1Cor 1,8; Ef 6,10; 1Ts 5,24).
Prêmio da perseverança (Mt 10,22; Rm 2,6s; 1Tm 3,16; Ap 2,10; 3,21).
PLENITUDE
A vinda de Cristo constitui a plenitude dos tempos (Gl 4,4; Ef 1,10).
Pela sua ressurreição, Cristo torna-se Cabeça da Igreja
e do Universo (Cl 1,15-19; 2,9-15; 1Cor 15,20s; Ef 5,25; Cl 2,9; Jo 1,14).
A Igreja é a plenitude de Cristo (Ef 1,22s; 1Cor 12,6; 15,28; Cl 3,11).
Os carismas, a fé e a caridade tornam os cristãos participantes
da plenitude de Cristo (Ef 4,11-13; 1,17-19; 3,17-19; 4,10-13).
A caridade é a plenitude de todas as virtudes (Rm 13,8-10; Ef 1,10; Cl
3,14).
POBRE
“Pobre” na Bíblia traduz o termo grego ptochós que,
por sua vez, é a tradução de vários termos hebraicos
com conotações diferentes. Pobre pode significar alguém
que é dependente, está a serviço, perdeu a propriedade
fundiária por causa da injustiça e opressão; é também
o fraco, sem peso social, o mendigo, o sem-teto, o indigente. O orante, nos
salmos de lamentação individual (veja Introdução
ao Livro dos Salmos), apresenta-se como “pobre e miserável”,
isto é, injustiçado por sua fidelidade a Deus e totalmente dependente
de Deus, a quem implora auxílio.
Em Israel a propriedade tinha um fim eminentemente social. Por isso, a pobreza
prolongada é vista como fruto da injustiça, uma desobediência
a Deus que leva à falência da sociedade. O único proprietário
da terra é Deus. Por isso o latifúndio de alguns, à custa
da miséria de outros, é intolerável.
Para combater a pobreza e a ganância, criaram-se leis sociais humanitárias:
a) a libertação, no sétimo ano, dos israelitas que caíram
em servidão por causa de dívidas (Ex 21,2);
b) no sétimo ano a terra não era cultivada pelos donos e as colheitas
pertenciam aos pobres (23,10s);
c) proibia-se a opressão e exploração dos pobres (22,22-26);
d) condenava-se a manipulação da lei em prejuízo dos pobres
(23,6-9).
O próprio Deus se apresenta como defensor dos pobres e oprimidos, ele
que libertou Israel da opressão do Egito (22,21s; 23,9).
Os profetas Amós (2,7; 4,1; 5,11; 8,4), Isaías (3,14s; 5,8s; 10,2)
e Miquéias (2,2; 3,2-4) denunciaram a opressão dos pobres e miseráveis,
pecado que levou à ruína do reino de Judá (Ez 22,29).
No NT a mensagem de Jesus se dirige especialmente aos pobres (Mt 11,5; Lc 4,18).
Chama-os de “bem-aventurados”(Mt 5,3; Lc 6,20), mas critica os ricos
satisfeitos com sua riqueza (Lc 6,24-26; cf. Tg 2,2-7). Dos ricos exige desapego
dos bens e o uso social dos mesmos (Mc 10,17-27; cf. Lc 19,8). No juízo
final o cristão será julgado pela maneira como tratou os pobres
e necessitados (Mt 25,31-46; Tg 2,13). Ver “Ano Jubilar”.
POBREZA EVANGÉLICA
Natureza: Mt 10,9; 1Cor 7,29-31; Fl 3,8; 1Tm 6,7s; vantagens: Ecl 5,14; Eclo
20,21; Mt 19,21-24; Lc 6,20; 14,33; 18,28-30; 1Cor 9,25; exemplos: Lc 5,11;
At 2,44s; 4,32-35; 2Cor 6,10.
PÔNCIO PILATOS
Foi governador (procurador) romano da Judéia do ano 26 a 36 dC. Pelo
fato de ter usado do dinheiro do templo para construir um aqueduto (adutora),
e pela violência com que reprimiu os samaritanos, acabou sendo deposto.
Nos Evangelhos é conhecido como juiz no processo de Jesus (Mt 27; Jo
18–19; At 3,13; 1Tm 6,13).
PORTA
As cidades mais importantes eram cercadas por muralhas. A saída e a entrada
da cidade eram controladas por uma ou mais portas. A porta, além de significar
segurança (Sl 87,2), tornou-se também um lugar público
onde se faziam negócios, decidiam-se questões judiciais (Rt 4).
Em sentido simbólico, Jesus comparou-se à porta, pois somente
por ele temos acesso às realidades celestes e recebemos os dons divinos
(Jo 10,7).
POSTES SAGRADOS
Chamados também “estacas sagradas”ou “estacas da idolatria”,
são símbolos de Asera, deusa fenícia da vegetação,
considerada como companheira do deus da fertilidade, Baal. Em geral o seu símbolo
é uma árvore verde. Na falta desta, podia ser uma estaca ou poste
de madeira.
POTESTADES
Ver “Dominações”.
POVO DE DEUS
A expressão “povo de Deus” está ligada à terminologia
da aliança (Rm 9,24s; Os 1,9; 2,25; 2Cor 6,16; Hb 4,9; 8,10; Jr 31,33;
1Pd 2,10; Ap 18,4; 21,3).
PREDESTINAÇÃO
É o plano e o conhecimento prévio que Deus tem de nossa salvação:
Sb 15,7; Eclo 33,10-14; Mt 20,16; Rm 8,28-30; Ef 1,5; 2Tm 2,20. É um
mistério: Eclo 3,22s; Jo 15,16; Rm 9,14s.18-21; 11,5s. O conhecimento
prévio que Deus tem de nossa salvação não tolhe
nossa responsabilidade e deve provocar uma atitude de temor e de confiança;
Ecl 9,1s; Jo 3,16s; Rm 11,20; 1Cor 4,4; Fl 2,12; 1Tm 2,4; 4,10; 2Pd 1,10.
PREGAÇÃO
A pregação neotestamentária tem três objetos centrais:
O Evangelho ou o anúncio do Reino aos pobres (Lc 4,16-22.43s; 6,20-23;
Mc 1,1; Mt 3,2; 4,23; 11,2-6; At 13,32s; Is 40,9-15; 61,2). É o anúncio
do “mistério”, do plano de Deus, realizado em Cristo e na
Igreja e inclui também o que Jesus disse e fez (At 1,1s; 1Cor 1,17-25;
15,3-5; Cl 1,24-29; 4,2-4; Ef 3,1-7; Rm 1,1-6).
O convite à conversão e à participação no
banquete messiânico (Pr 9,2-5; Mt 22,2-10; 25,6; Jo 2,2).
O “nome”de Jesus, isto é, a sua elevação à
categoria de “Senhor”(Kyrios), título obtido pela sua morte
e ressurreição (Rm 1,4s; At 8,12; 5,41s).
PREGUIÇA
Corporal: Pr 6,6-11; 12,11; Ez 16,49s; 1Tm 5,11-13; espiritual: Mt 21,19; 25,24-30;
Hb 12,1-3. Ver “Trabalho”.
PRESBÍTERO
Ver “Anciãos”, “Ministérios”.
PRETÓRIO
Residência do pretor, magistrado ou governador romano com poderes militares,
encarregado dos julgamentos (Mt 27,27; Mc 15,16).
PRIMÍCIAS
Primeiros frutos da terra oferecidos a Deus (cf. Lv 23,10-17; Dt 26,2s e notas).
No sentido simbólico, o termo é aplicado a Israel (Jr 2,3), a
Jesus ressuscitado (1Cor 15,20.23), aos primeiros convertidos ao cristianismo
(Rm 16,5).
PRIMOGÊNITO
Tanto a primeira cria de um animal, como os primeiros frutos das árvores
deviam ser oferecidos ao Senhor no santuário, em agradecimento pelo dom
da vida. A mesma lei se aplicava ao primeiro filho do casal: ele era considerado
propriedade do Senhor (Ex 13,2; 22,29). Mas como sacrifícios humanos
eram severamente proibidos, os pais, depois de oferecer o menino no templo,
o resgatavam mediante uma oferta material. Esse costume devia lembrar aos israelitas
a noite do êxodo, quando Deus fez morrer os primogênitos dos egípcios,
ao passo que preservou os filhos dos israelitas (Ex 12,29). Também Jesus,
aos quarenta dias de idade, foi levado ao templo por seus pais, oferecido ao
Senhor e em seguida resgatado (Lc 2,28s; cf. Ex 13,12s e nota).
Ao filho primogênito cabiam os direitos de primogenitura, como dupla herança
(Dt 21,17), supremacia entre os irmãos e chefia da família (Gn
27,29.40; 49,8). Mas às vezes, como no caso de Jacó e de Judá
(27,30-37; 49,4-8), este direito não foi respeitado.
Jesus é chamado “primogênito de toda criatura”(Cl 1,15;
Hb 1,6) em razão da supremacia que o Pai lhe concedeu entre os homens
(Rm 8,29).
PRINCIPADOS
Ver “Dominações”.
PROCURADOR
Ver “Governador”.
PROFETA
É alguém que fala aos outros em nome de Deus (Dt 18,18). É
um porta-voz escolhido, enviado e inspirado por Deus para fazer em seu nome
pronunciamentos (Jr 7,25; 25,4; 2Rs 17,13), chamados oráculos, e para
fazer ver a vontade divina (Am 3,7). Por causa do conhecimento dos segredos
divinos é chamado também “visionário” ou “vidente”(1Sm
9,11; Am 7,12; Is 30,10). Mas o essencial de um profeta é falar em nome
de Deus e não prever o futuro ou estar sujeito a transes proféticos
(cf. Nm 11,25s e nota).
Em Israel houve comunidades ou confrarias proféticas, que viviam junto
dos santuários (1Sm 19,18-24; 1Rs 18,4.13.22; 19,10; 2Rs 2,3-5.15-18;
4,1; 5,22; 6,1). Eram parecidas com as dos “profetas de Baal”(1Rs
18; 2Rs 10,19-25).
Houve também profetas cortesãos (1Rs 22; Jr 28). Estes foram freqüentemente
combatidos pelos verdadeiros profetas (Mq 3,5; Sf 3,4; Jr 5,31; Ez 13,9s).
No AT Deus comunicou-se com os homens por meio de Moisés e dos profetas.
Nos últimos tempos falou por meio de seu Filho Jesus Cristo (Jo 1,1-18;
Hb 1,1s), o profeta como Moisés (Dt 18,15; Jo 1,21; 6,14; 7,40).
Fala-se de profetas também no Novo Testamento (At 2,17; 11,27; 13,1;
15,32; 21,9; 1Cor 12; 14,26-32; Ef 4,11; Rm 12,6; Ap 1,3; 2,7; 1Ts 5,19s; 1Tm
1,18; 4,14; 1Pd 1,10).
PROMESSA
O termo não ocorre no AT, mas o conceito está presente. Deus promete
ao homem e cumpre a sua palavra (Is 40,8), que é eficaz (Is 55,9-11).
Deus prometeu numerosa descendência, uma terra e a bênção
a Abraão. A Davi prometeu uma dinastia estável (2Sm 7,5-16; 1Rs
2,4), promessa atualizada pelas promessas messiânicas e escatológicas
(Is 2,2-5; 11,1-9). As promessas, fruto da bondade e misericórdia de
Deus, são garantidas por sua fidelidade.
No NT o aspecto profético da palavra de Deus e a história do povo
eleito são chamados promessa, que teve sua realização em
Cristo. A promessa realizada se torna o anúncio da boa-nova (At 13,32).
A promessa caracteriza a gratuidade dos dons divinos em oposição
às obras da Lei (Rm 4,13-21; Gl 3,17-22). Em Cristo as promessas divinas
se tornaram um “sim”(2Cor 1,20; Ap 3,14).
PROPICIATÓRIO
Ver Ex 25,17s e nota.
PROSÉLITO
Pagão convertido ao judaísmo, que se agregou ao povo judeu pela
circuncisão (Mt 23,15; At 2,11). Alguns prosélitos converteram-se
ao cristianismo (At 6,5; 13,43).
PROSTITUIÇÃO
Relações sexuais com mulheres, por dinheiro, não eram desconhecidas
em Israel (Gn 38,15-23; Jz 16,1). Mas era uma prática condenada pela
Lei (Lv 19,29) e por S. Paulo (1Cor 6,15s). Em Canaã era comum a prostituição
de homens e mulheres, que se ofereciam em santuários, nos cultos de fertilidade
em honra de alguma divindade; a prática era repelida pela Lei (Dt 23,18).
Dentro do simbolismo conjugal da aliança, os profetas caracterizam como
“prostituição” a conduta infiel de Israel em relação
a seu Deus (cf. Sb 14,12; Os 4,10 e notas).
PROVIDÊNCIA DIVINA
Em geral: Sl 104,27s; 145,15s; Sb 6,7; Mt 6,25-30; At 17,28; Cl 1,17; 1Pd 5,7.
Em particular: Sl 23,1; 37,23; 147,8s; Eclo 17,19; Is 43,1s; Lc 12,6s.22-32.
Tudo acontece por vontade ou permissão de Deus: Jó 5,6.17s; 34,21;
Pr 5,21; 16,9; 19,21; Lm 3,37; Am 3,6; Mt 10,29-31; Rm 8,28; 2Cor 4,17; Hb 12,11s;
2Pd 3,9.
PRÓXIMO
Próximo para o israelita era o irmão, o conterrâneo, membro
da mesma tribo e da mesma raça (Ex 20,17). A estes se devia amar em primeiro
lugar (Lv 19,18 e nota). Mas já no AT este amor é extensível
também ao estrangeiro que mora junto com o israelita (Lv 19,33s). Jesus
amplia a noção de próximo, exigindo amor não só
a estrangeiros mas até a inimigos (cf. Lc 10,29 e nota). Ver “Amor”.
PRUDÊNCIA
Realiza as obras planejadas com sabedoria (Pr 24,3; Sb 9,11).
Obtém-se com a oração (1Rs 3,9; Pr 2,6-9; Sb 8,21; 9,9-11)
e com a docilidade aos pais, mestres e anciãos (Pr 1,8s; 6,20-22; 7,1s;
23,22-25; Sb 4,9; Eclo 25,3-6; 44,1-4).
Quem observa as palavras de Cristo é prudente (Mt 7,24-27).
A máxima prudência é dar tudo para entrar no Reino (Mt 13,44s;
19,21; 25,26s; Lc 14,28-32).
O cristão prudente vigia, esperando o seu Senhor (Mt 25,8-11; 26,41;
Lc 12,35-37; Mc 13,35; 1Pd 4,7).
Também existe uma prudência falsa, mundana (Is 5,21; 7,12; Lc 12,16-20;
16,8).
PSEUDOEPÍGRAFOS
Livros que têm título falso, isto é, falsamente atribuídos
a certo autor. Com este termo as Igrejas protestantes englobam os livros do
AT que na Igreja Católica são considerados apócrifos.
PUBLICANO
Cobrador de impostos a serviço do governo romano. O posto era leiloado
e por isso muito cobiçado nos vários distritos e vilas. Para cumprir
o compromisso assumido com o governo cobravam-se pesadas taxas; por isso, os
publicanos eram odiados pelo povo em geral. Mateus exercia este ofício
em Cafarnaum (Mt 9,9) e Zaqueu em Jericó (Lc 19,1-10). Jesus era acusado
de ser amigo de cobradores de imposto e de pecadores (Mt 9,10-13; 11,19).
PUREZA
Pureza cultual: é a aptidão exigida pela Lei para participar no
culto. Não tem relação direta com a pureza em sentido moral
(Lv 11,11-15). Vários fenômenos tornavam o homem impuro (veja “Puro-impuro").
A verdadeira impureza é o adultério religioso, a idolatria (Os
2; Ez 16; 23), própria de um coração incircunciso (Jr 9,24s;
Rm 2,25-29).
Pureza moral: Os profetas insistem na pureza interior, frente aos formalismos
cultuais (Is 1,15-17; 29,13; Os 6,6; Am 4,1-5; 5,21-23; Sl 18,21-25; 51,12).
Ver “Circuncisão”.
PURGATÓRIO
: 2Mc 12,43-46; Mt 5,25s; 12,32; Lc 12,48; 1Cor 3,13-15; 2Cor 5,10; Gl 6,8;
Ap 21,27.
PURIFICAÇÃO
Rito que visava recolocar na esfera da comunicação com a divindade
indivíduos que contraíam alguma “impureza”. Havia
ritos para purificar quem tivesse tocado um cadáver (Nm 5,2s; 6,9-12;
19) ou contraído uma doença de pele (Lv 14-15) e para a mulher
que deu à luz (12,8; Lc 2,21-24). Ver “Puro-impuro”.
PURIM
. Palavra de origem persa, que significa “sortes”. É a festa
que comemora a libertação dos judeus ameaçados de extermínio.
Sobre a origem da festa ver a Introdução ao livro de Ester.
PURO-IMPURO
Puro e impuro são noções encontradas quase em todas as
religiões antigas e povos primitivos. Não se trata de pureza física,
moral ou de castidade. Impuro é o que está carregado de forças
perigosas ou pode desencadeá-las, e por isso deve ser evitado. A impureza
não significa, pois, culpabilidade ou pecado; por exemplo, a mulher após
o parto ou durante a menstruação é considerada impura;
tocar um morto, estar atacado por certas doenças ( “lepra")
torna a pessoa impura.
Certos animais ou alimentos de origem agrícola são considerados
impuros e por isso rejeitados pela cultura nômade da qual provinham os
israelitas. Assim os animais elencados em Lv 11,29s são considerados
impuros pois tinham um papel no culto cananeu; o porco era impuro porque era
usado no culto de Adônis-Tamuz. Tais proibições visavam
evitar misturas e manter a integridade. Por isso também animais ou coisas
híbridas deviam ser evitados (Lv 18,23; 19,19). O motivo original de
tais práticas podia ser um simples tabu. Mas, no contexto atual, Israel
deve evitar certos alimentos e atos que o tornam impuro, porque impedem de participar
no culto divino (Lv 11,1-47).
Jesus criticou este conceito de pureza ritualística e meramente exterior
(Mt 23,25s), mostrando que o que torna impuro o homem não são
as coisas que vêm de fora, mas o que procede do coração:
os maus pensamentos que levam ao pecado (Mc 7,15-23). Ver as notas em Lv 12,1-8;
14,33-53; 15,1-33.
QUERUBINS
Seres da mitologia babilônica que guardavam os portais dos templos e palácios
(cf. Gn 3,24; 2Sm 22,11; Ez 10,2 e notas). Nos apocalipses judaicos e no cristianismo
foram equiparados aos anjos. Ver “Anjo”.
QUMRÂN
Localidade junto à costa noroeste do mar Morto, a 13 km ao sul de Jericó,
em cujas proximidades se descobriram em 1947 preciosos manuscritos da Bíblia
hebraica. Os manuscritos são datados entre o ano 150 aC e 68 dC, pois
neste ano foi destruído pelos romanos o edifício (uma espécie
de mosteiro) onde vivia em comunidade uma seita religiosa, provavelmente composta
de essênios. Esta seita, parecida com a dos fariseus, mantinha-se separada
do templo e do judaísmo oficial, aguardando a instauração
dos tempos messiânicos. Os manuscritos bíblicos copiados pela seita
atestam grande afinidade com o texto hebraico do AT que nos foi transmitido.
Ver “Manuscrito”.
RABI
Título respeitoso que recebiam os doutores da Lei. O termo é hebraico
e significa “mestre”(Mt 26,25; Mc 10,51; Jo 3,26). Jesus criticou
este uso do termo (Mt 23,7s).
RECONCILIAÇÃO
Processo pelo qual se restabelecem as relações de amizade entre
homens ou entre Deus e o homem, ou o povo de Deus. Deus oferece perdão
e o homem lhe responde pedindo perdão e cumprindo ritos de expiação
para aplacá-lo. Esta reconciliação foi obtida de modo perfeito
pelo sacrifício de Cristo na cruz (Hb 9–10). Ver “Expiação”.
REDENÇÃO
O termo vem do latim redimere, “pagar resgate”, “redimir”.
“Redimir”é pagar o resgate para libertar da escravidão.
Cristo é simultaneamente o nosso redentor e o preço do nosso resgate.
O direito hebraico incluía o “goel”–redentor, libertador,
com uma tríplice função: executar a “vingança”(Nm
35,9-29; Dt 19,1-13; Js 20); resgatar as propriedades familiares (Rt 2,19s;
4,4; Lv 25,8-34); ser “goel”na lei do levirato (Dt 25,5-10; Rt 3,13;
4,1-8).
Esta tríplice função do “goel” atribuía-a
o AT a Javé e o NT a Cristo:
- “Vinga o sangue dos seus”(Is 47,3; 49,25s; 59,16-20). Também
Cristo, o Juiz universal, “vingará os seus discípulos perseguidos”(1Ts
1,6-10; Ap 6,9-11; Lc 18,7).
- Javé resgatará o patrimônio daquele que, no ano jubilar,
não tiver nenhum “goel”(Lv 25,10; Is 61,2; 53,4). Cristo
inaugura o ano jubilar, ou ano da graça (Lc 4,21).
- Deus tomará conta de Jerusalém na sua viuvez (Is 54,1-8; 44,6;
49,20s; 62,4s). Cristo é também o salvador da sua Esposa, a Igreja
(Ef 5,23-25).
"Remir” é libertar da escravidão:
- Leis sobre o resgate dos escravos (Ex 21,1-11; Dt 15,12-18; Lv 19,20).
- Deus resgata o seu povo do Egito (Dt 13,6; 24,17s; Is 19,20-22) e das garras
de Babilônia (Is 35,8-10; 51,9-11; Jr 31,10-12). Base para uma teologia
sobre a libertação dos escravos.
- Cristo liberta-nos da escravidão do pecado (Mt 11,2-6;Lc 1,77; 4,21;
Ef 1,7); da Lei (Gl 3,10-13; 4,1-7; 1Pd 1,17-19) e do “príncipe
deste mundo”(Jo 8,44; 12,31; 1Cor 2,8; 2Cor 4,4; Ef 2,2; Hb 2,14; 1Jo
5,18; Ap 12,7s).
Cristo é o preço do nosso resgate, porque nele Deus realiza a
nova aliança (Mt 20,28; 1Tm 2,6; Jo 10,17s; Rm 5,6-8; 1Pd 2,9).
REINO DE DEUS
No AT Deus apresenta-se como Rei-Pastor do seu povo. Israel era o reino, a pertença
de Javé, entendido, a princípio, em sentido material (Ex 15,18;
16,9; 19,6; Is 5,4; Jz 8,23; 1Sm 8,7;Sl 24,7-10; 11,4; 47,3; 103,19; Jr 10,7-10).
Instaurada a monarquia real, esta deve estar subordinada à realeza de
Javé (1Sm 8,1-7.19s; 2Cor 13,8; 2Sm 7,14; Sl 2,7).
As infidelidades dos reis, a divisão do reino e o exílio permitiram
a espiritualização do conceito de Reino, despertando a esperança
para uma realização definitiva do reinado de Javé nos tempos
escatológicos (Mq 2,13; Ez 34,11; Is 40,9s; 52,7; Sf 3,14s). Será
um reino universal (Zc 14,9; Is 24,23; Sl 47; 96; 99; Dn 2,4-44; 7,14-27; Sb
3,8).
No tempo de Jesus o povo tinha nostalgia deste passado e esperava que Deus estabelecesse
seu reinado definitivo sobre Israel e as nações. Os judeus esperavam
uma intervenção maravilhosa de Deus, de caráter político,
mas numa relação particular com Deus (Mt 4,3-9; 20,21; Jo 6,14s;
At 1,6).
Jesus dá ao Reino de Deus (Marcos) ou ao Reino dos Céus (Mateus)
o primeiro lugar na sua pregação (Mt 3,2; 4,17; 9,35; 10,7; Lc
12,31; 16,16; 22,29; Jo 12,13-15). Apresenta a sua ação na linha
das manifestações do reinado messiânico escatológico,
anunciado pelos profetas (Mt 4,23; 12,28; Lc 7,21s; cf. Is 35,5s; 61,1-3).
Os apóstolos recebem de Cristo a missão de proclamar o Evangelho
do Reino (Mt 10,7).
Depois de Pentecostes o Reino é o tema central da pregação
evangélica (At 14,22; 19,8; 20,25; 28,23-31; 1Ts 2,12).
Só aos humildes e aos pequenos é dado conhecer os mistérios
do Reino (Mt 11,25).
O Reino é “como a semente depositada na terra”(Mt 13,3-9.18-23)
que crescerá por seu próprio poder como o grão (Mc 4,26-29).
É como “fermento na massa”(Mt 13,33). Converter-se-á
numa grande árvore onde se aninharão as aves do céu (Mt
13,31s).
O Reino é dom de Deus (Mt 5,3; 13,44-46; 18,1-4; 20,1-16; 1Cor 6,9s;
Gl 5,21; Ef 5,5).
O Reino está em crescimento até a Parusia (Mt 9,37s; 11,12s; 13;
25,34; Mc 2,19; Jo 4,35; 2,1-11; At 1,9s; Lc 21,31; 22,14s.17s). Ver “Senhor”.
RELIGIÃO
Ver “Culto”.
REMISSÃO DOS PECADOS
Ver “Batismo”, “Penitência”, “Perdão”,
“Justificação”, “Paz”.
RESIGNAÇÃO
Exortação: Jó 1,21; Pr 3,11s; Ecl 7,15; Hb 12,6s.
Motivos: Dt 32,4; 1Sm 3,18; Jó 2,10; Mt 26,39; 1Cor 10,13; 2Cor 1,5;
4,8s; Hb 12,11.
RESPONSABILIDADE
De todos: Mt 12,36; 18,23; Rm 14,12; 2Cor 5,10; 1Pd 4,5. Dos superiores: Sb
6,7; Lc 16,2; 1Cor 4,1-4; Hb 13,17.
RESSURREIÇÃO
Javé é o Senhor da vida e da morte (Os 13,14; Dt 32,39; 1Sm 2,6).
Cristo tem as chaves do reino dos mortos (Ap 1,18; 1Pd 3,19; 4,5s; Ef 4,8-10;
Cl 1,18; Ap 20,1).
Primeiras afirmações bíblicas da Ressurreição
(Dn 12,2s; Sl 16,9-11; 2Mc 7).
Manifestações de Cristo Ressuscitado (Mt 28,9s; Mc 16,9s; Lc 24,13s;
Jo 20,16s; 1Cor 15,6s).
Testemunhas da Ressurreição (At 1,21s; 2,32; 3,15; Rm 1,4s; 6,4).
Pela Ressurreição Cristo comunica a vida ao mundo(Jo 7,37-39;
10,14-17; 12,2-24; 11,1s) e por ela nos redime (Rm 4,24; 10,9; 2Cor 5,14-16;
Ef 2,5; Cl 2,12; 3,1).
A Ressurreição de Cristo é a causa da nossa ressurreição
escatológica (1Cor 15,1-58; 1Ts 4,13-18), batismal (Rm 6,1-11) e moral
(Ef 4,17-24; Cl 3,1-7).
A ressurreição dos mortos é anunciada no AT (Jó
19,25; Is 66,14; Ez 37,1-14; 2Mc 7,9.14). É afirmada no NT (Mt 22,31;
Jo 5,25-29; 6,39; 11,24; At 24,15; 1Cor 6,14; 2Cor 1,9; 1Ts 4,13-18; Ap 20,12.
Ver “Retribuição”.
RESTITUIÇÃO
No Antigo Testamento: Ex 21,33-36; 22,3-15; Lv 24,18.21; Nm 5,7; Ez 33,15. No
Novo Testamento: Lc 19,8s; Rm 13,8; Fm 18-19.
RESTO
O termo, usado sobretudo pelos profetas, designa os sobreviventes de grandes
catástrofes, como o dilúvio (Gn 7,1s) e o exílio (Is 6,13).
“Resto Santo” não é, porém, o resto histórico,
mas a comunidade a ser salva no fim dos tempos (Is 4,4; 10,22; Jr 23,3; Mq 5,6-8).
"Resto fiel” é a parte do povo que permaneceu fiel em vários
momentos da história (1Rs 19,18; Is 10,18-22; 17,4-6; Am 3,12; 9,8-10;
Dt 4,27; Mq 4,7; 5,2; Zc 8,6-13; Rm 11,3-5). O “resto fiel” é
símbolo do “novo Israel”, formado de judeus e pagãos
(Rm 9,27). O Messias reunirá um “resto”, um “pequeno
rebanho”(Jr 23,3-6; Mq 2,12s; 5,1-8; Zc 3,8; 6,12; Lc 12,32), que será
fermento na massa (Lc 13,20s), como uma semente no seio da terra (Lc 13,18s),
como luz e sal do mundo (Mt 5,13-16).
RETRIBUIÇÃO
Na Bíblia não se fala da retribuição em sentido
propriamente jurídico, como se fosse uma paga adequada. Esta aparece,
sobretudo, como uma dádiva de Deus (Rm 3,27; 8,14-17; Fl 2,13; 1Cor 15,19.50;
Cl 1,13).
A retribuição, no início, é entendida como castigo
coletivo dos inimigos de Israel (Ex 23,27; Js 24,12); depois, como um juízo
de ira sobre o povo de Deus (Nm 25,3; Js 22,20; Ex 32; Nm 11,1; 14,38; 17,6-15).
A retribuição pode ser um prêmio ou um castigo segundo o
esquema teológico pecado-castigo; conversão-perdão-recompensa
(Jz 2,11-23; 3,7-9). As bênçãos e as maldições
são disso uma prova (Dt 28,1s; 4,40; 5,33; 7,12-26; 15,4-10; 30,15-20).
O povo do AT, não tendo a perspectiva de uma vida futura, interpreta
tudo o que lhe acontece de bem e de mal como um prêmio ou um castigo divinos
pelo bem ou mal que fez (Jz 2,11-15; 3,7s; Dt 28; Jó 11,14s; 18,1-21;
22,25s; Pr 3,2s.10.23.26.33s; 4,10-22; 8,18s; 9,11). Concluía-se que
por detrás de cada desgraça, coletiva ou individual, havia o pecado.
Contra isso se levanta a consciência de muitos justos atribulados como
o testemunha o livro de Jó e outros textos sapienciais (Jó 3,1-26;
9,14-35; 10,7).
No exílio em Babilônia, perante o fato dos justos que morrem perseguidos
sem nenhuma recompensa temporal, surge a esperança da ressurreição
(Dn 12,2s; 2Mc 7,9-23; 12,44s; 14,46). Sob a influência grega, nasce a
fé na imortalidade (Sb 3,7s.14; 4,2; 5,16; 6,19; Sl 49).
A literatura sapiencial ensina: “aquilo que cada um semeia isso recolherá”(Pr
24,12; Ecl 11,4; 1Cor 9,11; Mt 13,28s).
Jesus fala de prêmio e castigo temporais, sempre numa perspectiva transcendente
(Mc 10,29s; 12,1-9; Lc 13,1-5; 19,41-44; Mt 11,20-24; 23,37s).
Cristo fala, sobretudo, de castigos e prêmios transcendentes. Consistem
em receber o Reino ou em rejeitá-lo(Mt 20,1-15; 5,3-12; 25,1-46; 6,1-21;
7,24-27; 10,32s; 11,28-30; 19,28-30; Lc 14,7-14; 15,11-32; 16,19-31; 17,1-10;
18,9-14; 19,13-27; Mc 8,35; 9,41; 12,1-9).
Cada um será recompensado segundo as suas obras (Rm 2,6; 2Cor 5,10; Ap
20,12) no dia da vinda (parusia) do Senhor (1Pd 4,13; 5,4; Ap 22,12; Jo 12,48).
REVELAÇÃO
Existe uma revelação natural (At 15,17; 17,27s; Rm 1,18s).
Deus invisível tornou-se visível em Cristo (Ef 1,9; Cl 1,15; 1Tm
1,17; Ex 33,11; Jo 15,14-15; 2Tm 1,10; Tt 3,4).
Manifestou-se para vivermos em comunhão com ele (1Jo 1,2s; Ef 2,18; 2Pd
1,4).
Cristo é o mediador e a plenitude da revelação (Mt 11,27;
Jo 1,14.17; 14,6; 17,1-3; 2Cor 3,16; Ef 1,3-14; Hb 1,1s).
Estrutura sacramental da revelação: Deus manifesta-se por palavras
(Hb 1,1s; Jo 1,18; 10,34) e por obras (Rm 1,19s; Jo 5,36; 17,4).
A Deus que se revela deve prestar-se a “obediência da fé”(Rm
1,5; 16,26; 2Cor 10,5s).
A revelação é transmitida oralmente (Mt 28,19s; Mc 16,15;
At 1,8; Hb 1,1s; 1Cor 15,3; 1Tm 3,16; 2Tm 1,13; 4,17; Gl 2,2) e posta por escrito
sob a ação do Espírito Santo, segundo as necessidades litúrgicas,
catequéticas e apologéticas da comunidade cristã (Jo 20,31;
2Tm 3,16; 2Pd 1,19-21; 3,15s; At 8,35; Lc 24,47).
REVOLUÇÃO
Conseqüências Jz 12,1-6; 2Sm 15,10–19,8; Mc 15,7; At 5,36s;
19,23-40Nm 16,1-35).
Jesus respeita as instituições (Mt 5,17; 17,24; 23,2s); não
se compromete com as autoridades (Mc 12,13-17; Lc 13,32; 20,1); prevê
perseguições (Mt 10,16); repele a resistência armada (Mt
26,52; Lc 22,38.49); luta contra a desordem estabelecida (Mc 3,1; 11,15; Mt
23,5-38).
O que importa é a reforma interior (Lc 6,27;1Cor 7,17.29; Rm 12,2; 13,1).
RICO (RIQUEZA)
. A riqueza no AT é considerada como um bem relativo. Era apreciada porque
dava prestígio e poder e era um dom dado por Deus aos homens justos e
sábios (Pr 8,18; 10,22; 22,4; Jó 1,1-3; 42,10-17). Mas o homem
pode adquiri-la pelo próprio esforço (Pr 10,5; 13,11; Eclo 11,18);
por isso ela é fonte de orgulho (Jó 31,25; Pr 11,28) e torna difícil
a convivência com o rico (cf. Eclo 13,1-24 e nota). A riqueza torna-se
perigosa quando adquirida por meios injustos (Pr 28,6.22; 30,7-9) e causa muito
sofrimento aos pobres (Am 2,6s; 4,1-3; 8,4-6; Mq 2,1s). O rico deve lembrar-se
de que a riqueza é passageira, pois com a morte perde tudo (Pr 11,4;
23,4s; Eclo 11,19s).
No NT Jesus tomou posição frente à riqueza (Mc 10,17-31;
Lc 12,13-24; 18,24s). Ela é um dom de Deus, mas pode causar decepções
(Ecl 5,9–6,6; Mt 13,22) e colocar em perigo a salvação do
homem (6,19.24; 19,24). Jesus condenava a avareza (Lc 12,13-15) e exige dos
que o querem seguir mais de perto a renúncia a todos os bens (Mt 19,18-30).
As riquezas devem servir para ajudar os pobres (Dt 15,7s; Tb 4,8s; Eclo 29,1-13;
Lc 16,9; 12,33; 2Cor 8–9; 1Tm 6,17-19; Gl 2,10; 1Jo 3,17). Ver “Pobre”.
ROLO
As folhas escritas de um documento antigo podiam ser emendadas umas nas outras
em tiras e depois enroladas num bastão, formando um rolo ou “livro
enrolado"(cf. Ez 2,9 e nota; Zc 5,1s). Ver “Manuscrito”, “Códice”.
SÁBADO
É o sétimo dia da semana, consagrado a Deus porque após
os seis dias da criação o Criador descansou (Gn 2,2s). Era um
dia festivo (Ex 16,4s.14s.16-36; 35,1-3; Is 1,13; Os 2,13), no qual o israelita
se abstinha de qualquer trabalho (Ex 20,8-11; Ez 46,1-12; 20,12) e se dedicava
à oração (cf. Ex 31,13; Nm 15,32-36; 1Mc 2,32-41 e notas).
Sábado é também o dia do anúncio dos bens futuros,
escatológicos (Is 56,1-6; 58,13s; 66,22s; Jr 17,19-27; Ez 44,1-12).
Mas, quando Cristo veio, o jugo dos fariseus fizera do sábado um dia
de escravidão (Mt 12,1-14; At 1,12; Lc 6,6; 13,10-17; Jo 5,9-18; 7,21-24;
9,14-16).
Cristo transforma o sábado no dia da sepultura (Lc 23,53s; Jo 19,31-42)
e fixa para o dia seguinte –domingo –o dia da Ressurreição,
da libertação, da nova criação (Mc 16,2-9; Jo 20,1.19).
O domingo é o dia em que o Senhor se manifesta (Jo 20,16.26) e transmite
o seu perdão (Jo 20,19-23). É o dia da reunião da comunidade
cristã (At 20,7; 1Cor 16,2). Por isso, o sétimo dia no qual o
cristão repousa e se dedica à oração é o
domingo (At 20,7; Ap 1,10 e nota). Ver “Domingo”, “Culto”,
“Festa”.
SABEDORIA
Salomão destacava-se como o grande sábio de Israel (1Rs 5,9-14;
Eclo 47,12-17; Pr 1,1; Ecl 1,1; Sb 8,19; 1Rs 3,4-15).
Progressivamente a sabedoria é considerada como uma participação
da sabedoria divina, manifestada no temor de Deus e na observância da
Lei (Pr 15,16.33; 16,6; Ecl 3,12s; 9,7-9; Sb 1,1-5; Eclo 15,1-6; 24,23s; Br
3,9–4,4).
Da Lei –sabedoria de Deus no meio do povo –passa-se à personificação
da sabedoria divina (Pr 8,23-31; Jó 28; Eclo 24; Sb 7,22-8,1).
João, no seu evangelho, diz-nos que a sabedoria personificada é
Cristo, o Verbo de Deus (Jo 1,18).
Como a sabedoria, também Cristo põe a mesa, oferecendo pão
e vinho (Jo 6,35; Pr 9,1-6cf. ; Eclo 24,19-22; Is 56,1-11; Mc 2,22; Is 55,1s).
Paulo, partindo de Sb 13,1-10, fala de um plano sábio de Deus, que levaria
o homem a conhecê-lo; mas este falhou por causa da sabedoria humana(Rm
1,19-25). Então Deus apresentou o “escândalo da cruz”(1Cor
1,19-25; 2,6-16).
SACERDÓCIO
Dos cristãos: Cristo é o único Sumo Sacerdote (Hb 3,1;
4,14-16; 5,5.10; 6,20; 7,23-28).
O povo de Deus é um reino de sacerdotes (1Pd 2,9; Ex 19,5s; Ap 1,5s;
5,9s; 20,6). Deve oferecer sacrifícios espirituais (Rm 12,1; Hb 13,15s;
Fl 2,17; 4,18) e anunciar a Morte e Ressurreição de Cristo na
“Ceia do Senhor”(At 2,42; 1Cor 10,16-22; 11,23-26; Lc 22,7-20).
Unido a Cristo, pedra angular, cada membro do Povo de Deus constitui uma pedra
viva do novo Templo espiritual (1Pd 2,4-6; Jo 2,19-22; 1Cor 3,16s; 6,19). Ver
“Ministérios”, “Carismas”.
SACERDOTE
Ministro sagrado, encarregado de oferecer diariamente sacrifícios e holocaustos
e queimar incenso no altar. O sacerdócio era hereditário: chegando
à idade estabelecida na lei, o sacerdote era consagrado (Ex 29; Lv 8–10;
Nm 18). Além das tarefas cultuais, aos sacerdotes cabia a instrução
do povo em assuntos religiosos e administração dos bens do templo.
No NT os anciãos, ordenados pelos apóstolos (At 14,23), supervisionavam
as comunidades (20,17), pregavam, instruíam e dirigiam os fiéis
(1Tm 5,17; 1Pd 5,1).
SACRIFÍCIOS
De louvor, de reparação e pelo pecado. Ver Lv 1–7. Ver “Expiação”.
SACRIFÍCIOS DE COMUNHÃO
. Nesse tipo de sacrifícios, chamados também pacíficos,
a carne da vítima era dividida em três partes: A primeira era queimada
sobre o altar e era a parte que cabia a Deus; a outra ficava para os sacerdotes
e a última, a maior, era devolvida às pessoas que ofertavam a
vítima para o sacrifício. Essa parte da carne era consumida num
banquete sagrado, em que as pessoas consideravam Deus presente como comensal.
Assim Deus e os homens participavam misticamente, mediante a fé, da mesma
mesa (cf. Lv 3,1-17; 7,12-21; 1Sm 20,8 e notas). Sob este aspecto, os sacrifícios
de comunhão eram prefiguração do banquete eucarístico,
no qual, num sentido mais verdadeiro, o cristão é admitido à
mesa do Senhor. Ver “Holocaustos”, “Oblação”,
“Expiação”(cf. Lv 1–7).
SADUCEUS
Partido religioso e político, cujo nome se relaciona com Sadoc, o Sumo
Sacerdote colocado por Salomão em lugar de Abiatar (1Rs 2,35). Os saduceus
separaram-se dos fariseus quando Jônatas usurpou o sumo sacerdócio
(135 aC). Desde então os saduceus entraram em luta com os fariseus, dos
quais se distinguem pelas crenças religiosas (Mt 22,23; Mc 12,18; At
23,8). Na política, apoiavam a dominação romana e controlavam
a nomeação dos sumos sacerdotes.
SAGRADA ESCRITURA
Ver “Bíblia”, “Revelação”.
SAGRADO
Aquilo que é separado do profano, ou do uso comum, para servir a Deus
(cf. Ez 19,1-23; Nm 1,53 e notas). Ver “Santo”.
SALOMÃO
Ver “Sabedoria”.
SALVAÇÃO
Deus é aquele que salva, dando vitória a Israel (1Sm 11,9.13;
19,5), ou salvando de algum perigo. Ele é o salvador por excelência,
que deu a Israel a salvação, tirando-o do Egito (Ex 14,30; Sl
106,21; At 7,25). Mesmo quando a salvação é uma conquista
humana a vitória é de Deus (cf. Jz 6,36 e Introdução
a Josué ). A salvação é esperada no sentido universal
também no fim dos tempos; é a salvação messiânico-escatológica.
Então se realizarão todas as esperanças de felicidade para
Israel, que será libertado do poder dos inimigos, da miséria material
e do pecado.
No NT o termo “salvação” é usado no sentido
de cura do corpo e da alma (Mc 5,34; Lc 8,48; 18,42). A salvação
temporal se orienta no sentido da salvação espiritual, do perdão
dos pecados (Lc 17,19) e da libertação de todo o tipo de escravidão
que resulta do pecado (Mt 1,21; Lc 1,77; At 5,31). A salvação
que Deus preparou em Cristo se destina a todos os homens (Jo 4,42; 1Tm 4,10;
Tt 3,4-6). O próprio nome de Jesus significa “Salvador”(Lc
1,31; 2,21; Mt 1,21; At 4,12). A fé é condição para
receber a salvação (Mc 16,16; Jo 11,25; Rm 10,9-13; Hb 11,7).
Ver “Redenção”.
SAMARIA
Fundada em 880 aC por Amri (2Rs 16,24), estava situada 77 km ao norte de Jerusalém,
numa colina de 450 m de altitude e de fácil fortificação,
no entroncamento de estradas importantes e no centro do reino de Israel. Ficou
sendo a capital do reino de Israel até a ruína da nação,
em 722 aC (2Rs 18,9-12), e depois tornou-se o centro administrativo da província
persa da Samaria. Herodes o Grande a reconstruiu magnificamente, dando-lhe o
nome de Sebaste (“Augusta”) em homenagem ao imperador Augusto, nome
que subsiste na designação atual Sebastie. O diácono Filipe
pregou ali o Evangelho (At 8,5-9).
SAMARITANOS
Com a destruição do reino do Norte, grande parte da população
foi deportada para a Assíria. Em seu lugar foram enviados colonos assírios
(2Rs 17,24-41). A população mista que então se formou deu
origem aos “samaritanos”, que permaneceram monoteístas. Quando
os cativos do reino de Judá foram repatriados pelos persas (538 aC),
os samaritanos quiseram aliar-se aos judeus e participar na reconstrução
do templo e da cidade. Mas Zorobabel (Esd 4,2) e Neemias não aceitaram
(Ne 13,28). Desde então vinha a inimizade entre judeus e samaritanos,
mencionada no NT (Lc 9,52-54; Jo 8,48).
Jesus, porém, mostrou simpatia para com os samaritanos (Lc 10,30-37;
17,11-19), aos quais mandou pregar o Evangelho (At 1,8; 8,4-25). Os samaritanos,
que só reconhecem como canônico o Pentateuco, ainda hoje vivem
numa comunidade de uns 300 membros no monte Garizim, onde anualmente celebram
a Páscoa segundo os antigos ritos.
SANGUE
O sangue significa vida (Gn 9,5; Lv 17,10-14; Dt 12,23). Beber o sangue seria
destruir a vida. Derrama-se junto do altar para significar o regresso da vida
a Deus (Gn 9,4; Lv 17,3-14; 19,26; Sl 58,11; Ez 39,11-19; 1Rs 21,19; 22,38).
A custo, os cristãos conseguiram libertar-se deste modo de conceber o
sangue (Rm 14,14-20; 1Cor 10,23-27). A proibição de comer sangue
no cristianismo foi uma lei transitória para facilitar a convivência
entre cristãos de origem judaica e pagã (cf. At 15,20.29 e nota).
Visto que o sangue é vida, e esta pertence a Deus, ele vinga o sangue
do inocente (Dt 32,43; Ez 14,19; 33,6-8; Lc 11,50s; Ap 16,3-6).
Os prodígios com intervenção de sangue anunciam a vingança
divina (Ex 4,9; 7,17-21; Sl 105,29; Sb 11,6s; Ap 6,12; 8,8; 11,6).
O sangue desempenha um papel importante nos sacrifícios (Lv 1–8).
O sangue de Cristo, que é vida, transmite a vida (Jo 6,54-57; Mt 26,28;
Jo 19,34s). O sangue é reparador e expiatório (Rm 3,25; 5,9; Ef
1,7; 2,13; Cl 1,15-20; Ap 1,5; 7,14; 22,14; Hb 9,14; 13,12).
SANTO
É tudo aquilo que está afastado, separado do impuro ou do profano
para o serviço de Deus. Santo é sobretudo aquilo que constitui
o “numinoso” da divindade, isto é, a majestade de Deus inacessível
às criaturas, a própria glória divina. O povo de Deus deve
ser “santo” para assemelhar-se a Deus e entrar em comunhão
com ele (Lv 20,7.26). Os cristãos são chamados “santos”
porque pelo batismo foram consagrados a Cristo (Rm 1,7; 1Cor 1,2) para viver
uma vida nova (Rm 6,3-14).
Santo é também o compartimento da tenda da aliança (Ex
26,33) e do templo (1Rs 6,3.5.17) que dava acesso ao Santo dos Santos. No Santo
estava o altar do incenso (Ex 30,1-30), a mesa dos pães da proposição
e o candelabro de sete braços (25,23-40).
Santos são nossos intercessores (1Cor 12,12.20s; Ap 5,8; Ex 32,11.14;
1Sm 7,8-10; Rm 15,30; Ef 6,18s; 1Ts 5,25; Hb 13,18; Tg 5,16). Temos comunhão
com eles (1Cor 12,26s). Estão com Cristo no céu (2Cor 5,1-8; Fl
1,23s; Ap 4,4; 6,9; 7,9.14s; 14,1-4; 19,1-6; 20,4). Deus opera milagres por
meio deles (Ex 8,9–11,10; 1Rs 17–18; 2Rs 2,8.14.21; Mc 6,13; At
3,6; 5,15; 14,7; 19,11s; Tg 5,17).
SANTO DOS SANTOS
Ou Lugar Santíssimo (1Rs 6,3), era a parte mais sagrada da tenda da aliança
(Ex 26,33s) ou do templo de Jerusalém (1Rs 6,16). Nela estava guardada
a arca da aliança. Ali só o Sumo Sacerdote podia entrar no dia
da Expiação (Lv 16,2; Hb 9,3-10). Este recinto estava separado
do Santo pelo véu protetor (cf. Nm 4,5 e nota).
SANTUÁRIO DAS ALTURAS
Ver “Lugares altos”.
SATÃ
O termo hebraico “Satã”, ou Satanás, significa“
acusador”, “adversário”(Jó 1,6cf. e nota). Mais
tarde passou a designar o inimigo de Deus e do homem (Zc 3,1 e nota), tornando-se
o nome próprio do anjo decaído e tentador do homem (Sb 2,24 e
nota; cf. Ap 12,9).
Jesus venceu as tentações de Satanás, que o queria desviar
de sua missão (Mt 4,1-11; Lc 22,28). Inaugurando o Reino de Deus neste
mundo, Jesus veio pôr fim ao reino de Satanás (Mt 12,28; Lc 10,18;
Jo 12,31). O cristão participa desta vitória de Cristo (2Cor 6,14;
1Jo 5,18s), que no fim dos tempos será definitiva (Ap 12–20). Ver
“Demônios”, “Dominações”.
SEFELA
Região entre a planície da costa do mar Mediterrâneo e as
montanhas de Judá, entre 300 e 400 m de altitude (Js 10,40; 1Cr 27,28).
SERAFIM
O termo vem do hebraico saraf, “arder”. Em Nm 21,8s (ver a nota)
indica as serpentes “ardentes” ou venenosas. Mais tarde designa
uma espécie de seres celestiais que purificavam pelo fogo (Is 6,2). Os
serafins simbolizam a santidade divina que purifica o pecador.
SERPENTE
Havia muitas serpentes venenosas na Palestina (Am 5,19; Pr 30,19; Sl 140,4).
Segundo a opinião popular alimentavam-se de pó (Gn 3,14; Mq 7,17;
Is 65,25).
Os israelitas associavam serpentes e espíritos maus. Ela era símbolo
do mal e da desgraça (Gn 3,1-5; Is 27,1; Sl 74,13s; Jó 3,8), da
falsidade (Gn 49,17), da astúcia (Gn 3,1; Mt 3,7; 10,16; 23,33); constituindo,
por isso, um perigo mortal (Eclo 21,2; Pr 23,32).
Também em Israel havia encantadores de serpentes (Sl 58,5s; Jr 8,17;
Ecl 10,11; Eclo 12,13; Tg 3,7).
Entre os orientais, certas serpentes são adoradas, como deuses da fecundidade
e transmissores da vida (emblemas fálicos). Por isso, no templo se adorava
a serpente de bronze (Nm 21,4-9; 2Rs 18,4; Sb 16,7). Cristo, pendurado na árvore
da morte (a cruz) é a serpente que dá a vida (Jo 8,28; 12,32s),
vencendo a serpente que se pendurara na “árvore da vida”(Gn
3,1s).
SERVIÇO
Ver “Ministérios”.
SERVO
Deus libertou Israel do Egito para que o servisse no deserto (Ex 7,16; 1Rs 8,23).
Por isso o povo de Deus em geral (Sl 34,23; 35,27) e os escolhidos de Deus (Gn
26,24; Ex 14,31; Ap 10,7) são chamados servos. Por causa do uso do termo
nos cânticos do “servo do Senhor”(Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11;
52,13–53,12) o título foi aplicado em sentido messiânico
a Jesus (Mt 12,18; At 3,13; Fl 2,7-9).
SETENTA
(Septuaginta, LXX). Nome dado à tradução dos livros do
AT, escritos em hebraico e aramaico, para o grego. Foi feita no Egito entre
250 e 100 aC. O nome “Setenta” provém da lenda, segundo a
qual a tradução foi levada a termo por setenta e dois doutores
da Lei enviados de Jerusalém. Os escritores do NT e os cristãos
dos primeiros séculos utilizaram esta tradução. No Ocidente,
a partir do século V foi substituída pela Vulgata.
SIÃO
Colina de Jerusalém situada ao sul do templo e ao norte da piscina de
Siloé. Em geral se identifica com Jerusalém (2Sm 5,7; Is 2,2s).
Na fenomenologia religiosa, a montanha é o lugar da presença divina.
Deus se revela no Sinai ou Horeb (Ex 3,1; 33,6; 19,11-20; 1Rs 19,1s).
Na Palestina, o povo sente atração pelos lugares altos (Ex 17,9;
Nm 22–24; 1Sm 7,1; 9,12-25; 1Rs 3,4; 1Cr 16,39).
Cristo escolhe os apóstolos, anuncia as bem-aventuranças, transfigura-se,
aparece ressuscitado sobre uma montanha (Lc 6,12; 9,28; Mc 3,13; 6,46; 2Pd 1,18;
Mt 5,1s; 17,1-9; 28,16-20).
A luta contra os lugares altos é uma das causas da centralização
do culto no templo, situado no monte Sião. Paulatinamente, vão
sendo atribuídas a Sião todas as prerrogativas do Sinai (Dt 12,1-14;
14,22-26; 2Cr 30; 2Rs 23,1s; Sl 9,12-15; 84,5-8; 20,2s; Jo 4,20).
Em Sião aparecem a Lei, a “Glória” e os fenômenos
teofânicos do Sinai (2Rs 22–23; Is 2,3; Sl 99; Gl 4,25s; Hb 12,18-24).
SIDÔNIA
Antigo porto fenício na costa do Mediterrâneo, ao norte de Tiro.
Junto com Tiro simboliza a civilização pagã corrupta (Lc
10,13-15).
SILO
Antigo santuário, ao norte de Betel, onde foi depositada a arca da aliança
(Js 18,1-10). O santuário foi destruído pelos filisteus (1Sm 1,9;
4–5).
SILOÉ
Piscina dentro dos muros de Jerusalém, na parte baixa da cidade, para
onde corriam as águas da fonte de Gion, através de um túnel
construído pelo rei Ezequias (2Rs 20,20).
SINAGOGA
Edifício em que os judeus celebravam as suas reuniões religiosas
(Mt 4,23; 6,2), especialmente aos sábados. Ser expulso da sinagoga equivalia
a ser excluído da comunidade judaica (Lc 6,22; Jo 9,22; 12,42; 16,2).
SINAI
Ver “Horeb”, “Sião”, “Deserto” e
“Peregrinação”.
SOBERBA
Ver “Humildade”, “Orgulho”.
SODOMA
Ver Gn 18,20 (e nota) e “Gomorra”.
SOFRIMENTO
De Jesus ver Cristo, o “Servo do Senhor”.
De Maria, ver Maria, mãe do “Servo Sofredor”.
Dos justo s e pecadores, ver “Retribuição”, “Perseguição”.
Como fonte de Redenção, ver “Cruz”, “Redenção”.
SUMO SACERDOTE
É o chefe dos servidores do templo e supervisor do culto. Como mediador
por excelência entre Deus e seu povo, oferecia o sacrifício cotidiano
(Ex 29,42) e fazia os ritos do dia da Expiação (cf. Lv 16,1-34
e notas). Era o presidente do sinédrio, desde o reinado dos hasmoneus.
O cargo era vitalício, mas por razões políticas o Sumo
Sacerdote acabava sendo deposto. Por isso, no NT fala-se em sumos sacerdotes.
Jesus é o Sumo Sacerdote por excelência, cujo sacerdócio
é perfeito e eterno, superior ao sacerdócio imperfeito de Aarão
(Hb 5,1-10; 7).
TABERNÁCULOS
Ver “Festa”, “Jerusalém”.
TADEU
Um dos doze apóstolos (Mt 10,3; Mc 3,18), chamado Judas por Lucas (Lc
6,16; At 1,13).
TALIÃO
Lei que no AT permitia ao indivíduo vingar-se na mesma proporção
da ofensa ou crime sofridos (cf. Ex 21,23-25; Lv 24,17-19; Dt 19,21 e notas).
Contra esta lei. Jesus exige de seus discípulos a não-violência
e o amor aos inimigos (Mt 5,38-48). Ver “Vingança de sangue”.
TÁRSIS
Colônia fenícia na Espanha (cf. Ez 27,12; Jn 1,3 e notas).
TEMOR DE DEUS
Na evolução bíblica podem perceber-se duas classes de temor:
o temor sagrado (Gn 15,1-7; 18,27; 28,15-17; Ex 3,1-5; 34,10-13; Jz 6,22s);
e o temor moral, ocasionado pelo pecado (Gn 3,9s; Is 6,3-7).
Mas a noção de temor interioriza-se: deixa de ser terror para
se transformar na atitude religiosa de evitar o mal e observar os mandamentos
(Dt 5,28–6,13; 17,19s; Ex 20,18-21; Jó 1,6-12; Pr 8,12-21; Eclo
2,14-18).
Desse modo, o temor é o grande mandamento e o princípio da sabedoria
(Dt 31,12s; Pr 1,7; 9,7-12; Jó 28,23-28; Eclo 1,11-20 e notas; 15,1-6).
Os justos –judeus ou pagãos –são os tementes a Deus
(Gn 22,11-13; Ex 1,17-21; Jó 1,1-8; At 9,31; 10,1s); os ímpios
são os que não temem a Deus (Sl 35,2-4; Is 63,17s; Rm 3,10-18).
O temor teofânico transforma-se em admiração ante as palavras
e as obras de Cristo (Mt 8,27; Lc 4,22; 2,9-18.33.47); o temor de Javé
passa a ser o “temor do Senhor”(At 9,31; 2Cor 5,11; Ef 5,21).
O AT foi o período do temor; o NT é o do amor (Rm 8,14-16; 2Tm
1,6s; 1Jo 1,3-8; Hb 12,18-24).
TEMPERANÇA
Não devemos deixar-nos levar por excessos no comer e no beber (Eclo 31,12-31;
32,1-13; 37,27-31; Pr 23,1-3.20s.29-35; Is 28,1-4).
No contexto hebraico, os jovens são convidados a afastar-se das mulheres
estrangeiras por causa do perigo de idolatria (Pr 2,16-19; 5,3-14; 6,24-35;
Eclo 9,9; 23,22-27; Ecl 7,26-28).
Por falta de temperança o homem porta-se às vezes como os animais
(Rm 1,26-29; 1Cor 6,9s; 1Tm 1,9s; 1Pd 4,3).
O cristão, filho da luz pelo batismo, não deve tomar parte nas
orgias noturnas (Rm 13,11-14; Jo 12,36; 1Jo 1,6s; 5,7s; Gl 5,19-21; Cl 3,5-10;
1Cor 6,11).
O cristão, chamado a receber o prêmio eterno, deve portar-se como
um atleta (1Cor 9,25; 1Ts 5,6-8; Ef 5,18; 1Pd 1,13; 2Tm 4,7s; Ap 2,10; 21,8;
22,15).
Uma das paixões mais difíceis de dominar é o amor do dinheiro.
A temperança ajuda a vencê-la (Eclo 31,1-11; Pr 10,2; 11,4; Jr
17,11; Mt 6,24; 19,21-26; Lc 16,9-24).
Outra paixão humana, que a temperança deve moderar, é o
orgulho. Ver “Humildade”.
TEOFANIA
Revelação ou manifestação sensível da glória
de Deus, ou através de um anjo, ou através de fenômenos
impressionantes da natureza. Assim Deus apareceu a Abraão (Gn 18), a
Isaac (26,2) e a Jacó (32,25-31; 35,9); revelou seu nome a Moisés
(Ex 3), sua Lei a Israel (Ex 19s).
No NT Deus já não aparece nas forças da natureza. Aparece
no Homem-Cristo: na encarnação (Lc 2,1-2; Jo 1,14-18; Tt 2,11-14;
3,4-7; 1Jo 3,2-8); na ressurreição (Mc 16,9-20; Lc 24,1s; Jo 20,21).
Manifestações teofânicas temos nas descrições
do batismo de Jesus (Mt 3,16s), de sua transfiguração (17,1-8),
ressurreição (28,1-7) e ascensão ao céu (At 1,3-11).
TEMPLO
O primeiro templo, construído por Salomão entre 967 e 964 (1Rs
6–8), foi destruído por Nabucodonosor em 587 aC.
O segundo templo, construído por Zorobabel em 515 aC, foi profanado por
Antíoco Epífanes em 167 aC (cf. 1Mc 4,59; 2Mc 1,9 e notas). Herodes
o Grande o restaurou a partir do ano 20 aC, tornando-o uma das construções
mais grandiosas do Médio Oriente. Mas foi destruído pelos romanos
no ano 70 dC.
Ver “Cristo”, “Peregrinação”, “Festa”,
“Jerusalém” e “Sião”.
TESSALÔNICA
Fundada em 315 aC, tornou-se cidade livre e capital da província romana
da Macedônia. Na sua segunda viagem missionária, Paulo visitou
a cidade e fundou ali uma florescente comunidade, para a qual escreveu duas
epístolas (At 17,1-13; 20,4; 27,2).
TEMPO
A eternidade é o “tempo” de Deus: Ele existia antes de qualquer
criatura (Jr 1,5; 2Tm 1,9; Sl 89,2; 1Cor 2,7); e existirá depois (Ap
21,6; 22,13).
O tempo de Israel decorre entre a libertação do Egito e o “dia
de Javé”(Is 13,6-11; Am 5,18-20; Ez 7,5-10; Zc 12–14).
No NT, o “século presente”, o reino de Satã, estende-se
desde a Criação até a Parusia (Rm 12,2; 1Cor 10,11; Gl
1,4; Hb 9,26). Opõe-se ao “século futuro”, o Reino
de Deus, que não terá fim (Ap 14,1-5; 21,2; 22,5; Rm 8,18-23;
Hb 6,5). Entre a Redenção e o “século futuro”
decorre o “tempo favorável” da conversão (Rm 13,11s;
2Cor 6,1s; Tt 2,11-14). É um tempo breve, um tempo de prova (1Pd 1,6;
2Cor 6,1-10; Cl 4,5; Ef 5,16; Jo 16,16-22).
Nenhum cálculo humano pode fixar o tempo determinado por Deus (Mt 12,38s;
16,1-4; At 1,1-7).
Hora de Jesus, ver “Caná”.
TESTAMENTO
O termo significa “disposição testamentária”,
ato jurídico pelo qual alguém divide seus bens em favor dos herdeiros,
após sua morte (Lc 22,29; Gl 3,15-17; Hb 9,16). Significa também
a aliança, ou pacto, pelo qual Deus se compromete a cumular de bens o
seu povo, desde que este cumpra certas condições. O “Antigo
Testamento”(2Cor 3,14) é a aliança do Sinai; o “Novo
Testamento” é o pacto que Deus estabeleceu por meio de Jesus Cristo
(Jr 31,31; Lc 22,20), superando o AT (2Cor 3,6).
TENDA DA REUNIÃO
Chamada também “tabernáculo”, “tenda do encontro”,
“tenda da aliança”(Nm 7,89 e nota), “tenda do testemunho”(At
7,44) ou “morada”(Ex 25,9 e nota), é o santuário israelita
do deserto. Neste santuário portátil Moisés encontrava-se
com Deus para receber revelações ou suplicar pelo povo. A tenda
da reunião tinha duas repartições, separadas por um véu:
o Santo e o Santo dos Santos.
TESTEMUNHO
O testemunho humano está regulado pela Lei (Nm 5,13; 35,30; Dt 6,7);
o falso testemunho é severamente sancionado (Ex 20,16; 23,1; Dt 5,20;
19,16-20; Pr 19,5; 24,28; Dn 13; Mc 10,19).
Os profetas dão testemunho do nome de Deus (Mq 1,2; Jr 29,23; Ml 3,5).
Mas é sobretudo o povo de Deus que deve dar testemunho (Is 43,9-10; 44,8;
55,4).
Jesus, a grande testemunha (Jo 18,37; 1Tm 6,13; Ap 1,5; Jo 13,11.32; 5,31-40;
8,12-14; 15,26; 1Jo 5,6-8).
Os cristãos devem ser testemunhas (At 1,8.21s; 10,41; 5,32).
O martírio é o testemunho supremo (At 7; Ap 2,13; 6,9).
O falso testemunho em juízo é proibido porque prejudica inocentes
e inocenta culpados (Ex 20,16; 23,1; Dt 5,20; Pr 19,5; 24,28; Mt 19,18; Mc 10,19).
TENTAÇÃO
A tentação bíblica não se situa propriamente no
quadro da luta pessoal por adquirir a perfeição, mas na realização
do plano de Deus. A tentação, portanto, é a fuga do homem
ao plano de Deus: tentação de Abraão (Gn 22,1-18; Eclo
44,20; 1Mc 2,52): tentação do Povo no deserto (Dt 8,2-5; Ex 16,4;
Sl 77,17-56; 94,6-11); tentação de Cristo por um falso messianismo
(Mt 4,1-11; 16,21-23; 26,36-46; Hb 2,14-18; 4,15).
A tentação tem uma origem (Gn 3,1s; Jo 13,2; At 5,3; Rm 7,22s;
1Pd 5,8s). Todos nós somos tentados (1Cor 7,5; 1Ts 3,5). Deus a permite
porque nos chama para a vida do Homem-Novo (Tg 1,13-15; 1Cor 10-13). Liberta
da tentação aos que lhe pedem (Eclo 33,1; Mt 6,13). A tentação
deve ser combatida (Mt 18,7s; 26,41; Ef 6,11-16; 1Pd 5,9), e pode ser vencida
(Lc 22,31s; 1Cor 10,13; 2Cor 3,5; Fl 4,13; Tg 1,12; 2Pd 2,9; Ap 2,10).
TETRARCA
Governador da quarta parte de um determinado território. No NT o título
indica qualquer governante de um reino dividido, ou um príncipe inferior
ao rei (Mt 14,1; Lc 3,1; 9,7), ou mesmo igual ao rei (Mt 14,9).
TEXTO MASSORÉTICO (TM)
É o texto crítico da Bíblia Hebraica, estabelecido definitivamente
entre 750 e 1000 dC. É o fruto do trabalho árduo dos massoretas,
iniciado após a destruição de Jerusalém, para chegar
a um texto hebraico definitivo. A massorá (= tradição)
consta de sinais de vocalização do texto consonantal, para a pronúncia
correta das palavras, e de estatísticas marginais sobre ocorrências
do texto. O TM das atuais edições críticas do texto hebraico
da Bíblia baseia-se num manuscrito hebraico do séc. X dC, e apresenta
poucas divergências em relação aos manuscritos descobertos
em Qumrân.
TIAGO
Conhecem-se vários personagens do NT com este nome: 1. Tiago o Maior,
filho de Zebedeu e irmão de João, apelidado “filho do trovão”(Mt
10,2; Mc 3,17); foi decapitado por Herodes Agripa entre 41 e 44 dC (At 12,2);
2. Tiago filho de Alfeu, um dos Doze (Mt 10,3); 3. Tiago o Menor, irmão
de José e Judas, primo de Jesus (Mt 13,55; 27,56; Gl 1,19). É
o bispo de Jerusalém e considerado também como o autor da Epístola
de Tiago (ver a Introdução ); morreu martirizado em 62 dC.
TIMÔTEO
Era filho de um grego pagão e de uma mãe judia. Converteu-se ao
cristianismo, foi companheiro de missão de Paulo (At 16,1-3) e seu amigo
fiel (Rm 16,21).
TIRO
Famosa cidade marítima da Fenícia, situada numa ilha. Seus navegadores
e navios controlavam o comércio e a navegação no Mediterrâneo
(cf. Is 23; Ez 26–28; Mt 11,19-22; 14,37-42). Ver “Sidônia”.
TOMÉ
Um dos doze apóstolos, chamado Dídimo (Mt 10,3; Mc 3,18), que
teve dificuldades em crer na ressurreição de Jesus (Jo 20,24-29).
TRABALHO
Na ótica bíblica é anterior ao pecado (Gn 2,15), embora,
após o pecado, apareça como penoso (Gn 3,19; Jó 5,7). Recorda
a obra criadora de Deus (Ex 20,8s; Gn 1,1–2,3; Eclo 38,34), que aparece
como um trabalhador (Gn 2,7; Sl 8,4; Jo 5,17; 6,28). A Bíblia exorta
ao trabalho (Ex 20,9; Ecl 9,10; Eclo 7,15; 1Ts 4,11; 2Ts 3,10-12), critica o
preguiçoso e elogia a pessoa trabalhadora (Pr 6,6-11; 13,4; 16,26; 21,25;
31,13-27; Eclo 38,25s; Mt 25,14s).
Também Jesus é um operário, “filho do carpinteiro”(Mc
6,3; Mt 13,35).
Paulo gloria-se do trabalho das suas mãos (At 18,3; 20,34; 1Cor 4,12).
TRADIÇÃO
No Antigo Testamento (Ex 12,26; Jz 6,13; Dt 32,7; Sl 44,2; Jr 6,16). No Novo
Testamento (Mt 28,20; Mc 16,15; Jo 20,30; 21,25; At 15,41; 1Cor 11,2; 15,3s;
Fl 4,9; 2Tm 2,2; 2Jo 12). Ver “Revelação”.
TRANSFIGURAÇÃO
Entronização de Jesus como Messias Sacerdotal (Mt 17,2-8; Is 9,1s;
42,6; Ex 28,4-13; Zc 3,1-5; Sl 103,1s; Hb 5,5; Ez 44,17; Ap 1,12-17; 5,1-14)
e novo Moisés. Ver “Teofania”.
TREVAS
A ausência de luz, ou escuridão, simboliza o afastamento de Deus
e de sua salvação. Ao criar o mundo Deus triunfou sobre as trevas
(Gn 1,2; Is 45,7). As trevas significam a desgraça (Ex 10,21-23; 14,20;
Am 5,18), o reino de Satanás e do pecado (At 26,18; Ef 6,12). O homem
tem que se decidir entre o reino das trevas e o da luz (Jo 1,5; 3,19; 8,12).
Quem ama o próximo, caminha na luz (1Jo 1,6; 2,9-11).
TRINDADE
Cristo apresenta-se como Filho de Deus: há entre ambos um mútuo
conhecimento (Mt 11,25-27; 21,33-41; Lc 2,49s; Jo 6,40-57; 8,12-59; 12,20-28;
17,4-26).
A vida cristã é apresentada por Paulo em referência a um
Deus-Trindade (Rm 8,12-33; Cl 1,13-20; Ef 2,12-18; 4,1-6). O batismo, tanto
em Cristo como em nós, tem uma dimensão trinitária (Rm
6,3-11; 1Cor 6,11; Tt 3,1-7; Mt 3,13-17). A atividade cristã tem origem
na vida trinitária (1Cor 12,4-6; Gl 4,4-6; Rm 5,1-5).
Fórmulas trinitárias (Mt 28,19; 2Cor 1,21s; 13,12s; 2Ts 2,13;
1Pd 1,2).
TRÔADE
Porto marítimo da província da Ásia, no mar Egeu. São
Paulo passou por ali na segunda e na terceira viagens missionárias (At
16,8-11; 20,5-10).
TRONOS
Ver “Dominações”.
UNÇÃO
De altares, reis e sacerdotes (Gn 28,11-19; 1Sm 10,1-8; 16,1-13; 1Rs 1,38-40;
Ex 29,44; 30,22s).
Depois do exílio, a unção é relacionada com o Espírito
(Is 42,1-9; 61,1; Sl 89,21s).
Cristo, recebendo o Espírito sem o rito da unção, é
o ungido pelo Espírito (Mt 3,16; At 10,36-38).
A Unção ou Crisma é um rito muito apto para exprimir o
dom do Espírito (2Cor 1,21s; At 13,2s; 9,17; 2Tm 1,6s).
A Unção dos Enfermos (Lc 10,34; Mc 6,12s; Tg 5,14s).
UNGIDO
Ver “Cristo”.
UNIDADE
Todos os membros da Igreja receberam dos apóstolos a mesma vida cristã,
que devem aceitar pela fé (1Cor 1,10-16; Rm 10,14-17; 1Ts 1,8; Cl 2,6s;
Gl 1,6-9).
Fé-Batismo-Espírito são os três laços que
unem os cristãos (Rm 10,9-11; Gl 2,16-20; Ef 3,17; 4,1-6).
Cristo, Cabeça da Igreja e centro de unidade do universo (Cl 1,18-20;
2,9s; Ef 1,9.22; Jo 17,21-26).
Serviço pastoral, fonte de unidade na Igreja (Mt 16,18s; 12,25; 18,15-18;
Lc 22,32).
Paulo prega o mistério de Cristo que realiza a unidade entre judeus e
gentios (Ef 1,22; 2,13-18; 1Cor 12,13; Cl 3,10s).
Alegorias paulinas que exprimem a unidade da Igreja (1Cor 3,6-16; Rm 11,17-29;
2Cor 11,2-6; Ef 4,2-6).
Unidade na variedade dos carismas (1Cor 12–14; Ef 4,1-16; Fl 2,1-5). Ver
“Eucaristia, sacramento da unidade”.
UNIVERSALISMO
No AT aparecem certos impulsos universalistas (Gn 22,18; Is 2,2-4; Mq 4,1-3).
Anuncia-se até a conversão dos pagãos (Is 66,18-24; Zc
2,15; Ml 1,11). Recordam-se personagens que não pertencem ao povo bíblico
(Gn 14,18; Js 2,1; Rt 4,10).
Mas predomina a tendência ao fechamento, para não se contaminar
(Dt 7,1-8; Ex 19,5).
Segundo os Evangelhos, Cristo nega-se a fazer apostolado entre os pagãos
(Mt 10,5; 15,24; Mc 7,27). Acolhe, contudo, alguns estrangeiros (Mt 8,5-10;
15,28). Ante a recusa dos judeus, anuncia a passagem aos gentios (Mt 21,43;
Lc 13,28). Após a ressurreição aparece a missão
universalista (Mt 28,19; Mc 16,15; At 1,8).
A redação dos Evangelhos deixa transparecer a preocupação
por afirmar o universalismo; magos (Mt 2,1-12), centurião romano (Mc
15,39), Simeão (Lc 2,29-32).
O universalismo da Igreja foi uma dura conquista (At 8,5; 10,1–11,26;
15,1-33; Gl 2,1-14; 5,11; Ef 1,1s; Cl 1,15-29).
O Apocalipse vê todas as raças na Jerusalém celeste (Ap
7,9; 21,24-26).
URIM E TUMIM
Ver Ex 28,30 e nota.
VAIDADE
Prevenir-se contra (Sl 119,37; Ecl 1,2; 2,1.11.15; Is 5,21; 1Pd 3,3-5). Exemplos
(2Sm 24,9-15; Is 39,1-6; Mt 23,4-7; At 12,21-23). Vaidade feminina (2Rs 9,30;
Is 3,16-24; Jr 4,30; 1Tm 2,9; 1Pd 3,3-5).
VERBO
Ver “Cristo”, “Palavra”.
VERDADE
Para nós, ocidentais, a verdade é a conformidade entre o pensamento
e a realidade. Na Bíblia a verdade corresponde a um desejo de conhecimento
prático para a vida. Está relacionada com a Lei, a revelação
e a palavra de Deus. Verdade identifica-se por isso com fidelidade.
Verdadeiro é aquilo que tem firmeza, consistência e em que o homem
pode confiar. Deus é verdadeiro porque é fiel à sua aliança
e às suas promessas (Ex 34,6s; Dt 7,9; 2Sm 7,28s; Sl 31,6; 138,2). Sobre
a palavra de Deus, que é a verdade, o homem pode basear sua vida (Sl
26,3; Mt 7,24-27).
A Lei é verdadeira porque constitui um apoio firme que dá proteção
ao homem (Ne 9,13; Sl 93,5; 119,86).
Na literatura sapiencial, verdade é igual a sabedoria (Pr 23,23; Ecl
12,10; Eclo 4,28).
No sentido moral, verdade equivale a sinceridade de coração (2Rs
20,3), justiça e honestidade (Is 59,14). No NT a verdade adquire um cunho
cristão, equivalendo a “evangelho”(Gl 2,5.14; Cl 1,5; 2Tm
2,15). Para João, a verdade é o próprio Cristo (Jo 1,1;
8,40; 14,6; 17,17; 18,37), a palavra do Pai que Cristo veio anunciar neste mundo
(Jo 1,17; 8,40-46).
A verdade de Deus manifesta-se em Cristo (2Cor 1,20; Ef 4,20); por isso, o Apocalipse
chama-o “Fiel” e “Verdadeiro”(Ap 19,11).
O testemunho de Cristo é completado pela ação do Espírito
(Jo 14,26; 16,13).
O conhecimento da verdade exige disposições prévias (2Tm
2,10-12; 3,7; Ef 4,15; 6,14). O cristão é aquele que anda na verdade
de Cristo (2Jo 4; 3Jo 3s).
VIDA
O Deus de Israel é um Deus vivo (Js 3,10-13; Dt 5,22-27; Sl 36,6-10;
84,1-3; Jr 2,13). A vida é um dom precioso (Ecl 9,4; Jó 2,4).
Mas a vida é instável e breve (Gn 45,26s; Nm 21,8s; Jz 15,19;
2Rs 1,2; 8,9; Jó 20,8; 33,22; Sl 18,5s; 22,16; 31,11; 88,4.7; 116,8;
Ecl 5,12; 8,13; Eclo 18,10; 40,1-4; 51,10; Sb 2,5; Mt 6,25).
A verdadeira vida se manifesta em Cristo (Jo 5,26; 1Jo 1,1s; 5,9-13.20s), o
Autor da Vida (At 3,15). Pelo Batismo ele comunica a vida aos que crêem
(Rm 6,3-11; Cl 2,11-13; Gl 2,19s; Ef 2,5-10; 1Cor 15,21s).
Por isso a vida do cristão é uma vida em Cristo: é preciso
viver nele (Cl 2,6-8; Fl 2,5): falar e agir nele (2Cor 2,12; 13,3); sofrer com
ele (Rm 16,12; 1Cor 15,18; Fl 4,1; 1Ts 3,8); alegrar-se nele (Fl 3,1; 4,4-10);
ser glorificado nele (Rm 15,17; 1Cor 1,30s; 15,31; 2Cor 10,17; Fl 3,3); amar
nele (Rm 16,8; 1Cor 4,17; Gl 3,27s; Cl 3,11). Ver ,“Retribuição”.
VIGILÂNCIA
No contexto da Parusia é um dos pilares da moral cristã(Mc 13,33-37;
Mt 24,42-44; 25,13; Lc 12,36-40; 1Ts 5,1-7; 2Tm 4,5-7; 2Pd 3,10).
É preciso vigiar nas tentações (Mt 26,37-46; 1Cor 16,13;
Cl 4,2; Ef 6,1-20; 1Pd 5,8).
Os anciãos de Éfeso devem vigiar nos combates pela fé (At
20,29-31; 1Cor 16,13).
A vigilância tende a manifestar-se nas vigílias litúrgicas
e na oração (Ef 6,18; Cl 4,2; Lc 6,12; 21,36; Mc 14,38).
VINDA DE CRISTO
Ver “Parusia”.
VINGANÇA DE SANGUE
Na concepção bíblica, o sangue derramado de uma pessoa
clama ao céu por vingança (Gn 4,10; 2Mc 8,3; Ez 24,6-8). O vingador
do sangue, um parente da vítima, age em nome de Deus para punir o crime
(Gn 4,11; 2Sm 4,11; Dt 24,16), aplicando a lei do talião (Ex 21,12-23).
Para impedir que o homicida involuntário fosse morto injustamente, a
Lei previa cidades de refúgio (Js 20,1-9).
Jesus, em vez da vingança, manda suportar as injustiças e amar
os inimigos (Mt 5,38-42). O cristão deve vingar o mal com o bem (Rm 12,19-21).
A vingança pertence a Deus (Dt 32,35.41; Jr 51,36) e não ao homem
(Lv 19,18; Pr 20,22; Eclo 28,1-6; Mt 6,14; Lc 11,4; 1Cor 6,7; Ef 4,26; 1Ts 5,15).
Ver “Redenção”.
VINHA
A Terra Prometida era uma vinha (Nm 13,20-26; Is 27,2-5). O povo de Israel é
uma videira transplantada do Egito (Sl 80,9-19). A restauração
de Israel é uma nova plantação da vinha (Am 9,13-15; Os
14,5-10).
A festa dos Tabernáculos é a festa da colheita da uva (Lv 23,40;
2Mc 10,7); mas esta acabará, porque a vinha não dará mais
fruto (Is 5,1-30; Jr 8,13-17).
Israel é uma vinha estéril (Is 5,1-7); por isso, Deus escolherá
uma nova vinha (Mt 20,1-16; 21,28-46) que é Cristo (Jo 15,1-12).
Cristo, nova Videira, dá o vinho novo da sabedoria (Pr 9,1-5; Is 55,1s;
Jo 2,1-11; Mc 2,22; Mt 26,29).
VIRGEM MARIA
Ver “Maria”.
VIRGINDADE
No AT, a esterilidade era uma vergonha, mas a estéril pode ter uma fecundidade
espiritual (Sb 3,13s; 4,1).
Certos atos sagrados exigiam abstinência conjugal (1Sm 21,5-7; Ex 19,15).
Cristo faz um convite à castidade perpétua (Mt 19,12.21; 1Cor
7,1.7s; 1Ts 4,1-7).
O termo “virgindade”tem um sentido metafórico: não
cair na idolatria (Ap 14,4; 21,2; 2Cor 11,2).
A castidade é uma virtude matrimonial (Rm 13,13; 1Cor 6,15; Gl 5,23-25).
A castidade é recomendada particularmente aos mensageiros do Evangelho
(2Cor 6,6; 1Tm 4,12; 5,2.22).
VIRTUDE
Natureza (Mt 7,13.18s; Mc 12,28-34; Gl 5,6; 6,2; Cl 3,2.14; 2Pd 1,10). Progresso
na virtude (Pr 4,18; Rm 12,9-17; Fl 3,12s; 1Ts 4,1; 5,22; 1Tm 4,7; 2Pd 1,5-8;
3,18; Ap 22,11.
VIÚVAS
A lei do levirato e as leis sociais insistem na proteção às
viúvas (Ex 22,21-23; Dt 10,18; 24,17-21; 26,12s; Is 1,17-23; Jó
29,13).
Situação miserável das viúvas. Alguns milagres anunciam
a sua felicidade messiânica (1Rs 17,8-15; 2Rs 4,1-7; Sl 146,9).
Por isso, Jerusalém, esposa infiel, quando abandonada de Deus, é
chamada viúva (Is 54,4-8; Lm 1,1; Br 4,12; Ap 18,7).
As viúvas na Igreja apostólica constituíam uma espécie
de ordem religiosa (1Cor 7,8.39s; 1Tm 5,3-16; At 6,1-6; Tg 1,27; Lc 21,1-4)
VOCAÇÃO
Cristo é o grande “chamado”. Nele todas as coisas foram chamadas
à existência (Ef 1,4-6.11-14; Rm 8,29; 1Pd 1,20s; Cl 1,15-23; Jo
1,1-3; Gn 1,1–2,4).
Esta vocação em Cristo pode ser individual e comunitária.
Deus chama grandes homens para formar comunidades: Abraão (Gn 12); Moisés
(Ex 3,6); Samuel (1Sm 3); Isaías (Is 6); Cristo (Hb 10,2-5; Mt 26,28;
At 20,28; 1Pd 2,9s) que fundou a comunidade apostólica. Chama também
comunidades ou povos através desses homens escolhidos; assim chamou Israel
e a Igreja.
Esquema bíblico-literário da vocação:
- Procede da liberdade soberana de Deus (Jr 1,4s; Rm 8,30; 1Cor 1,9s; Gl 1,15).
- Exige o despojamento, na fé, pela obediência (Gn 12; Mt 4,18-22;
16,24-26; 8,18-22).
- Suscita quase sempre o temor no coração dos chamados (Ex 3,6;
Jz 6,22; Is 6,5; Jr 1,6).
- Investe o “chamado” de uma missão, que a Bíblia
costuma assinalar com a mudança do nome (Gn 17,4-8.19; Lc 1,13.31s.59-63;
Jo 1,42). Esta investidura corresponde, geralmente, a uma comunicação
do Espírito: Profetas (1Sm 10,6; 16,13; Is 11,2; 42,1); apóstolos
(Jo 20,22; 15,26; 16,7; At 2,1s).
Na Igreja todos somos iguais por razão da vocação em Cristo
(Ef 1,22s; 4,11-16; 5,23; Cl 1,18; 2,19; 1Cor 12,13; 10,17; Gl 3,28s; Mt 23,8-12).
Contudo, temos funções diferentes, que supõem uma vocação
na e para a comunidade. Ver “Carisma”, Igreja”, “ Ministérios”,
Sacerdócio”, “Profeta”.
VONTADE DE DEUS
Ver “Mistério”, “Salvação”, “Obediência”.
VULGATA
Tradução da Bíblia feita por S. Jerônimo entre 385
e 405 dC, em parte dos originais gregos, hebraicos e aramaicos, em parte aproveitando
traduções latinas anteriores. Chama-se “Vulgata” por
ter sido traduzida para a linguagem então falada pelo povo no Império
Romano. Esta tradução tornou-se o texto que a Igreja Católica
usa ainda hoje em seus documentos oficiais. Mas as traduções da
Bíblia em línguas modernas são, hoje em dia, feitas diretamente
dos originais.
XEOL
É o nome hebraico dado no AT para os “infernos”, “abismo”
ou “morada dos mortos”(Gn 37,35; Is 38,18 e nota). Julgava-se que
o Xeol ficava debaixo da terra.
Jesus, ao morrer, desceu ao Xeol (At 2,24-31; Rm 10,7; Ef 4,8-10) para anunciar
aos mortos a sua vitória sobre a morte pela ressurreição
(Ap 1,18; Mt 27,51-53; 1Pd 3,19s e nota). Ver “Hades”, “Abismo”.
ZACARIAS
Há três personagens com este nome, que significa “o Senhor
se recorda”:
1. Um profeta assassinado no templo (2Cr 24,20-22; Mt 23,35);
2. Um profeta que exortou os judeus a reconstruir o templo (Esd 5,1);
3. Um sacerdote da classe de Abias, esposo de Isabel e pai de João Batista
(Lc 1,5-67; 3,2).
ZELO
O Deus de Israel é um Deus único e ciumento (Ex 3,14; 20,3-6;
34,14; Dt 32,16s; Js 24,19-24). É um fogo devorador (Dt 4,24; Is 33,14;
Sf 1,18).
Os profetas são homens devorados pelo zelo de Deus (Nm 25,11; 1Rs 19,14;
Eclo 48,2; Sl 69,10). O mesmo zelo ardia no coração de Cristo
(Mt 21, 12s).
O reino de Deus não suporta a tibieza (Ap 3,19; Mt 11,12; Tt 2,14). Este
zelo exprime-se na oração e no culto (Nm 14,13-19; Ez 20,9-14;
36,21-23; Jo 14,21; Mt 6,9-13; Lc 11,2-4).
Paulo estava cheio de zelo pela conversão dos hebreus e dos pagãos
(Rm 9,3; 10,19; 11,11-14).
Existe um falso zelo: o daqueles que querem sobrepor a justiça da Lei
à liberdade cristã (Mt 23,15; At 21,20; Rm 10,2; At 5,17; 13,45;
17,5): o de Paulo antes da conversão (At 22,3; Fl 3,6; Gl 1,13); o dos
zelotes (At 5,35-39; 23,12-15).
O zelo cristão não é áspero, é animado pela
caridade e paciência (Tg 3,14-18; Lc 9,51-56; Mt 13,24-30.36-43).
ZELOTES
É o sobrenome do apóstolo Simão (Lc 6,15). Era também
o nome de um partido revolucionário e nacionalista, muito ativo entre
o ano 6 e 70 dC. Seus membros eram fanáticos opositores da dominação
romana. Seu ideal era estabelecer uma teocracia, expulsando pela força
os dominadores estrangeiros (At 5,37).