INVENÇÕES

Pão
Os primeiros pães surgiram há cerca de 12 mil anos na Pérsia. Eram uma mistura de vários tipos de grãos moídos e água, cozida sobre pedras quentes. Era seco e duro, mas muito nutritivo. Nas mãos dos egípcios, no novo Império (1567 a 1085 a.C.), a panificação recebeu o seu grande impulso. Havia mais de 40 variedades de pães. Eles criaram o processo de fermentação, que deixou o pão mais macio e saboroso. Os egípcios perceberam que a massa, umedecida, depois de um certo tempo, libertava alguns gases, tornando o pão mais poroso. Aos poucos, o pão chegou ao Império Romano. Começaram a aparecer escolas de padeiro, profissão surgida por volta do ano 50.

Papel
Os egípcios inventaram o papiro, no início da era cristã, trançando fatias finíssimas de uma planta com o mesmo nome, retiradas das margens do rio Nilo. No século II, o papiro fazia tanto sucesso entre os gregos e os romanos, que os mandatários do Egito decidiram proibir a sua exportação, temendo a escassez do produto. Isso disparou a corrida atrás de outros materiais. Na cidade de Pérgamo, na Antiga Grécia (hoje, Turquia), foi usado o pergaminho, obtido da parte interna da pele do carneiro. Grosso e resistente, ele era ideal para os pontiagudos instrumentos de escrita dos ocidentais que cavavam sulcos na superfície do suporte, os quais eram, depois, pacientemente preenchidos com tinta. O pergaminho, entretanto, não era liso e macio o suficiente para resolver o problema dos chineses, que praticavam a caligrafia com o delicado pincel de pêlo, inventado por eles ainda no ano 250 a.C. - só lhes restava, assim, a solução muito menos econômica de escrever em tecidos como a seda. E o tecido, naqueles tempos antigos, podia sair tão caro como uma pedra preciosa. Provavelmente, o papel já existia na China desde o século II a.C., como indicam os restos num túmulo, na província de Shensi. Mas o fato é que somente no ano 105, o oficial da corte T'sai Lun anunciou ao imperador a sua invenção. Tratava-se, afinal, de um material muito mais barato do que a seda, preparado sobre uma tela de pano esticada por uma armação de bambu. Nessa superfície, vertia-se uma mistura aquosa de fibras maceradas de redes de pescar e cascas de árvores. No ano 750, dois artesãos da China foram aprisionados pelos árabes, na antiga cidade de Samarkanda, aos pés das montanhas do Turquistão. A liberdade só lhes seria devolvida com uma condição - se eles ensinassem a fabricar o papel, que assim iniciou a sua viagem pelo mundo. No século X, foram construídos moinhos papeleiros em Córdoba, Espanha. Os italianos da cidade de Fabriano começaram a fabricar papel, em 1268, à base de fibras de algodão e de linho, além de cola - substância que, ao envolver as fibras, tornava-as mais resistentes às penas metálicas com que escreviam os europeus. Quanto ao preço, no entanto, papel e pergaminho empatavam, pois era muito difícil conseguir roupas velhas para extrair a celulose. Quando, na Renascimento, o advento da imprensa fez o consumo de papel aumentar terrivelmente, os ingleses chegaram a determinar que as pessoas só poderiam ser enterradas com trajes de lã, a fim de poupar os trapos de algodão, deixados como herança para os papeleiros. Até hoje o papel-moeda, por exemplo, não dispensa esse nobre ingrediente, que por ter fibras longuíssimas faz um produto difícil de rasgar. O algodão demorou até ser substituído. Apenas em 1719, o entomologista René de Réaumur (1683-1757) sugeriu trocá-lo pela madeira. Ele observou vespas a construir ninhos com uma pasta feita a partir da mastigação de minúsculos pedaços de troncos.

Perfume
Em 2900 a.C., os mortos egípcios eram enterrados com jarros de óleo perfumado. A natureza desses antigos óleos é ainda um mistério, mas sabe-se que, mil anos depois, os egípcios se aventuraram por toda parte em busca de essências. Ali, os perfumes e ungüentos para untar o corpo eram preparados em laboratórios dentro dos templos. No templo de Hórus, iniciado por Ptolomeu III, em 237 a.C., várias inscrições sobre as paredes do laboratório mostravam como os perfumes e os óleos para rituais eram preparados. Alguns odores ali criados levavam até 6 meses para maturar e eram usados pela nobreza. Para perfumar o corpo, os egípcios colocavam uma massa de gordura perfumada no topo da cabeça ou sobre uma peruca. Durante a noite, a gordura dissolvia-se, cobrindo a peruca, as roupas e o corpo com uma camada oleosa bastante perfumada.

No tempo do Império Romano, o perfume era utilizado por todas as classes, principalmente para encobrir os cheiros do corpo, mas também - ingerido puro ou no vinho - para ocultar o mau hálito. Os romanos ricos perfumavam várias partes do corpo com fragrâncias diferentes, borrifavam os seus convidados com perfume durante os banquetes, enquanto estes se reclinavam sobre divãs perfumados. Até os animais de estimação das famílias ricas usavam o seu perfumezinho. Mirra, almíscar, jacinto, bálsamo temperado, amêndoas e canela eram algumas das substâncias aromáticas daqueles tempos.

A destilação da água de rosas e outros perfumes foi uma descoberta islâmica do século IX. Os árabes e os persas contribuíram para o desenvolvimento da perfumaria. A descoberta do álcool como veículo para o perfume ocorreu no século XIV. Na Idade Média, o perfume tornou-se até uma necessidade. Em vez do banho, o pessoal preferia encher-se de perfume. No século XVII, o rei francês Luís XV chegou a ordenar que se usasse um perfume diferente a cada dia.

É bom ressaltar que nem todos os povos da Antigüidade gostavam de se encharcar de perfume. Em 361 a.C., Agesilau, rei de Esparta, de onde o perfume fora banido, visitou o Egito e foi recebido com um elaborado banquete. Ficou tão nauseado pelo uso excessivo de perfume pelos seus companheiros de mesa - uma prática que ele considerava decadente e efeminada - que se retirou precipitadamente. Os anfitriões egípcios de Agesilau julgaram o seu comportamento pouco civilizado.

A invenção da água de colônia, solução alcoólica de essências de bergamota, de limão e de lavanda, foi inventada pelo barbeiro italiano Jean-Baptiste Farina em 1709, na cidade de Colônia, na Alemanha. A fragrância fez um enorme sucesso em toda Europa e principalmente entre os soldados franceses que estavam na cidade durante a Guerra dos Sete Anos.

Raios-X
Na tarde de 8 de novembro de 1895, no laboratório da Universidade de Wurzburg, na Alemanha, o físico Wilhelm Conrad Röentgen (1845-1923) pesquisava o tubo de raios catódicos inventado pelo inglês William Crookes anos antes. Era um tubo de vidro, dentro do qual um condutor metálico aquecido emitia elétrons, então chamados raios catódicos, em direção a outro condutor. Quando Röentgen ligou o tubo naquele dia, notou um efeito curioso. Perto do tubo, uma placa de um material fluorescente, chamado platino cianeto de bário, brilhou. O brilho persistiu mesmo quando Röentgen colocou um livro e uma folha de alumínio entre o tubo e a placa. Durante seis semanas, o físico ficou no laboratório tentando entender o que era aquilo que saía do tubo, atravessava barreiras e atingia o platino cianeto. Era uma radiação capaz de atravessar materiais opacos e sensibilizar filmes e placas fotográficas. Não demorou muito até que Roentgen percebesse o extraordinário instrumento que tinha no laboratório. De experiências feitas com objetos de vidro, madeira e metal, passou rapidamente para a primeira radiografia feita num ser humano. Usou a radiação durante 15 minutos para retratar os ossos de uma das mãos da sua mulher, Bertha, em 22 de Dezembro de 1895. Fascinado, mas ainda confuso, Röentgen decidiu chamar os raios de "X" - símbolo usado em ciência para designar o desconhecido. Roentgen publicou um resumo da sua descoberta no jornal da universidade. Em Janeiro, sentiu-se seguro o suficiente para uma apresentação formal aos seus colegas e professores. A apresentação terminou em aplausos e, em 1901, Röentgen ganhou o prêmio Nobel da Física. O americano Thomas Alva Edison inventou um instrumento com tela fluorescente que deixava ver a radiografia na hora, sem a necessidade de revelar filmes. Em 1902, um inglês criou uma máquina de Raios-X controlada por moedas. Em Nova Jersey, nos Estados Unidos, os deputados tentaram passar uma lei para proibir o uso da radiação. Eram defensores da moralidade e achavam que os raios permitiriam a qualquer um ver os corpos nus de quem andasse pelas ruas.

A radiografia comum nunca foi eficiente para visualizar tecidos moles (o fígado, os intestinos, o cérebro) que deixam a radiação passar quase completamente e não criam bons contrastes. A proeza só foi possível com a tomografia computadorizada, uma superevolução dos Raios-X, que rendeu um Prêmio Nobel da Medicina ao inglês Godfrey Newbold Hounsfield e ao sul-africano Allan Macleod Cormack em 1979.

Selo
O primeiro selo foi o "one penny black", selo negro que trazia o rosto da rainha Vitória em branco, surgido na Inglaterra, em 6 de Maio de 1840. A idéia foi de Rowland Hill (1795-1875), membro do Parlamento inglês. Antes da criação do selo, o destinatário é que deveria pagar a tarifa. Isso gerava um número enorme de devoluções.

Os primeiros selos tinham apenas três desenhos: a efígie, o brasão e a cifra, ou uma mistura deles. Somente no começo do século XX começaram a surgir os selos com motivos comemorativos.

Foi no Brasil, em 1974, que lançaram o primeiro selo do mundo com legenda em braile.

Sabonete
Em 1878, Harley Procter decidiu que a fábrica de vela e sabão fundada pelo seu pai deveria produzir um sabão novo, branco, cremoso e delicadamente perfumado para competir com os mais finos sabões corrosivos importados naquela época. Como fornecedores de sabão para o Exército Federal durante a Guerra Civil, a empresa era apropriada para enfrentar tal desafio. O primo de Procter, o químico James Gamble, chegou à fórmula desejada. Chamado simplesmente de "Sabão Branco", produzia uma rica espuma, mesmo em contato com a água fria, e tinha uma consistência homogênea e suave. Certo dia, um trabalhador da fábrica que examinava os tanques de sabão parou para almoçar, esquecendo-se de desligar a máquina misturadora principal. Ao voltar, descobriu que tinha sido injetado demasiado ar na solução de sabão. Em vez de deitar a substância fora, ele despejou-a em formas de endurecimento e corte. Pedaços do primeiro sabão cheio de ar foram entregues às lojas da região. Os consumidores adoraram. A fábrica ficou abarrotada de cartas solicitando mais daquele extraordinário sabão que não ficava perdido dentro da água escurecida porque flutuava à superfície. Ao perceber que tinham beneficiado com o mero acidente, Harley Procter e James Gamble pediram que, a partir de então, fosse dada uma injeção extra de ar em todos os sabonetes. Os primeiros pedaços do Sabão Mármore, como foi batizado o novo produto, apareceram em outubro de 1879, no mesmo mês em que Thomas Edison testou com sucesso a lâmpada elétrica. Harley Procter previu que a luz elétrica poderia acabar de vez com o seu lucrativo negócio de velas, e assim decidiu promover o sabonete.

Sanduíche
Tudo começou numa mesa de bridge da Inglaterra, no ano de 1762. Lorde John Eduard Montague (1718-92), o conde de Sandwich, gostava tanto de jogar que não parava nem para comer. As refeições com garfo e faca poderiam tirá-lo da sua concentração. Por isso, pedia que a sua comida, geralmente salame, presunto e queijo, fosse servida entre dois pedaços de pão. Dessa forma, Montague poderia comer com uma das mãos e jogar com a outra.

Existem referências de que os antigos romanos teriam um prato chamado offula, que seria uma espécie de sanduíche servido entre as refeições.

Sauna
A sauna surgiu por volta do século III antes de Cristo. Nas montanhas da região da Finlândia, um grupo de lenhadores procurava abrigo para o frio. Observando a lava que era expelida pelos vulcões, eles construíram uma cabana de pedra fechada em forma de forno. Atiçaram fogo à lenha, e após um período de 8 horas, eles deixaram a fumaça escapar e entraram na cabana. Depois de aquecidos, o mergulho na água dos lagos os refrescava e causava um choque térmico.

Skate
No final da década de 1930, os surfistas da Califórnia queriam fazer das pranchas um divertimento também nas ruas para os dias de poucas ondas. Inicialmente, o novo desporto foi chamado de side walk surf. Em 1965, surgiram os primeiros campeonatos, mas o skate só explodiu uma década depois. No ano de 1973, o americano Frank Naswortly inventou as rodinhas de uretano, que revolucionaram o desporto.

Telefone
Alexander Graham Bell (1847-1922), um escocês naturalizado americano, seguiu os passos do pai e do avô, dedicando-se sempre a melhorar a comunicação com deficientes auditivos. Uma das suas alunas, Mabel Hubbard, tornou-se sua mulher. Ele inventou o aparelho telefônico durante essas pesquisas. Descobriu que, no final do século XVI, um inglês anônimo tinha inventado uma maneira de falar à distância usando um fio esticado. Encontrou também a história de um frade francês, Don Gauthey, que teria inventado um outro aparelho que permitia ouvir à distância. O telefone (do grego "tele", distante, e "phone", som) estava mesmo a pedir para ser inventado. As mecânicas da vibração do som e os princípios de transmissão elétrica tinham todas sido muito bem estudadas no começo do século XIX. O próprio Bell chegou lá muito perto, quase por acaso, em 2 de Junho de 1875. Mas foi no dia 10 de Março de 1876 que Bell transmitiu a primeira mensagem através de um fio dentro de sua casa, em Boston, nos Estados Unidos. No momento em que se preparava para dizer a frase, Bell derramou acidentalmente um pouco de ácido sobre suas roupas. A mensagem inaugural, portanto, foi um pedido de ajuda, que chegou inteligível ao outro lado: "Senhor Watson, venha aqui imediatamente. Eu preciso de si". Thomas Watson era, elementar, o seu assistente. Por meio de uma bobina de magneto, o aparelho transformava as ondas sonoras em impulsos elétricos. Estes eram conduzidos por um fio até serem captados por um outro aparelho, que "traduzia" os impulsos elétricos e transformava-os de novo em palavras. O mais curioso é que Bell conseguiu a patente por ter chegado duas horas antes que Elisha Gray, outro americano que também estava a trabalhar num aparelho semelhante, no escritório de registro em Nova York, dia 14 de Fevereiro de 1876. Bell apareceu ao meio-dia e Gray, às 2 da tarde. Um não sabia do outro. Thomas Alva Edison aperfeiçoou o telefone em 1876, permitindo que se falasse e ouvisse ao mesmo tempo. O que o desafiava era encontrar um material que convertesse o som da voz em corrente elétrica com mais clareza. Inventou cerca de cinqüenta aparelhos diferentes até dar-se por satisfeito com o transmissor à base de carbono em uso até hoje. Foi Edison também quem disse pela primeira vez "alô", em vez do costumeiro "está alguém aí?" O primeiro telefone foi instalado na casa de Charles Williams Somerville no dia 4 de Abril de 1877, em Massachussets. Somerville estava a fabricar a invenção de Bell. Como não tinha ninguém para quem telefonar - uma vez que as centrais telefônicas ainda não estavam instaladas - Williams conectou uma linha ao seu escritório e conversava com a esposa durante o dia.

A origem do telefone público começou com um inventor do Estado de Connecticut, nos Estados Unidos. William Gray (que não era parente de Elisha Gray) instalou um telefone, que funcionava com moedas de 5 centavos, no Hartford Bank, em 1889. Para cada dólar arrecadado, Gray ficava com 25 centavos.

O primeiro telefone de discagem direta automática foi patenteado, em Março de 1889, pelo também americano Almon Strowger e começou a funcionar três anos depois. Strowger era agente funerário e queria eliminar a dependência das telefonistas por uma razão muito pessoal. Ele estava convencido de que uma das telefonistas locais, a mulher do seu principal concorrente, estava a desviar para o estabelecimento do marido as chamadas que eram feitas para a sua casa funerária.

Telemóvel
Com o nome de radiotelefonia celular, o telemóvel apareceu em 1979 na Suécia, desenvolvido pela empresa Ericsson.

A atriz Hedy Lamaar, famosa por aparecer nua na produção erótica Ecstasy (1933), inventou o sistema que serviu de base para os telemóveis. Durante quatro anos, ela foi casada com o austríaco Fritz Mandl, um rico fabricante de armas. Acompanhou o marido em diversos jantares com a ascendente elite nazista. Certo dia, insatisfeita com o casamento, Hedy drogou a empregada que a vigiava, saltou a janela e fugiu para Inglaterra. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela criou um sofisticado aparelho de interferência em rádio para despistar radares nazis e patenteou-o em 1940 usando o seu verdadeiro nome, Hedwig Eva Maria Kiesler. Ofereceu a novidade ao Departamento de Guerra, que o recusou. Anos mais tarde, quando a patente expirou, a empresa Sylvania adaptou a invenção. Hoje, o equipamento acelera as comunicações de satélite ao redor do mundo e foi usada para criar a telefonia celular.

Telescópio
Em 1608, o fabricante de óculos alemão Joahnn Lippershey (c.1570-c.1619) estava entretido na sua oficina em Midelburgo, Holanda, quando ouviu uma exclamação de espanto. Voltou-se e viu o seu aprendiz a olhar através de duas lentes. Ao juntar dois vidros, a torre da igreja distante parecia muito mais próxima e de cabeça para baixo. Lippershey viu (literalmente!) o alcance do achado e pôs-se a fabricar telescópios. Encaixou as lentes dentro de um cilindro, mantendo a distância apropriada entre elas para corrigir a imagem. A popularidade do invento levaria Lippershey a pedir ao governo holandês que o seu "instrumento para ver à distância" fosse mantido secreto e que, durante trinta anos, "toda a gente possa ser proibida de imitar esses instrumentos" ou então lhe fosse concedida uma pensão anual, a fim de lhe permitir fazer esses instrumentos para utilidade exclusiva do país, sem vender a reis e príncipes estrangeiros. Lippershey não obteve a licença exclusiva para comercializar o produto porque dois outros fabricantes de óculos reclamaram no mesmo período a primazia da invenção. Em 1609, o matemático italiano Galileu Galilei (1564-1642) construiu o seu telescópio, que aumentava nove vezes os objetos, enquanto o de Lippershey permitia uma ampliação de sete vezes. Dia 25 de Agosto, no alto da torre da Praça de São Marcos, os senadores da República de Veneza acotovelaram-se para ver a novidade. Naquela mesma noite, Galileu descobriu que a Lua não tinha uma superfície lisa, como se pensava, mas era cheia de montanhas e crateras.

Termômetro:
Antes dos chamados termômetros modernos, houve muitas outras tentativas de medição da temperatura. No ano 3 a.C., Philon de Bizâncio teria sido o inventor do primeiro aparelho sensível à variação térmica. Chamado de termoscópio, era constituído por um vaso de chumbo vazio e um vaso de água, unidos por um tubo. Quando o vaso de chumbo era aquecido, o ar existente nele e no tubo expandia-se, produzindo bolhas na água do outro vaso. Ao ser arrefecido, era a água que subia pelo tubo, indo molhar o recipiente de chumbo. Em 1592, o italiano Galileu Galilei retomou o princípio do termoscópio, mas com uma forma um pouco diferente. O seu aparelho era um tubo cheio de ar e mergulhado numa tigela de água, de tal forma que o nível de água descia, à medida que aumentava a temperatura. Mas esse invento tinha um defeito: como o tubo se encontrava dentro de uma cuba não selada, estava sujeito às mudanças de pressão, um conceito ainda novo para os sábios da época. Foi só em 1643, quando o físico italiano Evangelista Torricelli inventou o barômetro de mercúrio. Ele demonstrou o princípio da pressão atmosférica e os instrumentos começaram a ser hermeticamente fechados, para que a medição fosse a mesma tanto ao nível do mar quando no alto de uma montanha. Esses primeiros aparelhos traziam algumas inovações como substituir o ar por álcool ou mercúrio. Mas restava, ainda, estabelecer uma graduação numérica padrão, pois eles baseavam-se nos mais bizarros pontos fixos: a temperatura da neve no frio, a temperatura de uma vaca, a da fusão da manteiga... Até que, no século 18, estabeleceram-se as escalas termométricas conhecidas até aos dias de hoje. Uma das primeiras foi a de Daniel Fahrenheit (1686-1736), que era um fabricante de instrumentos meteorológicos. Ele adotou como ponto mínimo, ou zero, a temperatura de uma mistura de gelo, água, sal e amônia e, como ponto máximo, a de ebulição da água, à qual deu o valor arbitrário de 212 graus. O físico sueco Anders Celsius (1701-1744) preferiu as temperaturas de congelamento e fusão da água. Curiosamente, definiu como ponto de fusão o zero, e 100 para o congelamento, o que foi depois invertido. Já o físico inglês William Thomson Kelvin (1824-1907) introduziu o conceito de "zero absoluto" - temperatura em que as moléculas de um gás deixam de ter movimento - e calculou esse valor em -273 graus Celsius.

Tesoura
Os primeiros modelos surgiram na Europa há cerca de 5 mil anos e tinham as lâminas unidas por uma mola. Na antiga Roma, assim como na China, no Japão e na Coréia, os artesãos utilizavam tesouras de eixo feitas de bronze ou de ferro, parecidas com as de hoje. Até ao século passado, eram forjadas à mão e muito mais ornamentadas. O uso doméstico iniciou-se no século XVI. A partir de 1761, com a manufatura de tesouras de aço pelo inglês Robert Hinchliffe, o utensílio tornou-se realmente popular.

Velas
O seu registo mais remoto data do século V a.C., entre os Etruscos que dominavam o vale do Pó e a Etrúria, região que hoje é a Itália. Desde aquela época, faziam parte das cerimônias religiosas, particularmente durante as Saturnálias, as festas em homenagem a Saturno - a divindade que personificava o tempo na mitologia.

As primeiras velas eram fabricadas em casa. O processo era demorado, pois exigia que as fibras vegetais do pavio, feito de junco, papiro ou estopa, fossem continuamente mergulhadas em sebo ou cera derretida. As de sebo, que exalavam mau cheiro, eram de uso mais popular. As de cera, preferidas pelos nobres e pela Igreja, não espalhavam um cheiro tão mau e eram mais caras.

Malcheirosas e fumarentas, só em 1825 as velas atingiram a fórmula básica atual, em França, com as descobertas do químico Eugéne Chevreul e do físico-químico Louis Joseph Gay-Lussac. Ambos conseguiram separar a estearina (ácido esteárico) da sua parte líquida (o ácido oleico), pesquisando as propriedades de sebo de boi e carneiro.

Velcro
O velcro foi inventado em 1948 pelo engenheiro suíço George de Mestral. Certo dia, voltando de uma caminhada no bosque, ele ficou irritado ao encontrar carrapichos agarrados à roupa e no pêlo do seu cão. Decidiu então descobrir de que modo é que eles conseguiam agarrar-se tão teimosamente, sem nenhuma substância adesiva. Observando pelo microscópio, George descobriu que as patas do carrapicho terminam em pequeninos ganchinhos, que se prendiam a qualquer coisa peluda. Uma lâmpada acendeu-se sobre a sua cabeça! Assim nasceu o fecho feito de numerosos ganchinhos e lacinhos. O nome "velcro" é a combinação de duas palavras francesas: "velours" (veludo) e "crochet" (gancho).

Vidro à Prova de Bala
O vidro à prova de bala é um aperfeiçoamento do vidro laminado, criado em 1909 pelo químico francês Édouard Bénédictus. O vidro laminado consiste em duas lâminas de vidro com uma lâmina de material plástico ensanduichada entre elas. É usado em pára-brisas de automóveis para dar segurança aos passageiros em acidentes: ele estilhaça-se mas os seus pedaços tendem a ficarem presos no plástico. A primeira versão do vidro à prova de balas usava uma folha de celulóide entre as lâminas de vidro. Contudo, o celulóide amarelava em pouco tempo, o que tirava a transparência do vidro. Em 1936, o celulóide foi substituído por polivinil butiral, o que eliminou o problema.

Hoje, fazem-se vidros à prova de bala com 30 a 40 milímetros de espessura, formados por várias camadas alternadas de vidro e de polivinil butiral. Esse vidro detém ou faz ricochetear projéteis comuns disparados a curta distância - até 3 metros. O mesmo não acontece com projéteis de certas armas de alto impacto, que podem perfurá-lo.

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